Resenha

Private Parts & Pieces

Álbum de Anthony Phillips

1978

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

22/06/2020



Belo, relaxante e agradável, qualidades de um disco difícil de descrever

Para sempre marcado como o ex guitarrista do Genesis, Anthony Phillips a mais de quarenta anos e de forma bastante prolífica, continuou a arar seu sulco musical. Construindo uma vasta discografia em um catálogo que ultrapassa fronteiras e gêneros, onde o sua coleção, Private Parts & Pieces, permanece como uma constante durante todos esses anos com mais de uma dezena de volumes. 

A ideia do álbum é bem simples, uma representação musical onde Phillips, usando piano, teclado, violão e guitarra, é o responsável por todo o som do disco que é quase inteiramente instrumental. Apesar de lançado em 1978, as gravações são datada do período entre 1972 e 1976 – exceto por “Reaper”. De certa forma podemos afirmar que aqui Anthony Phillips ao invés de ser visto como um artista progressivo, acaba se voltando mais para algo regressivo, mas antes que possam pensar que isso é uma visão pejorativa, eu explico. Falo regressivo no sentido de sua música regressar a um som mais delicado e pastoral, tendo em vista que seus dois primeiros álbuns foram, em retrospecto, tentativas ambiciosas de cumprir seu legado como guitarrista original do Genesis. Aqui, Phillips se retira daquele ambiente e emerge com uma música que reflete melhor seus gostos e talentos peculiares.

“Beauty And The Beast” é a faixa que abre o disco e que se eu não soubesse que é um álbum de Phillips, diria que estamos diante de uma música de um pianista e não guitarrista. Depois vi que Phillips credita “Jeremy Gilbert tocando um Chopin Nocturne" como inspiração para a peça. Um começo discreto, mas ao mesmo tempo muito bonito. “Field Of Eternity” é a única faixa que Phillips não compõe sozinho, sendo parceria com Mike Rutherford. Trata-se de um longo e belíssimo solo de violão de doze cordas e que inclui parte da peça incompleta, “Flamingo” – que vai está mais a frente no disco - e um trecho de uma música do Genesis nunca gravada – acho que daí a origem do crédito a Rutherford. 

“Tibetan Yak-Music” pode receber o título de faixa mais estranha do disco, o que não quer dizer que não seja boa. Possui a sua essência novamente em execução musical no violão de doze cordas, mas que em alguns momentos me parecem soar desafinadas. Não é ruim, é interessante, porém, não é o tipo de música pra se ouvir com muita frequência. “Lullaby - Old Father Time” com pouco mais de um minuto, é uma música belíssima através de um quarteto de violão que cria uma melodia delicadamente adequada. 

“Harmonium In The Dust (Or Harmonius Stratosphere” é uma adaptação de uma composição criada originalmente por Eustace Grimes e tocada em um harmônio, onde acaba proporcionando uma boa ambientação para que a guitarra solo se desenvolva com um pouco mais de profundidade do que na maioria das outras faixas do disco. “Tregenna Afternoons” é uma das faixas mais longas do disco com quase oito minutos, porém, este acaba sendo o seu maior problema, pois apesar dela retornar o disco para um clima de pintura sonora de cores delicadamente melódicas, sua extensão acaba tornando o que seria uma ótima experiência, algo um tanto monótono. 

“Reaper” é mais uma faixa em que Phillips está em domínio do seu violão de doze cordas, tendo certa semelhança com “Horizons”. Apesar de ser lançada somente neste disco, se trata de uma composição que o músico escreveu em 1970. Tem uma atmosfera que eu particularmente adoro, dando uma sensação medieval belíssima. “Autumnal” traz Phillips de volta ao piano. Um trabalho bastante influenciado no impressionismo, mas sem soar de forma muito derivada de Debussy ou Ravel, pra citar dois dos seus principais nomes. 

“Flamingo” é uma música que segundo palavras do próprio Phillips, foi o primeiro movimento de um concerto planejado para violão de doze cordas. É a faixa mais longa do disco, ultrapassando a marca dos onze minutos. Possui a mesma sensação de alguns dos trabalhos acústicos de Steve Hackett, ou seja, tecnicamente impressionante, porém, se você não for muito acostumado com esse tipo de trabalho, pode se sentir um pouco entediado. “Seven Long Years” é a faixa que finaliza o disco. Possui vocal onde é contada a história de uma bailarina desaparecida. Violão suave e piano elegante completam a faixa. 

Um disco essencial para os fiéis de Anthony Phillips. Para quem gosta de simplesmente relaxar ao som de uma música new age também achará neste disco muitos motivos para apreciá-lo. Se você quer algo mais parecido com o Genesis ou mesmo progressivo em geral, outros discos da discografia de Ant são mais indicados.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Private Parts & Pieces

Álbum disponível na discografia de: Anthony Phillips

Ano: 1978

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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