Resenha

Live And Let Live

Álbum de Twelfth Night

1984

CD/LP ao Vivo

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

20/06/2020



Um disco clássico de rock progressivo gravado nos anos 80

Os anos 80 foram a pior década para o rock progressivo sem dúvida alguma. Medalhões como Genesis, Yes e ELP tinham  adequado seu som naquele período e haviam se transformado em bandas pop. Coube a poucos grupos como o Marillion e o Solaris  levarem adiante a bandeira do prog rock.

No meio deste deserto musical, surgiu o Twelfth Night, grupo formado em 1978 em Reading na Inglaterra pelo baterista Brian Devoil e o guitarrista Andy Ravel. Posteriormente vieram o tecladista Rick Battersby  e o baixista Clive Mitten. Mantendo a formação como um quarteto, o grupo optou por um progressivo instrumental e lançou o excelente ao vivo “Live At Target”.

Após o lançamento, a banda optou por procurar um vocalista. Depois de algumas tentativas frustradas, optaram por chamar de volta Geoff Mann, um pintor que também havia integrado a equipe de apoio da banda e trabalhado como vocalista nos seus primórdios.

Com Mann lançaram dois grandes trabalhos de estúdio, até que o vocalista decide deixar o grupo de maneira amigável, uma vez que queria se dedicar as suas outras duas paixões, a pintura e o sacerdócio.

Então o grupo decide gravar os shows que aconteceriam no Marquee Clube nos dias 4 e 5 de novembro de 1983, que seriam as ultimas apresentações com o vocalista.

O grupo pagou apenas para a gravação das seis canções que entraram no disco, porém, quando os engenheiros ouviram o poder de fogo da banda nos palcos, decidiram gravar os shows inteiros por conta própria, incluindo o bis.

Este material foi relançado em 2012 com o título  de ´Live And Let Live The Definitive Edition, contendo quinze canções extraídas dos shows com remasterização e mixagem  feitos pelo o guitarrista Karl Groom ( Threshold ). Um item que vale o investimento. 

O som apresentado pelo grupo é um neo prog influenciado por nomes como Marillion, Pendragon e medalhões no estilo Genesis, principalmente pela maneira performática e emocional de Geoff interpretar as canções. 

Apesar das influências citadas, a sonoridade apresentada pelo grupo era mais dinâmica, potente e estrutural. Mitten foi um dos pioneiros no uso do baixo de seis cordas no progressivo e o faz com eximia maestria. Seu baixo soava pungente e perfeito ao lado da bateria de Devoil, dando suporte para a melódica guitarra de Ravel que dividia os holofotes com Mann. E ainda havia as linhas de teclados de Battersby, que atuava como uma arte finalista de toda a estrutura musical.

O álbum foi lançado em vinil com apenas seis faixas, praticamente duas por lado do LP, sendo que a suíte “Sequences” toma todo o lado “B” do segundo disco. É uma suíte passional, interpretada com bastante teatralidade por Mann, nos fazendo lembrar Suppers Read. Essa faixa havia sido gravado pelo grupo anteriormente totalmente instrumental. Aqui ganhou letra do vocalista que a deixou ainda melhor

Merecem destaques também "The Ceiling Speaks”, que abre o álbum de forma magistral mostrando a força do grupo; a instrumental “The Poet Sniffs a Flower” que começa melódica, com dedilhados de guitarra e torna-se dinâmica do meio pro final, com um excelente trabalho de baixo e bateria; A cadenciada e sombria “We Are Sane”, com mais de doze minutos de duração com boas variações de andamento; E ainda “Fact and Fiction” uma canção tipicamente neo prog;

Live And Let Live foi lançado originalmente em janeiro de 1984, marcando o fim da fase com Geoff Mann, que seria substituído por Andy Sears. Além de encerrar uma fase importante do grupo, o álbum pode ser considerado um dos melhores discos ao vivo dos anos 80 e um clássico absoluto do estilo.


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Sobre o álbum

Live And Let Live

Álbum disponível na discografia de: Twelfth Night

Ano: 1984

Tipo: CD/LP ao Vivo

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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