Resenha

Live At Carnegie Hall

Álbum de Renaissance

1976

CD/LP ao Vivo

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

29/05/2020



Certamente um dos melhores álbuns ao vivo entre os já feitos

Você que gosta de Renaissance, como descreveria a música da banda para alguém que nunca a ouviu? Acho que muito melhor do que tentar buscar palavras, é falar para que a pessoa ouça o disco Live At Carnegie Hall, pois enquanto que algumas bandas são melhores em estúdio e outras em shows, Renaissance consegue ser impressionante nas duas situações. Todas as faixas foram perfeitamente selecionadas – o que não era difícil, já que nessa época a banda não tinha música fraca – quase como se este álbum fosse uma espécie de “best of” da banda. Todas as faixas parecem ter o mesmo espírito e atmosfera das suas versões originais, com a vantagem de ter um público estarrecido com tamanha grandeza do desempenho da banda. 

Já disse algumas vezes, mas volto a afirmar, Renaissance é talvez a mais sinfônica das bandas progressivas, possuindo uma evidência popular e clássica que dificilmente pode ser comparado a outro grupo progressivo. A maioria das pessoas – onde já cheguei a me incluir um tempo – acredita que a Annie Haslam é 90% da banda, bom, claro que ela é importante, mas pensando assim eu estaria desvalorizando os impressionantes teclados de John Tout, além dos seus incríveis solos de piano. A guitarra eficiente de Michael Dunford – que é melhor que em estúdio -, a bateria precisa de Terrence Sullivan, além do baixo potente de Jon Camp. Uma banda completa que representa o exemplo perfeito do que significa progressivo sinfônico. 

Voltando a Annie, acho que não há muito a dizer sobre a sua voz e que nunca deve ter sido dito antes. Ela é sem dúvida uma das melhores vozes femininas não somente do rock progressivo, mas de todos os gêneros. Bem educada, doce e encantadora. 

“Prologue” é a faixa que abre o disco de maneira perfeita através de um piano surpreendente, cheio de força e com um excelente apoio da bateria e dos coros de Annie, totalmente diferente da maioria das faixas da banda, mas ao mesmo tempo mostra o quanto a banda é boa e versátil. “Ocean Gypsy” é uma balada belíssima, onde a voz de Annie é obviamente o centro das atenções, mesmo quando resto da banda, junto da Orquestra Filarmônica de Nova York aprimoram a música. A principal atenção do ouvinte sempre estará voltada para interpretação suave e doce de Annie. 

“Can You Understand” é outra música que posso agracia-la com o status de perfeita. Começa com o piano de Tout que depois é seguido perfeitamente por toda banda, com um destaque maior para o baixo de Camp que acrescenta muita força à faixa. Essa introdução forte dura cerca de três minutos, quando a música então fica mais suave, abrindo caminho para entrada da voz de Annie, um contraste muito legal entre a introdução poderosa e elétrica e o humor acústico oxigenado pela doçura da voz de Annie. Ainda há uma mudança de humor novamente, criando agora uma atmosfera oriental, que leva a outra seção vocal, mas o melhor mesmo está na parte final, outra passagem frenética com toda a banda e orquestra dando 110% deles. São cerca de dez minutos de um rock progressivo simplesmente incrível. 

“Mother Russia” é mais um dos destaques do disco, uma faixa que representa muito bem muito dos aspectos daquele país, incluindo a grandeza de seus monumentos e edifícios como, por exemplo, Kremlin, até a tristeza da sua geografia e climas nada fáceis. Mas novamente a grande conquista da banda é a sua versatilidade para mudar estilos e influências, mudanças que ao vivo são mais impressionantes. 

Existiria coerência em uma resenha sobre esse disco, mas que não cita “Song Of Scheherazade”? Claro que não, né? Este talvez seja o épico mais famoso baseado em As Mil e Uma Noites. Esta musica é arrepiante, está cheia de mudanças de andamentos. Passagens orquestrais e seções vocais masculinas e femininas que aparecem uma após a outra e nos dá uma sensação de estarmos ouvindo um musical. Às vezes e obviamente é possível notar uma atmosfera árabe, que é executada de forma tão realista que encaixa perfeitamente com a história e as letras. Certamente a melhor música da banda e o seu projeto mais ambicioso. Tudo funciona de uma maneira simplesmente perfeita. 

A ideia era falar apenas os destaques do disco, mas acabou que falei sobre quase o álbum todo – quase que de fato falo é cada música mesmo -, mas é que é difícil deixar de mencionar algumas das faixas. 

Depois de ouvir um disco deste, a sensação é quase de revolta em não ver uma banda como a Renaissance receber o reconhecimento que de fato merece. Live At Carnegie Hall é uma verdadeira obra-prima e que todo fã de rock progressivo deveria ouvir pelo menos uma vez na semana. Certamente um dos melhores álbuns ao vivo já feitos.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Live At Carnegie Hall

Álbum disponível na discografia de: Renaissance

Ano: 1976

Tipo: CD/LP ao Vivo

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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