Resenha

Fanfare & Fantasy

Álbum de Comedy Of Errors

2013

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

12/06/2020



Versatilidade que flui, formando um todo singular e magnifico

Fanfare & Fantasy é o segundo álbum oficial da banda, um disco de brilhantismo incrível. A banda em uma procura intensa por maior profundidade musical, além de emoções e uma produção fantástica. Comedy Errors não passeia apenas por caminhos clichês e comuns do progressivo, mas também constroem suas músicas com cuidado e firmeza de uma forma quase clássica e sinfônica. Não é nenhum exagero dizer que ouvir este disco também é uma experiência catártica. Dentro do neo progressivo mais primitivo, a música soa mais parecido com Pendragon e muito pouco por Marillion, mas acima de qualquer coisa, soa simplesmente como Comedy Errors. 

“Fanfare For The Broken Hearted” já começa de maneira linda com a voz forte de Joe Cairney cantando por cima de um piano com fluxo característico da escola neo progressiva. A música não possui exatamente um toque que seja capaz de deixa-la dinâmica, mas por outro lado ela possui segmentos e transições maravilhosas do começo ao fim, principalmente se focarmos mais nos teclados inventivos. Possui um solo de guitarra impressionante. Um começo que já diz muito bem o quão alto nível é o disco com que estamos lidando. 

“Something She Said” começa em um estilo que lembra um pouco Van der Graaf Generator, mas óbvio que tocado de uma forma mais simples, até pra que possa ser aceito mais facilmente pelos fãs e nem descaracterize demais a banda. O teclado é de um papel significativo para moldar o que é mais uma excelente composição – às vezes as manobras são feitas em piano para aumentar a linha vocal que ainda possui um papel importante. E antes que eu me esqueça, possui mais um trabalho de guitarra magnífico. 

“In A Lifetime” coloca um pouco mais de serenidade no álbum. Começa com um trabalho de teclado ambiente e guitarra influenciada por Steve Hackett. Mas então que a música fornece um “soco” dinâmico e uma poderosa linha vocal que lembra a linha que o Pendragon segue. Os riffs de guitarra são simples enquanto que a música acompanha o vocal em um ritmo relativamente médio. 

“Going For A Song” novamente nota-se uma influência em Steve Hackett através do preenchimento de guitarra logo no início, seguida por uma doce linha vocal que faz a música fluir em um estilo ambiente. Esta parte é bem legal e lembra bastante Genesis na formação clássica. Conforme ela vai se desenvolvendo, vai se criando também arranjos complexos, o teclado assume com maestria a função de fornecer a seção rítmica de todo o trabalho de guitarra para acompanhar a linha vocal. Novamente, guitarra e teclado se entrelaçam em seus papeis de maravilhosamente bem. 

“Merry Dance” é mais uma entre as três faixas relativamente curtas do disco, mas não deixa de oferecer uma seção de ritmos e sons bastante agradáveis, com isso, também constrói uma ótima plataforma para moldar a melodia geral do vocal. O solo de teclado é impressionante durante a peça de transição. A guitarra parece ser tocada de um jeito diferente aqui. Há também um trabalho de teclado que soa como um mellotron ao fundo, o que acaba deixando a música com uma cara progressiva sinfônica vintage. 

“The Cause” começa com uma grande explosão musical, mas que logo a música se torna silenciosa, alguns sons de flauta – acho que feitos no teclado - seguido de uma música ambiente que inclui um ótimo trabalho de teclado e uma guitarra gilmouriana. Novamente o vocal faz com que a comparação com os da banda Pendragon seja válido. O vocal é excelente e bastante acentuado durante toda a música. Possui algumas partes um pouco complexas em termos de arranjos, onde repentinamente o ritmo se muda para uma levada mais rápida, com vocais calorosos, trabalhos de teclado bastante inventivo, além de guitarras com riffs excelentes. Na música ainda tem um ótimo solo de teclado e alguns de guitarra. Um destes solos de guitarra inclusive desta vez vem seguidamente a um solo de baixo que serve como transição. 

“Time's Motet And Galliard” tem um longo começo de teclado onde somente depois dos dois minutos a música muda um pouco, mas ainda assim, sem perder a sua essência. Esta faixa pode ser dividida em duas partes, a primeira uma longa parte instrumental, quanto que a segunda, já por volta dos quatro minutos e meio – com vocais -, tem um som sinfônico na linha do Yes, mas suave, nunca soando bombástica. 

“Remembrance” com apenas quatro minutos é a faixa mais curta do álbum. Uma música suave, emotiva, agradável e bastante relaxante. Sempre na hora do refrão os instrumentos se encontram e dão um gás maior na faixa, mas sem deixar com que o seu teor dramático se perca. 

“The Answer” é uma faixa incrível e o disco não poderia fechar de forma mais apoteótica. Possui um começo bombástico, veloz e acrescido de teclados vertiginosos, mas saindo um pouco da linha teclado e guitarra de sempre, vale ressaltar aqui um trabalho de baixo que é excelente, linhas inspiradíssimas e bastante adequadas para a música. A música então fica mais suave e ponderada, mas apenas por um minuto, quando novamente ganha energia total. Real é que a faixa é uma espécie de montanha russa, onde há emoções em várias intensidades. O solo de guitarra mais na parte final eu considero o mais bonito de todo o disco. 

Não se trata apenas de um disco indicados aos amantes de neo progressivo, mas também aos de progressivo sinfônico. Existe uma grande versatilidade em todas as faixas, com uma infinidade de influências e, no entanto, todas elas fluem juntas para formar um todo singular e magnífico.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Fanfare & Fantasy

Álbum disponível na discografia de: Comedy Of Errors

Ano: 2013

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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