Resenha

Black Science

Álbum de Machines Dream

2017

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

10/11/2017



Não se trata somente de um registro musical, mas uma mensagem.

Machine Dream é uma grata surpresa desde que os conheci lançando o álbum de estreia em 2013. Algo que faz sua música ser tão agradável e natural é o fato da banda ter surgido sem pretensão alguma, eram apenas cinco amigos que se juntavam algumas vezes por semana para improvisar aquilo que seus corações musicalmente mandavam, mas que acabou fazendo com que essas ideias virassem seu primeiro disco. É fácil ver a linhagem da banda, os membros  sempre ouviram muito grupos como Pink Floyd, Genesis, King Crimson, Marillion, Porcupine Tree, Tool entre outras, podendo notar influência de todas elas na sua música. Mas claro que a banda quer fazer algo além do que homenagear bandas de rock progressivo do passado distante ou não, querem compor músicas novas e experimentar sons originais, enfim, criar algo mais significativo. Em seu mais novo álbum, Black Science, novamente acertaram na fórmula com mais um disco de grande beleza.

“Armistice Day” é uma faixa curta um minuto e meio com um vocal reminiscente ao estilo de Roger Waters e atmosfera criada por sons eletrônicos que logo a fazem ligar a “Weimar”, música que já começa de maneira belíssima, teclado, piano e guitarra dando um ar sinfônico que é seguido por um vocal aberto. Tem excelente linha de baixo, um momento de cravo de influência barroca, um aumento no ritmo da música, excelente passagem de sintetizadores e indulgência geral da guitarra. Então que a faixa suaviza novamente para a sua cadência inicial até entrar um solo emotivo de guitarra seguido por outro de teclado.

“The Cannons Cry” começa com um riff pesado em um tema que adverte sobre o surgimento do fascismo e o uso da propaganda para impulsionar uma futura guerra de destruição de valores e princípios comuns. Nota-se aqui o quanto estes caras são fãs de Roger Waters, mas apesar disso, não é algo desonesto, buscando apenas complementar sua música com tal admiração e não deixar de serem eles mesmos.  Baixo pulsante, bateria enérgica e camas atmosféricas criadas pelos teclados complementam esta música excelente.

“Heavy Water” trata sobre a primeira bomba atômica. A música é uma tentativa de imaginar e personalizar o que o aviador na Enola Gay pode ter pensado e sentido antes de deixar cair a bomba. O piano desempenha um papel bonito e importante na música, as harmonias vocais são influenciadas por Pink Floyd. Na última parte instrumental da música, podemos desfrutar de um solo de guitarra melódico, ótima bateria e linha de baixo, além de um agradável ​​tapete criado pelo teclado.

Após uma turbulência tão dramática, um momento mais leve da humanidade é encontrado em “Airfield on Sunwick”, uma história sincera sobre uma mascote de ursinho chamado Wojtek, que acompanhou uma heroica unidade de combate polonesa durante a Segunda Guerra Mundial. Jakub Olejnik, da banda polonesa, Maze Of Sound é um convidado vocal nessa faixa acrescentando nela uma boa autenticidade. Novamente a melodia principal é feita pelo piano. Destaque também para a ótima linha de baixo e o excelente solo de sintetizador no meio da música.

“Black Science” é uma faixa que se mostra olhando para o século 20 como um todo, e sentindo que algumas das piores coisas se destacam mais do que as melhores. Os assassinos em série, o egoísmo, a economia neoliberal, o culto ao dinheiro, a destruição do meio ambiente, o apartheid e as guerras. Apresenta uma melodia bastante simples e delicada sobre um ritmo desanimado. Destaque para o final através de belo e sombrio solo de saxofone que entra na música pra fazer um dano emocional grave no ouvinte.

Depois de um começo suave, “UXB” mostra-se uma peça progressiva, mas mais pesada que o resto do álbum, os vocais são cantados de maneira mais agressiva. O baixo é colocado em uma camada de destaque. Na faixa também há um solo de sintetizador característico do estilo progressivo moderno seguido por uma guitarra estridente dando uma atmosfera caótica. Então que a faixa se acalma para finalizar em um trabalho de piano clássico.

O álbum fecha com “Noise to Signal”, uma música sobre a internet, saturação de mídia, fatos alternativos e notícias falsas. Uma música obscura com parte pesadas de guitarra, mas também com melodias mais leves de sintetizadores. Musicalmente e liricamente extremamente rica, muda de direção depois da metade com o retorno liderado por pianos, a deixando mais leve e edificante. Após a sua mensagem final, “Shut down the noise, become the signal” (desligue o barulho, torne-se o sinal),a música finaliza com um belíssimo solo de saxofone.

Um disco que é uma grata surpresa e que mostra uma enorme maturidade em todos os seguimentos de sua criação, musicalidade, escrita e produção. É projetado de forma excelente e pensativa e não apenas os fãs de rock progressivo, mas de música em geral encontrarão muito aqui pra ser apreciado. Black Science não se trata somente de um registro musical, mas uma mensagem.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado pela música progressiva em todas as suas facetas."

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Sobre o álbum

Black Science

Álbum disponível na discografia de: Machines Dream

Ano: 2017

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,75 - 2 votos

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