Resenha

Sabotage

Álbum de Black Sabbath

1975

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

16/06/2020



Encerrando a fase clássica

Por muito tempo esse foi meu disco favorito do Sabbath, não sei ao certo, o porquê. Talvez pela atmosfera diferente, levando o lado sombrio ao máximo. Hoje não me perco tentando decifrar o melhor de sua fase clássica, ou mesmo os álbuns com Ronnie James Dio, acho desnecessário apontar o número um em uma discografia em que se tem ao mínimo nove trabalhos postulante ao termo "clássico".
Sabotage gera estranhamento ainda pela capa, com os membros de costas para um espelho que refletia a imagem frontal, jus ao título. As roupas extravagantes "assustam" quem tomou contato tardiamente com Sabotage. Bill Ward pegou a meia da esposa e a usou como calça para sair na foto, (ficou ridículo), enquanto Ozzy aparecia de kimono e botas de salto alto.
1975 foi promissor ao Sabbath, porque a enxurrada de drogas ainda não cobrará o preço criativo, que seria notório nos trabalhos seguintes. Nesse tempo Tony Iommi já segurava a onda de quem estava mais interessado em ficar louco do que tocar ou criar. Não bastasse, ainda tinha a briga com o ex-gerente do grupo, o Patrick Meehan, "homenageado" em The Writ.

Holy in the Sky trazia um peso descomunal contemplado a riffs soberbos. Ninguém era páreo para o Black Sabbath em criar algo tão forte nos anos 70. A voz de Ozzy dispunha o timbre dos sonhos de qualquer "roquista", atingindo agudos que outrora eram impossíveis para ele.
Holy in the Sky tem corte abrupto para a entrada dos violões em Dont Start (Too Late), essa, apenas um elo para iniciar Symptom of the Universe - canção com andamento um tanto incomum à época, por isso chamada por muitos de proto thrash. Vale destacar a atuação espetacular de Bill Ward.
A riqueza de arranjos em Simptom of the Universe mostra a faceta após o solo de guitarra, com partes acústicas quebrando a força do som. Iommi tira tudo da cartola, desde fraseados de blues, jazz e outras cositas em frases "limpas".

"Megalomania" é estranha, sinistra e cheia de efeitos nas vozes e contrabaixo. Também tem profundidade nos teclado do convidado Gerald "Jezz" Woodruffe. Pode ser divida em duas partes, a primeira perto de ser uma narrativa angustiante de Ozzy, a segunda mais heavy, ao ir de encontro ao refrão e desenrolamento épico.
Seu texto ajuda a meditar sobre o mundo atual, o mundo do ego desenfreado que se apodera da razão, seja pelo poder, medo de ter a honra ferida ou o narcisismo contumaz, como um fantasma que deve ser combatido e que não pode ser arrancado por inteiro, por fazer parte do próprio ser. Extravasa a fama dos membros e de como lidavam com isso em meio a "toneladas" de narcóticos, numa mistura devastadora que poucos suportariam, turbilhão de vozes a confundir a mente.

Thrill Of It All acerta um cruzado de direita na cara do ouvinte. Veja bem, as canções desse registro possuem tudo o que o Sabbath sempre fez, porem, elas não caberiam em nenhum disco da banda que não seja esse. Estranho perceber que não se trata de transição para Technical Ecstasy ou salto técnico, é uma mudança que fica somente aqui, como o exemplo do canadense Rush, a permanecer único na sonoridade de cada produto, ainda mantendo as características. The Thrill Of It All tende a ser uma das faixas mais brilhantes do Sabbath, contudo, subestimada.

Ozzy ficou de boca aberta quando Tony Iommi veio com a ideia do riff embrionário da instrumental Supertzar, bom, acho que qualquer um ficaria. Alem disso, temos coro filarmônico de Londres que foi trazido para complementar o resto, espantando novamente o Madman, que ao chegar no estúdio e ouvir, pensou estar no local errado e saiu. Supertzar serviu como introdução em vários shows, quem não se lembra do dvd hammersmith odeon ? (turnê de Never Say Die).

Am I Going Insane pode ser considerada uma Paranoid capitulo II em letras, e também a faixa mais comercial. Atente-se a linha maluca de Geezer Butler, explorando os intervalos de quinta com alguns ornamentos.

Aos sons de risadas e gritos perturbadoras vindas do final de Going Insane, The Writ inaugura uma viagem ao próprio inferno. Lembra quando disse sobre o clima tenebroso de Megalomania ? pois então multiplique por três e entenda porque é uma das preferidas dos fãs.
As vozes raivosas de Ozzy tem por muitos um destinatário : Patrick Meehan, o gerente / empresário acusado de ferrar a banda por inúmeras vezes. A letra pega pesado quanto a isso, como uma maldição lançada. Afora a raiva jogada sobre Meehan, temos um dos melhores instrumentais, ópera macabra em arranjos belíssimos de cravos e pianos.
Por fim ouvimos uma gravação "escondida" de 30 segundos de Ozzy e Bill Ward “cantando” “Blow on a Jug”; tão estranha quando The Writ. O produtor explica: "Os microfones ficavam instalados por todo o estúdio. Então uma noite Ozzy e Bill estavam brincando no piano e resolvi gravar.". Segundo Bill Ward : "É uma canção de bêbados que eu e Ozzy cantávamos juntos numa van ou num avião. Sou eu tocando piano e Ozzy assoprando numa garrafa de sidra, como se fosse uma tuba".

Sabotage encerra a fase clássica com Ozzy nos vocais. A partir de Technical Ecstasy e Never Say Die encontramos sons diferentes e abaixo da sequencia de seis discos perfeitos compreendidos entre o debut (1970) até Sabotage.


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Sobre Marcel Dio

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Sobre o álbum

Sabotage

Álbum disponível na discografia de: Black Sabbath

Ano: 1975

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,09 - 17 votos

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