Resenha

Use Your Illusion I

Álbum de Guns N' Roses

1991

CD/LP

Por: Fábio Arthur

Colaborador Especialista

14/06/2020



O encontro com a arte

Definitivamente eu creio que o Guns N' Roses foi a última grande banda em aportar no seguimento do Rock com qualidade e versatilidade. Eu não poderia resenhar essa obra se não fosse de maneira mais sincera e de fonte conhecida - em uma premissa de que ouvi e comprei esse disco assim que saiu nas lojas, assim como sua segunda parte -, de modo que me obrigo a ser honesto com o leitor e comigo mesmo.

Quando o Guns trouxe o primeiro disco de sucesso renomado no âmbito musical em escalas de mídia absoluta no final dos anos oitenta com "Appetite for Destruction" confesso que fui e comprei o álbum, mas ele não me agrada em nada. Isso mesmo, não gosto desse trabalho, acredito que tem algo bem contado nele, mas essa obra surge bem inferior musicalmente e em estrutura também, salvo faixas que vieram em tornar-se clássicas por inúmeros fatores. Seguindo esse parâmetro, quando obtive em mãos "Use Your Illusion I", minha audição em mínimos detalhes se tornou obrigatória e fundamental para minha descrição sobre o estilo naquele momento praticado pelo grupo. 

Ao começar, tenho que ser bem claro e afirmar que muitas das faixas que estão entre o I e álbum II já existiam em pelo menos do quesito letras e/ou melodias. Sendo assim, essa primeira parte me trouxe um ânimo enaltecido e de forma bem abrangente, notando de que a banda traz consigo uma evolutiva orbital, passando em exercer uma fonte de características não vista antes nas várias composições da banda.

Surge aqui um novo Guns N' Roses. Com uma nova estrutura e alicerces, a banda seria grandiosa em seu composto, aliada em uma proporção inigualável e absoluta. Seus músicos em plena vontade e forma desenvolveram nessa fase e obra, uma clássica evolução e muito além de características simples. Riffs, melodias, timbragem, letras e arranjos, todos muito coesos e bem encorpados. 

Apesar de todos esses elementos, a banda tinha lá o seus revés, enquanto vícios de várias variáveis e um comportamento nada profissional por vezes; sem dúvida alguma, uma vergonha e de proporção altamente destrutiva.

Nesse primeiro álbum foram lançados três singles e alguns vídeos para a saudosa MTV, que abraçou o grupo de forma única com exposições massivas durante a divulgação do disco. O trabalho trouxe a marca de vendas enormes logo de cara e soou muito intensa em seu campo existencial visto que, de alguma forma, a banda agora era parte do mainstream, e aliado a isso, destruía até mesmo os fatores mais amplos do Grunge; Guns era a grande banda dos anos noventa.

A troca de baterista e a entrada de vários outros músicos apoiadores fez bem ao grupo. De fato, com essa nova vertente não seria possível realizar algo tão intenso, somente mantendo o grupo em cinco componentes. Eu realmente não desgosto e também não faço jus ao músico Matt Sorum, com sua bateria que soa muito bem, desde a época do The Cult, mas ele não traz o punch de Steve Adler. Enfim, aqui no álbum temos Axl tocando piando e em um aglomerado de canções entre inúmeros estilos musicais, tais como: Country, Hard, Progressivo, Blues e até mesmo um pequeno flerte com a Música Clássica. Esse é o ponto em que mostra a real face do grupo.

Aqui, temos os destaques, lembrando que toda a mixagem dos dois álbuns foram refeitas após sua finalização, já que não agradava o grupo em nenhum aspecto - dá-lhe trabalho!
"Live and Let Die", cover de McCartney, que ficou ainda melhor de que seu original, e não desmerecendo o ex-Beatle, mas ela soa mais rocker e necessária nesse ponto. "Don't Cry" é das antigas e com letra original, diferente da do trabalho II, com belíssimo vocal nessa. "Bad Obsession" tem ótimos arranjos e harmônicas fluem deliberadamente bem. "Double Talki'n Jive" traz algo como metal mas com ênfase no rock clássico e um lindo final acústico. "November Rain" é perfeita, bem alicerçada em arranjos e piano com cordas em geral, de forma a dar entonação para um final épico e emocionante - e olha que eu não gosto de baladas. "The Garden" com Alice Cooper chega empolgante e genial em toda construção da mesma, e "Dead Horse", com letra altamente forte, traz um som simplesmente ambicioso. Fechando com "Coma" em ponto alto com as vocalizações de Axl e melodias da faixa exemplares.

A banda traz a veia do rock setenta aqui, com Led, Floyd e Aerosmith como referências, mas sem cópias e sim inovadoras. 

Em um ponto eles fizeram tour pelo Brasil divulgando os discos, mas infelizmente no Rock in Rio 2 trouxe a banda na noite do metal com o Judas Priest abrindo para eles, mas a banda sofreu com chateação de Axl, que insistia em limitar os recursos dos britânicos no palco, algo que não deu certo e o Judas provou ser o melhor da noite. Aliás, muito melhor, já que Halford mostrou que eram profissionais em todos os aspectos.

Essa primeira parte soa como a um clássico, mesmo.


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Sobre Fábio Arthur

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 04/02/2018

"Obtive meu primeiro contato com o Rock, com o grupo KISS no final de 1983, após essa fase, comecei a me interessar por outros grupos, como Iron Maiden, do qual ganhei meu primeiro vinil o "Killers" e enfim, adquiri o gosto por outras bandas, como Pink Floyd, John Coltrane, AC/DC entre outras."

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Sobre o álbum

Use Your Illusion I

Álbum disponível na discografia de: Guns N' Roses

Ano: 1991

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,43 - 7 votos

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