Resenha

Doomsday Afternoon

Álbum de Phideaux

2007

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

09/05/2020



Maravilhosas composições, performances e conteúdo lírico

Phideaux é uma banda que sabe como poucas não soar complexa, mas ao mesmo tempo, extremamente rica em texturas que são desenhadas em traços feitos não apenas por instrumentos já tradicionais em qualquer banda, mas também auxiliados, por exemplo, por metais, trompa e flauta, criando sempre melodias excelentes e uma orquestração memorável. Doomsday Afternoon é tão fácil que você pode colocar seu cérebro em "stand by" e não perderá muito. O clima é descontraído, mas a música é de uma qualidade fora de série. O disco é dividido em dois atos, tendo cinco músicas em cada um deles. 

Ato I:

"Micro Softdeathstar" dá início ao disco em uma atmosfera de algum disco do Pink Floyd, através de vocais suaves e um piano sereno, mas logo seguidos por vocais mais pesados. O violino é simplesmente de cortar o coração, principalmente quando se junta a vocais femininos e requintados. Os floreios das cordas e todas as invertidas da banda nessa música mostra uma imponência incrível, pois proporciona à faixa uma grandeza ornamental o tempo todo. Uma música simplesmente sensacional. 

“The Doctrine of Eternal Ice (Part One)” logo de cara dá uma sensação de algo circense, mas não pelas notas em si, mas pelas batidas. Essa música possui acordes estrondosos com baixo bastante elevado – principalmente no inicio – e um soberbo trabalho de piano. Há uma explosão de sintetizadores que é sensacional. A orquestração novamente é maravilhosa. 

“Candybrain” começa com um tema bastante ameaçador, violão, órgão e flauta adicionam uma grande e excelente variedade de texturas. Apesar dos vocais serem excelentes aqui, não tem como não dizer que os destaques ficam novamente por conta dos arranjos quase de tirar o fôlego, adentrando em uma atmosfera quase celta. 

“Crumble” é composta por um piano em notas belíssimas acompanhado por um coro de vozes suaves e que dão um brilho enorme na composição. 

The Doctrine of Eternal Ice (Part Two)”, piano elétrico e melancólico unido a um vocal bastante suave e um pouco de sintetizador, são alguns dos principais ingredientes desta segunda parte, à medida que alguns temas já conhecidos vão retornando. Os vocais femininos são adoráveis e de muita delicadeza como sempre. Às vezes é o sintetizador que assume a liderança da música. 

Ato II:

"Thank You For The Evil" começa com uma bateria pesada, logo acompanhada por um baixo e violão que vão desenhando um caminho de atmosfera ameaçador na faixa. Nesta música também podemos notar elementos de Pink Floyd, principalmente na maneira sombria de criar a instrumentação. Se eu falar que esta é a música do álbum que menos gosto, o que vocês poderiam pensar? Que é uma faixa fraca, creio, mas acontece que mesmo este sendo pra mim o momento de menos inspiração do disco, ainda assim eu o adoro. O nível do disco é tão alto que até o seu “pior momento” tem brilhantismo. 

“A Wasteland Of Memories” começa a fluir exatamente a partir da orquestração deixada pela faixa anterior. Essa música possui uma abertura exuberante e magnifica, seguindo com alguns vocais teatrais que já haviam sido cantados em "Micro Softdeathstar", assim como a melodia que também é uma nova aparição da já executada também na faixa citada. 

“Crumble” como pode ser visto, possui o mesmo nome da terceira faixa do álbum, aqui o ouvinte é apresentado a uma espécie de revisão fantasmagórica da faixa anterior, com a diferença que aqui ela possui letras e um vocal que segue elegantemente a melodia. 

“Formaldehyde” não espera nenhum pouco pra impressionar, e já o faz nos seus primeiros segundos através de uma instrumentação perfeita, que vão desde o violão à flauta. O sintetizador floresce em tiros constantes e acertando em cheio. Na entrada do violino eu digo que é a hora de fechar os olhos pra ao menos tentar conseguir absorver tudo que está sendo feito. Os vocais como sempre não decepcionam em nada, movendo-se em uma variável de passagens altas e outras de pura suavidade. Solo de órgão e sintetizadores, podemos dizer que são os ingredientes finais de uma mistura perfeita. 

“Microdeath Softstar” possui vocais novamente delicados e um órgão que parece que distante, mas que brilha, tocando temas que já foram apresentados no disco, até que a bateria a uma instrumentação mais completa entra na música. A utilização de cordas nessa música é uma coisa linda de ouvir. No geral, um final de disco que não poderia ser melhor, deixando o ouvinte com aquela vontade de ouvir de novo, afinal, motivos não falta pra isso. 

Um disco que é excelente já na primeira audição, mas parece se revelar como uma obra mais grandiosa a cada vez que nos permitimos ser atingido com a sua música. Fenomenal, orquestração exuberante, harmonias lindíssimas, sonoridades atmosféricas e psicodélicas desenvolvida com bastante classe. Tudo nesse disco está no lugar certo e não consigo apontar nem que seja uma falha.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Doomsday Afternoon

Álbum disponível na discografia de: Phideaux

Ano: 2007

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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