Resenha

Everyone Into Position

Álbum de Oceansize

2005

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

18/06/2020



Superando a estreia através de um testemunho musical simplesmente incrível

Em seu primeiro disco, Effloresce, a banda Oceansize entregou uma verdadeira joia musical, então que pra não parecer que o feito alcançado era uma espécie de “sorte de principiante”, dois anos depois, com Everyone Into Position, eles repetiram a dose através de um testemunho musical simplesmente incrível. O gênero encontrado aqui ainda é algo entorno do pós-rock e o heavy prog. No entanto, o som ainda é mais enérgico do que o disco anterior, os vocais embora já fossem ótimos, foram aprimorados, a música soa mais emocional e a sonoridade é mais variável. A banda novamente faz um excelente trabalho exploratório de sons. Em muitos momentos o disco parece ser mais direto que o anterior, mas embora isso possa soar como algum problema, eu vejo certamente como um passo à frente pra eles. A música foi afinada até quase a perfeição. Este álbum é adorável logo de início. Ainda existem fragmentos mais pesados, herança do álbum anterior, algo normal inclusive, mas há algumas partes mais leves do disco que faz com que tudo se encaixe muito bem. 

“The Charm Offensive” é a faixa de abertura e que mostra clara reminiscência do disco de estreia. Esta música parece mais faixa que encerra o álbum do que de abertura. Ótima atmosfera pós-metal com ótimos vocais e criatividade instrumental. “Heaven Alive” é definitivamente uma música para atingir o maisntream, mas em momento algum isso a torna menos excelente. Os vocais então bem vanguardistas e tem linha de baixo bastante sólida. Na última parte da música, o destaque fica para os vocais que se apresentam em várias camadas, soando quase como um coro, que junto com a linha de baixo sempre presente, fazem desta música algo emocionante e atraente. 

“A Homage To A Shame” começa de uma maneira extremamente explosiva. Uma faixa sólida, muito pesada, emocional e surpreendente. Novamente os vocais em várias camadas se fazem presente, mas desta vez o coro parece ter sido virado de cabeça para baixo, quase que dando uma espécie de efeito oposto ao da faixa anterior. “Meredith” é uma música mais suave, mas sem deixar de ser incrível e de muita substância, musicalidade e emoção. Ainda que não traga o peso da faixa anterior, possui complexidade, mudanças e bateria desafiadora, além de senso de sofisticação e originalidade. 

“Music For A Nurse” é seguramente a obra-prima do disco e talvez a minha música preferida da banda. Começa com a banda se aprofundando em uma linha de pós-rock, adicionada de uma sonoridade espacial e que faz com que sua estrutura tenha referência ao que a Sigur Ros possui de melhor. Traz também ótimas vozes em várias camadas. Uma melodia de muita beleza, baseada em estrutura complexa de acordes típicos do pós-rock, começando de forma suave e simples, mas construindo um clímax incrível. Conforme vai se desenvolvendo, mais vai aumentando as emoções e tensão, onde acabamos em uma parede de som quase que orquestral. Música sensacional. “New Pin” começa com um som de computador sequenciado e alguns ruídos antes que baixo, bateria e guitarra rítmica se juntem para construir uma base mais otimista. Os vocais estão muito bons e o coro funciona bem. Uma faixa excelente e bastante original. 

“No Tomorrow” começa de forma bastante agradável, me lembrando em algum momento o Traffic. Segue muito bem cadenciada e cantada de forma suave, mas no refrão existe uma mudança tanto instrumental, quanto vocal que deixa a música muito mais bombástica. Devo admitir que, embora hoje eu adore, não é uma música gostei de primeira, ela teve que crescer em mim. “No Tomorrow” possui várias fases, onde suas transições ao mesmo tempo em que são assustadoras, também se mantem sempre coerentes. “Mine Host” representa um momento de pausa no disco, uma peça musical construída sobre uma atmosfera de voz eletrônica e algumas variações de piano e linhas suaves de guitarra. Na metade da música, há um acréscimo de bateria, e que também acompanha a faixa, até tudo silenciar e algumas notas de piano marcar o fim da música. “You Can't Keep A Bad Man Down”, como eu gosto de todas as músicas do álbum, eu posso chamar essa de menos favorita. Ainda assim ela consegue soar bombástica. Diria que fãs de bandas como Muse e Mars Volta podem encontrar aqui algo que eu não encontrei. Mas é claro, que apesar de não figurar na minha preferência, ela soa coerente com o disco. “Ornament / The Last Wrongs” é a faixa mais longa do disco com mais de nove minutos e também a que marca o seu encerramento. Novamente é um tipo de música que tive que deixar com que fosse crescendo em mim com o tempo. Possui uma introdução longa e bastante espacial, até que acontece uma explosão instrumental que tira o ouvinte do estado de paz em que se encontrava, tudo regressa ao estado sereno antes de acontecer a segunda explosão. A música mostra-se um trabalho cheio de vigor, mudanças repentinas, passagens suaves e pesadas se entrelaçando. Mais uma vez vale destacar os vocais em camadas que a banda adora fazer. Se eu precisei de tempo pra de fato gostar e absorver essa música, hoje certamente ela faz parte da realeza do meu reino das músicas psicodélicas do século XXI. 

Novamente a banda conseguiu misturar de forma muito feliz a sua música, através de complexidade, vitalidade, originalidade, além de atingir em muitos pontos uma grande carga emocional. Dentro da linha mais moderna do rock progressivo, ou melhor, da psicodelia e space rock, este disco deve ser comparado ao que de melhor foi criado até hoje. A banda não apenas decidiu explorar suas influências, mas criou o seu nicho dentro do seu próprio estilo musical.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Everyone Into Position

Álbum disponível na discografia de: Oceansize

Ano: 2005

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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