Resenha

The 1st Chapter

Álbum de Circus Maximus

2005

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

05/05/2020



Apesar dos excessos de déjà-vu, um bom disco

Minha primeira resenha sobre algum disco da Circus Maximus aqui no site vai me fazer lembrar lá do dia em que conheci e ouvi a banda – e esse disco – pela primeira vez. Antes de ouvi-lo, eu já havia sido doutrinado a achar que eles eram uma espécie de Dream Theater sem pedigree, digamos assim. Bom, discordo dos que me falaram isso, pois o som da banda pode até não ser nada novo ou original – e eu nem espero isso de bandas de metal progressivo – mas era muito bem tocado e a musicalidade era boa e isso já colocava o meu radar em alerta para prestar bem atenção no que aqueles caras estavam fazendo. Obviamente era nítido que eu estava diante de músicos que precisavam de um pouco mais de maturidade. O vocal é bom, não excelente, mas bom. As influências realmente eu colocaria Dream Theater, mas acrescentaria Symphony X e um pouco de Shadow Gallery. Se você costa de mudanças de andamento, eles tem o suficiente para divertir o ouvinte. A música apesar de técnica, também consegue ser bastante acessível, já consegue prender os ouvidos menos iniciados até mesmo na primeira audição.  

“Sin” é uma ótima faixa de abertura, um início de disco realmente explosivo - mas que nos seus primeiros segundos me lembrou de “This Dying Soul” do DT -. Não tem como não associar ao Dream Theater. Possui uma melodia meio árabe no começo que é muito boa. Rajadas de bateria em ritmos diferentes com uso de pedal duplo, guitarra pesada seguida por um solo muito bem feito, algo na linha do que John Petrucci faria. O refrão é bem agudo e eu gosto disso também. O disco começa muito bem. 

“Alive” é bem mais simples e mais comercial. Com nítidas influencias de power metal. Possui um refrão interessante e um bom teclado, principalmente na sua parte final. 

“Glory of the Empire” pode ser considerado um dos dois épicos do disco. Me fez liga-la quase que instantaneamente a “Accolade” do Symphony X. A introdução é excelente, silenciosa e plana através de um violão e teclados atmosféricos. Então que se torna mais pesada e entram os vocais. O coro é bastante melódico, o solo de guitarra é muito bom e bastante singular desta vez. Ainda que eu ache que no final os vocais pareçam estar meio deslocados da música, no geral é uma boa faixa. 

“Biosfear” é uma faixa instrumental que poderia ser descrita – e salvo exageros – como a “Dance Eternity” da Circus Maximus. Começa bastante rápida e pesada ao melhor estilo metal de bater cabeça. Muitas mudanças de andamentos e melodias e solos “tirados” das formas de criações do Dream Theater. A música é muito boa, mas ao mesmo tempo é muito Dream Theater, ainda que o solo principal esteja com uma influência mais em Romeo. Uma faixa de muita trituração instrumental, pra quem gosta é um prato cheio.

“Silence From Angels Above” é um tipo de música que uma hora ou outra sempre vai aparecer em um disco deste, ou seja, aquele momento acústico e mais silencioso. Acho esta uma música muito bonita e melódica. No final tem uma bateria eletrônica e eu considero que achei isso bastante surpreendente. Destaco também o vocal que é muito bom. 

“Why Am I Here” é certamente o pior momento do disco. Apesar de ter um começo promissor, pesado e cheio de vigor, acaba caindo em algo bastante cansativo, além de possuir um refrão que confesso que me dar nos nervos de tão chato. 

“The Prophecy” é mais uma música que começa de forma silenciosa e acústica. Então que de uma hora pra outra ela fica mais pesada, uma boa música – ao menos até o momento -, pois infelizmente ela mostra um refrão simples, comercial e bobo. Nunca entendi o porquê eles quiseram colocar em uma música que estava tão forte, um refrão tão fraco e infantil, isso acabou com certas partes da faixa. Mas justiça seja feita, também possui ótimos solos. 

“The 1st Chapter” é um épico de dezenove minutos e eu costumo depositar muita expectativa em obras deste porte. A introdução possui muitos teclados e me faz ter a impressão de conseguir ouvir até mesmo um violino lá pelo fundo - mas que deve ter sido feito pelo teclado mesmo. Esta parte certamente é a mais original de todo o disco. O problema é que não chega a durar muito e o restante basicamente são várias partes diferentes emendadas, e que nem sempre parecem se ligar com muita coerência - que um épico pede -, porém, com vocais muito bons. Como é habitual nos épicos, possui vários solos. A música em si termina mesmo um pouco antes, pois no fim fica por um determinado tempo um som de circo ou parque de diversões, sendo que em seguida há uma multidão aplaudindo.

No geral, se você é daquelas pessoas que estão sempre em busca de algo original, eu digo com todas as palavras que esse disco não é para você, mas se você quiser ouvir bons músicos tocando uma música pesada no estilo das principais bandas – Dream Theater em especial – de metal progressivo, pode ir sem medo. Apesar dos excessos de déjà-vu, um bom disco.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

The 1st Chapter

Álbum disponível na discografia de: Circus Maximus

Ano: 2005

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3 - 1 voto

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