Resenha

Third Degree

Álbum de Flying Colors

2019

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

09/06/2020



Funciona bem na primeira audição, mas carece de bons motivos pra um replay

Acho que não existe mais nada para falar sobre do que se trata o projeto Flying Colors, assim como mencionar quem são os seus integrantes. Os dois discos anteriores da banda eu os considerei muito bons, mas em ambos os casos fica nítidos que o resultado está aquém do que uma reunião de músicos tão talentosos pode oferecer. Em Third Degree a banda se comportou da mesma maneira e se manteve na sua zona de conforto? Ou decidiu arriscar mais, podendo com isso, subir ou descer um degrau na qualidade da sua discografia? Particularmente eu foco na ideia de se manter em uma zona de conforto, com certa ressalva – que poderá fazer com que eu de certa forma também a coloca na segunda opção. 

A faixa de abertura é “The Loss Inside”. Já começa através de um trabalho instrumental tocado com força total, excelente riff de guitarra, além de vocais profundos e até mesmo um pouco ásperos. A música segue um tanto pesada, com ótimos solos de guitarra e um belo solo de órgão. Logo de cara o ouvinte vai perceber que a banda continua com a ideia de fazer um progressivo mais acessível. Podemos notar influências de Spock’s Beard e Dream Theater, mas digamos que em um formato mais diluído. Escolheram muito bem a faixa de abertura, pois ela consegue entreter e atiçar a curiosidade do ouvinte em relação ao que estar por vir. 

“More” faz com que a banda continua soando dentro do seu característico pop pesado. Desta vez os vocais são ligeiramente computadorizados e isso faz com que a faixa acabe soando como Muse – nada contra, apenas uma constatação. Comigo esta música foi uma espécie de pegadinha, pois apesar de eu ter gostado dela logo de cara, depois senti que ela não demora muito para se desgastar e nos dando a sensação de já ter ouvido a banda fazer isso antes. Possui um som sinfônico muito bom no seu núcleo, a interação entre teclado e guitarra também é muito interessante. Apesar de uns pontos negativos, a música é bastante profissional e bem desenvolvida. 

“Cadence” direciona o disco para um clima mais suave, mas ainda assim possui algumas teclas sinfônicas pesadas. Os vocais aqui eu confesso que não me agradam muito, parecem que não estão genuínos, mas sim, imitando algum outro. A música conforme se desenvolve vai se transformando em um neo progressivo. No geral não existe nada de surpreendente ou de grande destaque nesta faixa. Um pouco pomposa e mais acessível, além de mais leve do que as duas primeiras. Mas sinceramente, no fim das contas, uma música de saldo negativo. 

“Guardian” começa através de uma conversa no estúdio e uma bateria simples. Assim como acontece com a faixa anterior, estamos diante de uma faixa com os seus pés calcados no neo progressivo, talvez até mesmo de forma mais intensa. Existe aqui um excelente solo de baixo, que eventualmente se transforma em uma ponte para um de guitarra e que levará a faixa para o seu tema principal. Falando em tema principal, o problema maior desta faixa está justamente nele, o achei um pouco fraco. 

“Last Train Home” tem uma sonoridade mais lenta, mas mesmo assim, majestosa. Casey utiliza toda a sua voz guardada no peito – meio forçado às vezes. Depois de alguns versos e refrãos meio chatos, a música então acelera um pouco e se desenvolve para uma pausa instrumental, apresentando um solo de sintetizador na linha da Spock’s Beard, que depois cai para um som de voz e violão. São mais de dez minutos sem dizer muita coisa, e quando o fazem, sinto que soa um pouco artificial. 

“Geronimo” quando ouvi essa música pelo primeira vez, os seus primeiros segundos me fizeram pensar que eu estava ouvi algum dos primeiros discos do Red Hot Chilli Peppers. De vibração funk e vocais calmos até chegar no refrão quando a uma crescente na instrumentação. Possui alguns padrões rítmicos muito agradáveis e complicados, mas novamente sem perder a linha acessível. Particularmente eu me cativei bastante com essa música. 

“You Are Not Alone” é uma balada que foi escrita por Casey sobre o furacão que atingiu a sua cidade natal, Austin no Texas. Um tema forte, mas será que a banda consegue transmitir isso? De certa forma soa com boa sinceridade. Porem, se você procurar alguma coisa de progressivo aqui, certamente irá sair um tanto desapontado. Os vocais de Casey estão muito bem conectados com os demais instrumentos. No fim das contas, uma música muito melhor do que eu achei que seria quando ouvi o seu começo pela primeira vez. 

“Love Letter” é a última da trilogia de faixas mais curtas do disco. Soa bastante feliz. Eu confesso que não consegui entender muito bem o que eles estavam tentando fazer aqui, às vezes penso que queriam soar como os Beach Boys, mas se for realmente isso, tenho que dizer que falharam miseravelmente. Outro bom exemplo, alguém aí já ouviu falar na The Turtles? Então, escutem a faixa “Happy Together” e tirem suas próprias conclusões. 

“Crawl” é a última faixa do disco e também a mais longa, ultrapassando os onze minutos. Começa apenas com piano e voz. Conforme a música vai se desenvolvendo um pouco, vai aparecendo com leveza a sonoridade pop sinfônica característica do grupo. O intervalo instrumental da música tem um estilo meio asiático, progressivo, mas ainda assim previsível, através de um monte de notas rápidas de guitarra. Quando tudo se acalma e os vocais voltam, passa até uma boa sensação. Mas resumindo a sensação geral da música, pra uma faixa algo de onze minutos. 

No fim das contas, o que a banda entrega aquilo que ela parece ter sido criada pra fazer, ou seja, uma música progressivamente leve e bastante acessível. Eu não tenho problema algum com isso e não acho que a música deva ser intrincada e cheia de exuberância pra poder funcionar, mas o que ocorre é que aqui a maioria das faixas não parece inspirada, pegando somente um padrão de fórmula extremamente comum e regurgitando-o em mais uma banda pop progressiva sem atrativos novos. O disco começa com duas das suas duas melhores músicas – junto de “Geronimo”-, depois o disco simplesmente passa um sentimento de igualdade nas demais. Na primeira audição, até posso dizer que o disco soa muito bem, mas depois, conforme mais eu fui ouvindo, mais eu fiquei menos entusiasmado. Voltando para a ideia lá no primeiro paragrafo, eu acho que a banda novamente se manteve na zona de conforto, porém, este disco é o menos atrativo dos três e não tem como ter a mesma nota.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Third Degree

Álbum disponível na discografia de: Flying Colors

Ano: 2019

Tipo: CD/LP

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