Resenha

Corvus Stone

Álbum de Corvus Stone

2012

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

29/04/2020



Uma viagem musical fantástica e encantadora

Corvus é um projeto multinacional que surgiu mais ou menos na primavera – do hemisfério norte – de 2012, após ocorrer uma série de encontros casuais entre músicos nas redes sociais, sendo o Facebook a principal delas. Tudo começou a dar os primeiros passos coma ajuda da fã de música, Sonia Mota, e que também tinha em comum todos os músicos na sua rede amigos. 

O núcleo inicial deste projeto foi com Colin Tench, Petri Lemmy Lindström e Pasi Koivu, no entanto, com Colin Tench emprestando alguns trabalhos de guitarra para uma das composições de Pasi Koivu, a primeira ação que levou a uma série de reações que levaram Lindström a se envolver com trio e em algumas semanas finalizando repentinamente um punhado de composições por pura diversão. Foi nessa época que eles coletivamente perceberam que todos tinham um novo projeto de banda em andamento. Koivu é o tecladista principal compositor do trio. Lindström faz incursões ocasionais também nesses territórios e toca o baixo, enquanto que o guitarrista Tench – que também faz backing vocals - atende a produção e arranjos. Vale mencionar por último que a Sonia Mota, da qual eu falei no primeiro paragrafo, criou a arte na capa não apenas deste primeiro, mas também dos outros dois discos da banda. As faixas com vocais ficam por conta dos convidados Blake Carpenter e Stef Flaming.

Por mais que esteja descrito como rock progressivo, algo já deve ficar extremamente claro, ou seja, o disco não possui uma música particularmente complexa. É inegável que eles sabem muito bem o que querem fazer e se desenvolvem com muita eficácia em cima disso, apresentando referência de diferentes gêneros, incluindo o rock clássico com tempero psicodélico, blues. sinfônico e até mesmo uns toques étnicos, tudo sendo muito bem combinado em um pacote musical criado claramente por quem entende do assunto. 

“The Curtain Rises” é a faixa que dá início ao disco, uma introdução meio estranha na beia do que podemos enconrar em Pyramids do Alan Parsons, carrega um toque grego, também tem um ótimo violão e um instrumento que soa parecido com um bouzouki. 

“October Sad Song” mostra uma combinação de piano e guitarra que sempre achei bem na veia de Eric Clapton, criando com isso uma fusão de blues com pedaços folclóricos e que chamam bastante atenção. Uma faixa não menos do que impressionante, guitarras de certa forma agressiva aplicada sobre uma linha rítmica bastante melosa. 

“Ice King” é mais uma faixa muito bem elaborada e que possui uma mistura instrumental entre os três que é bastante cuidadosa e de bom gosto. Carrega uma atmosfera misteriosa, com algumas influências acústicas espanholas. Considero uma excelente fusão de sons e de gêneros. 

“Moron Season” essa música já fez com que eu prestasse atenção nela unicamente pelo seu nome peculiar, mas o próprio som da música faz com fiquemos presos. Frenética e com um hammond quase psicodélico, inclusive há uma referência a Deep Purple, quando eles tocam parte da introdução da clássica “Smoke on the Water”, na verdade eu chamaria de homenagem. 

“Cinema” é uma música que deixaria qualquer crítica sobre esse álbum incompleta se não for mencionada. É o épico do disco com o seus quase onze minutos, e que possui tudo que um ouvinte exigente pode pedir, desde um incrível trabalho de guitarra até sutis bateria e teclados de atmosferas oníricas, uma espécie de som espacial, mas orientado para o blues e psicodelia. Realmente uma faixa extraordinária e bastante viajante, porém, sem perder a lucidez, tudo se desenvolve com muita coerência. 

No geral, o clima encontrado nessas faixas citadas é proeminente durante todo o disco, rico em uma grande fusão de estilos e gêneros, mas ainda assim, podem existir algumas faixas mais difíceis, digamos assim. “With Space Rock” e alguns elementos frenéticos de da música psicodélica, assim como a deslumbrante, “After Solstice” que apesar de inicialmente não parecer, trata-se de um som bastante divertido – deixando claro, ao menos pra mim, foram necessárias algumas audições pra entender. 

No final das contas, temos um disco de vinte e uma músicas, além de quase oitenta minutos, tempo limite de capacidade de um CD. Mas isso não é um problema, pois eles sabem soar sempre interessantes, sendo que após ouvir o álbum inteiro, ele pode ser ouvido facilmente em seguida e sem interrupção, pois se apresentará como novo, fresco e excelente novamente. Uma viagem musical fantástica e encantadora.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Corvus Stone

Álbum disponível na discografia de: Corvus Stone

Ano: 2012

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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