Resenha

To Shatter All Accord

Álbum de Discipline

2011

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

12/06/2020



Um perfeito rock progressivo sinfônico com tendências sombrias

Já tive a oportunidade de fazer uma resenha aqui no site do disco, Unfolded Like Staircase, da Discipline. Na mesma ocasião disse também que é difícil definir suas influências de maneira coerente, mas duas bandas do progressivo clássico que mais se destacam em seu som são King Crimson e Van der Graaf Generator, com um estilo musical, ou apenas nuances que sejam mais obscuras. Dentro do progressivo mais moderno – considerado o surgido nos anos 90 em diante – um nome como Angralard seria o mais certo entre nomes que a influenciam. Uma espécie de viagem ao passado com tecnologia moderna em gravação. 

“Circuitry” é a faixa responsável por marcar o início do disco. A princípio pode parecer basicamente uma faixa influenciada por King Crimson, mas possui um estilo clássico, principalmente no trabalho de guitarra e no estilo do vocal. Uma composição voltada principalmente para quem viveu e aprecia o rock feito nos anos setenta. Uma abertura de disco sensacional. 

“When the Walls are Down”, piano e um saxofone ao fundo dão início à faixa que logo em seguida ganha companhia dos demais instrumentos em uma linha pesada. Possui um ritmo médio e apresenta um vocal que é impossível não associar ao de Peter Hammill. Uma faixa bastante agradável e de composição basicamente simples. 

“Dead City” é uma faixa que soa bastante otimista. Desta vez, a maneira com que o vocalista está desempenhando o seu papel é bem diferente das faixas anteriores. Considero esta faixa um rock bastante direto, com uma pausa musical próximo ao início do segundo minuto com direito a um solo de guitarra belíssimo. Mais do que dar uma referência sobre essa música, é ouvi-la e apreciá-la. 

“When She Dreams She Dreams in Color” já começa maravilhosamente bem com um estilo vocal novamente remetendo ao de Peter Hammill. A música parece ser uma versão mais lenta de Van der Graaf Generator. Se você não conhecesse a banda e nem estivesse lendo isso, certamente acreditaria se alguém lhe dissesse que é Peter Hammill. O tão esperado momento mais glorioso da música se encontra no seu final, onde ela toca de forma repentina ao melhor estilo Starless do King Crimson, através de sons encharcados de mellotron e violino que surpreendem à medida que repete lentamente em cima de uma harmonia mórbida, fazendo o ouvinte se sentir dominado – pelo violino que é realmente extraordinário. Alguns sons de guitarra são repetidos até que a música chegue ao fim. Uma faixa menos acessível que as três anteriores, mas incrivelmente bem feita.

Então que è chegada a última música do disco, com os seus pouco mais de vinte e quatro minutos, “Rogue”. Já começa muito bem com um violão clássico preenchendo sozinho aos primeiros segundos de abertura, seguido por um excelente trabalho de guitarra para destacar em seguida uma linha vocal que agora lembra Anekdoten – não a voz em si, mas o estilo de cantar. É realmente uma introdução deslumbrante que me surpreendeu desde a primeira vez que eu a ouvi, e que já promete um épico maravilhoso. Gosto bastante quanto a música chega quase nos três minutos, que a passagem soa diferente seguida pelo trabalho de guitarra. Durante a música existem basicamente passagens musicais e peças de transição tocadas por guitarra e/ou piano que trazem ao ouvinte uma experiência sempre muito agradável. O que eu posso garantir é que no geral este épico muda lindamente de estilo e humor através de ótimas peças de transição que criam uma experiência auditiva de qualidade não muito fácil de ver – ao menos é isso que causa em mim. A música tem uma aura meio obscura que a acompanha do começo ao fim em movimentos ótimos. Este tipo de som mostra com clareza o quanto estão enganados, aqueles que mergulham nas profundezas obscuras dos anos setenta atrás de novas velhas bandas, muitas vezes bandas que não dizem nada e parece que só o fato de ser antiga já lhe rende uma medalha pela “qualidade”, e por pura ignorância se fecham para o rock progressivo contemporâneo. “Rogue” é fabulosa do começo ao fim.

E ainda é necessário considerações finais? Bom, um perfeito rock progressivo sinfônico com tendências sombrias.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

To Shatter All Accord

Álbum disponível na discografia de: Discipline

Ano: 2011

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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