Resenha

Chronometree

Álbum de Glass Hammer

2000

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

12/06/2020



Entre altos e baixos, um bom disco

Lançado no ano de 2000, Chronometree é o quarto disco de estúdio da banda estadunidense de rock progressivo, Glass Hammer. Apresenta uma fusão entre Yes e Emerson, Lake & Palmer que funciona na maior parte do tempo. Por outro lado – e infelizmente – a banda não tinha um grande vocalista, Brad Marler muitas vezes parece cantar sobre efeito de substâncias toxicas ou simplesmente desinteressado, acabando por estragar uma boa parte do material do disco. A musicalidade muitas vezes é incrível, principalmente o Hammond e e a guitarra.  

“Empty Space and Revealer” é dominada gloriosamente pelos sons de hammond, tendo espaço também para pinceladas de mellotron e uma guitarra em cascata sobre o piano. Porém, logo na primeira faixa nota-se que em termos vocais a entrega da banda não é nada satisfatória. "An Eldritch Wind" tem um ambiente mais espacial, junto de alguns vocais relaxantes e adequados. Possui belas texturas de harpas, piano e uma percussão constante. 

"Revelation / Chronometry” tem um órgão em tom feliz muito na linha de Emerson, Lake & Palmer, inconfundível onde existe uma mescla entre a voracidade complexa de “Tarkus” e o delírio intrincado de “Karn Evil 9”, com todos os músicos reunidos em um pacote musical não menos do que glorioso. O órgão realmente é um show a parte. Também há uns tons de guitarra incríveis. Os batimentos cardíacos do baixo e bateria faz uma seção rítmica muito boa. 

“Chronotheme” tem uma seção rítmica simplesmente fantástica com riffs pesados de guitarra. Ao invés de hammond, quem assume o papel de destaque aqui é um sintetizador espacial, outro destaque do disco. “A Perfect Carousel” é a balada acústica e de certa forma um papel carbono do estilo de Greg Lake. Os vocais aqui soam realmente melhores, porém, ainda carecem bastante da emoção necessária, além de parecer piorar conforme a música vai avançando. A melodia é bonita, principalmente a acústica, não é nenhum Keith Emerson, mas também é satisfatório. 

“Chronos Deliverer” é uma faixa bem dramática e tem os vocais angelicais cantados em coro de Susie Bogdanowicz, Jamie Watkins e Sarah Snyder. Novamente os sintetizadores soam de forma espacial e são apoiados por tons altos de guitarra. “Shapes Of The Morning” é outra faixa com uma tonelada de piano elétrico, sintetizadores agitados e órgão tocado de maneira virtuosa. A guitarra principal quando surge, o faz lindamente com uma reprodução de solo virtuoso. 

“Chronoverture” tem o seu início através de um piano minimalista sendo tocado lindamente, acompanhado por um órgão estilo de catedrais. Então que explode em um território da música de Keith Emerson em um ritmo bastante rápido e impressionante. Adoro como o órgão e a guitarra principal entram em cena. Destaque também é a maneira como o seu andamento muda, dando um toque musical fabuloso. 

“The Waiting” marca o retorno dos vocais horríveis, e embora o hammond tente afoga-lo, não obtém muito sucesso. As cordas sinfônicas marcam o início de explosões de melodia. É uma música mais pesada, com tons mais obscuros, além de sintetizadores e percussão forte. “Watching The Sky” é somente um pequeno pedaço de esquisitice de quase um minuto, direcionado por tambores, apitos e flautas minimalistas. 

No geral, este álbum carece muito, embora haja alguns momentos que são muito inspirados. Os vocais são indiscutivelmente a pior coisa que tem aqui, mas tem algumas seções instrumentais maravilhosas.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Chronometree

Álbum disponível na discografia de: Glass Hammer

Ano: 2000

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3 - 1 voto

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