Resenha

Aerie Faerie Nonsense

Álbum de The Enid

1983

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

12/06/2020



Não empolga como um todo, mas tem os seus momentos

Aerie Faerie Nonsense é o disco que sucede o bem aceito Something Wicked This Way Comes. De maneira semelhante a este álbum, a música é principalmente orquestrada e sinfônica, sendo executada de uma maneira que parece que estamos ouvindo uma trilha sonora de um filme. Claro que existe guitarras elétricas e que acrescentam um tempero rock, mas muitas vezes isso é inconfundivelmente coberto com metais, violino e bateria, e podemos chamar de uma espécie de rockhestra. 

A faixa de abertura é “A Heroes Life”, já começa emplacando uma sinfonia em um ritmo rápido que vai crescendo instrumentalmente de maneira majestosa. Um início simplesmente incrível para o disco. “Ondine” é uma peça de piano em ritmo lento, com belas passagens de sopro e sintetizadores. Ela me faz lembrar algum romance clássico ou notar semelhanças em melodias clássicas como Nutcracker Suite de Tchaikovsky. As guitarras harmônicas também ajudam a melhorar a atmosfera geral. “Prelude (Interlude)” é uma música que está repleta de passagens de trompa. Isso acaba levando a uma extravagante “dança nupcial”, que é um balet de tubulares, piano elétrico e sintetizadores. Esta música tem um clima frívolo e jovial, edificante e também agradável. 

Apesar das faixas serem separadas no disco, eu enxergo como algo mais correto tratar “Fand” como um longo épico com quase meia hora de duração. Apresenta rajadas poderosas de metais capazes de mudar o clima instantaneamente para algo mais portentoso. As rajadas profundas de tuba ou eufônio tem a capacidade de acrescentar a atmosfera exatamente necessária para demonstrar que a desgraça irá cair sobre o nosso herói. A música continua a crescer através de trompas em staccato, como se fosse a luz do sol estourando nas nuvens, entra-se em um enorme arranjo orquestral por volta de 7:20 que faz com que lembremos do Yes, mais precisamente na “And You And I”. As guitarras estão decididamente ausentes a maior parte da peça, permitindo que o arranjo e a sinfonia floresçam com maior clareza ainda. Isto pode ser algo bom se você gosta de música clássica no seu estado mais puro, pois se prefere ela instalada dentro, por exemplo, do rock, não creio que escutar isso seja uma boa pra você. A sonoridade do Vangellis também é facilmente notada, assim como um pouco de guitarras – finalmente – influenciadas por Brian May. Particularmente eu acho que a música começa bem e depois passa a me deixar um pouco entediado. Existem algumas seções mais tranquilas onde pouco parece acontecer algo e isso acaba não entretendo muito. Eu não tenho nada contra arranjos onde as trocas de notas são esparsas, desde que dentro de uma música que chame atenção. Há momentos em que não há melodia para se agarrar e o ambiente é extremo. A música finalmente se constrói para um final, cheia de pompas e notas belíssimas, finalizando um épico que a sua segunda metade não é nem sombra da primeira. Nessas horas acho que uma guitarra e sintetizadores teriam ajudado. 

O que podemos concluir deste disco? Possui algumas faixas muito boas como “A Heroes Life” e “Ondine”, mas o resto do álbum, principalmente a segunda metade de “Fand” não tem como definir de outra maneira que não seja chata, a não ser, claro, que você seja um verdadeiro entusiasta da música clássica, neste caso tem uma possibilidade maior de se apegar a esse disco. Não empolga como um todo, mas tem os seus momentos.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Aerie Faerie Nonsense

Álbum disponível na discografia de: The Enid

Ano: 1983

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 2,5 - 1 voto

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