Resenha

It’s A Beautiful Day

Álbum de It's a Beautiful Day

1969

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

07/05/2020



Bom disco com vocais masculinos e femininos, com órgão e violino proeminentes

O disco autointitulado da It's a Beautiful Day, para a grande maioria também é o melhor disco da banda, além e ser indiscutivelmente o seu registro mais conhecido. Aqui, o som da banda é centrado principalmente no casal David e Linda LaFlamme, onde David tocava violino, flauta e liderava os vocais, enquanto que Linda desempenhava sua função tocando em diversos tipos de instrumentos de teclas. Pattie Santos era a outra garota na banda, bastante hippie, cantou em alguns momentos, além de tocar pandeiro e alguns instrumentos de percussão. Hal Wagenet fez um trabalho de guitarra bastante decente, enquanto que a seção rítmica ficou por conta de Mitchell Holman no baixo e Val Fuentes na bateria. 

“White Bird” inicia o disco com os seus pouco mais de seis minutos. Uma sonoridade bastante folk já desenha a canção, LaFlamme e Santos se complementam muito bem nos vocais. As linhas de guitarra parecem estar bem mais próximas de um som psicodélico do que o resto da banda. Se eu não estiver enganado, pelo menos na época, era essa a música pela qual a banda era mais conhecida. 

“A Hot Summer Day” mostra Santos em uma harmonização sonora como a que era feita pela The Mamas and the Pappas. LaFlamme e o resto da banda soa um pouco parecido com o início da carreira do Santana. Um daqueles sons que possui muitas das características encontradas em bandas da época. 

“Wasted Union Blues” começa com uma das introduções mais desarmônicas de sempre, confesso que incomoda um pouco, guitarra e violino em umas notas que beiram o insuportável e ainda ganham um vocal choroso de Santos ao fundo. Mas com o passar as coisas parecem ir pra uma direção melhor, principalmente a seção rítmica parece resolver tudo. Ainda assim, a música tem uma vibração quase bluegrass e veste muito a cara dos anos 60. 

“Girl With No Eyes” começa com um cravo delicado, uma mudança quase que extrema se comparado ao que foi mostrado na faixa anterior. LaFlamme e Santos parecem bem mais folk nessa música. A música é sobre uma garota chapada, e a sua construção nos dá muito bem essa ideia mesmo. Eu acho essa faixa belíssima. 

“Bombay Calling” faz com que o disco dê uma nova curva e proporcione novamente uma mudança abrupta de direção. Uma música pesada – para os padrões da banda – David alterna acordes menores muito longos em seu violino. É uma faixa instrumental de sonoridade intensa e pacífica. 

“Bulgaria” é mais um dos sons pesados – novamente deixando claro que pesado para o padrão da banda – com cravo e violino, mas não tem como deixar de mencionar que em alguns pontos os teclados são meio irritantes. Não sei se era a intenção, mas os vocais saíram como uma faixa de filme dos anos 50. Em algum lugar mais no núcleo, Linda muda o uso de teclas para o piano, que eu acho que não serviu pra mais nada, além do que tornar a faixa mais pop. Mas no fim é uma faixa muito boa e de espirito paz e amor. 

“Time is” é a maior faixa do disco e que finaliza a obra. A música parece ganhar novamente o seu fôlego aparentemente perdido, afinal, a faixa se move em um ritmo muito agradável e mais empolgante do que nas duas faixas que a precedem. Órgão, piano, seção rítmica muito boa, tudo soa bastante lisérgico e com a cara da psicodelia do final dos anos sessenta. 

No fim das contas, este é um disco agradável, bom de ouvir de vez em quando. Encontramos vocais masculinos e femininos com órgão e violino proeminentes, mas no geral todos os instrumentos se desenvolvem bem e são bastante nítidos. Não é sempre que uma sonoridade hippie captura o meu coração, digamos assim, então aqui não houve exatamente um grande amor, mas não tem como classificar um disco deste como algo inferior a um bom trabalho.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

It’s A Beautiful Day

Álbum disponível na discografia de: It's a Beautiful Day

Ano: 1969

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3 - 1 voto

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