Resenha

Duke

Álbum de Genesis

1980

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

28/04/2020



O canto do cisne no universo progressivo do Genesis!

No inicio de 1979, o Genesis, que na época era formado apenas por Phil Collins (Bateria e vocal principal), Tony Phillips (teclados e vocais) e Mike Rutherford (Guitarras, baixos e vocais), resolveram dar um tempo no grupo. A decisão foi tomada principalmente pela mudança de Phil para o Canadá na tentativa de salvar seu casamento.

Tony então gravou seu primeiro disco solo, ‘A Curious Feeling”, Mike Rutherford também fez sua estreia com o excelente “Smallcreep´s Day”. Enquanto isso, Phil retornava ao Reino Unido após o fim de seu primeiro casamento e na sua casa em Shalford Surrey, começou a compor uma quantidade incessante de canções dos mais variados estilos, tocando a maioria dos instrumentos;

Banks e Rutherford decidem então morar temporariamente com Phil para começar a ensaiar e compor as canções do próximo álbum. Ficou acertado que cada um deles contribuiria com duas canções de sua autoria cobrindo metade do disco. As outras canções seriam trabalhadas em estúdio pelo trio.

A sonoridade apresentada é bem diversa, variando entre o pop descartável e bem trabalhado, como acontece em "Duchess”  e Turn it On Again, este ultimo, um dos maiores sucessos do grupo, tendo sido single deste disco;  baladas belíssimas bem construídas, como é o caso de "Heathaze e "Alone Tonight", calcadas no piano melódico de Banks e na voz passional de Collins. Não é exagero que ambas podem ser consideradas as baladas mais bonitas e bem estruturadas pelo grupo, com um pezinho no progressivo e sem soar demasiadamente clichê, embora eu acredite que esta ultima poderia figurar em qualquer disco solo de Collins. Curiosamente, nenhum dos dois temas é de autoria de Phil, sendo o primeiro da lavra do tecladista Banks e o segundo composto por Rutherford;

 O progressivo de outrora é deixado para o final do álbum com a dupla "Duke's Travels" e "Duke's End", que juntas, formam uma pequena suíte de aproximadamente dez minutos, que foi enxugada pelo trio, pois inicialmente teria em média trinta minutos de duração. Aqui pode se escutar tudo que o fã antigo mais gosta: a Bateria demolidora de Phil dando sustentação para as camadas de teclados produzidas por Banks, que conduz o tema com maestria, amparados pelo baixo potente de Rutherford que ainda utiliza boas incursões de uma guitarra progressiva e pungente;

Ainda vale destacar “Misunderstanding”, um pop arrastado de Phil que foi lançado como terceiro single do álbum. Sua letra fala de mal entendido dentro de um relacionamento amoroso. Embora a canção não traga resquícios do passado progressivo do grupo, eu realmente aprecio a canção e forma como Phil a interpreta.

“Duke” apresenta uma mistura homogenia de todos os estilos praticados pelo grupo até então, tendo Mike Rutherford definido como “um álbum muito equilibrado”.

O disco chegou às lojas em março de 1980, conseguindo o primeiro lugar nas paradas britânicas por duas semanas e décimo primeiro na Billboard inglesa, inserindo o Genesis definitivamente no panteão das bandas de musica pop. Apesar do esmero nas estruturas das canções.

Porém o grupo não se contentou com o equilíbrio conseguido neste disco, deixando definitivamente de lado todo o cuidado utilizado na sua concepção e mergulhando de cabeça no pop repleto de bateria eletrônica, sintetizadores polifônicos e poucas guitarras como poderia ser visto no disco seguinte o pavoroso “ABACAB”

Em tempo: Há um show completo da turnê deste disco gravado no Lyceum Theatre em Londres, onde é possível conferir o grupo mostrando canções ao vivo do álbum dentre outros sucessos.



Nota: As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor



Comentários

Faça login para comentar

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.

Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito, aberto e democrático para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.



Sobre Márcio Chagas

Nível: Colaborador Sênior

Membro desde: 14/04/2018

Veja mais algumas de suas publicações:

  • Image

    ResenhaQueensryche - American Soldier (2009)

    19/04/2020

  • Image

    ResenhaYes - Fragile (1971)

    10/06/2019

  • Image

    ResenhaStanley Clarke - If This Bass Could Only Talk (1988)

    31/01/2021

  • Image

    ResenhaAquarela Carioca - Contos (1991)

    21/02/2022

  • Image

    ResenhaPat Metheny - American Garage (1979)

    10/05/2019

  • Image

    ResenhaJorge Pescara - Grooves In The Eden (2018)

    27/04/2019

  • Image

    ResenhaMahavishnu Orchestra - Birds Of Fire (1973)

    12/07/2019

  • Image

    ResenhaGenesis - Wind & Wuthering (1976)

    21/04/2020

  • Image

    Artigo10 Melhores álbuns lançados em 2021

    25/12/2021

  • Image

    ResenhaMarty Friedman - Dragon's Kiss (1988)

    20/02/2021

Visitar a página completa de Márcio Chagas



Sobre o álbum

Duke

Álbum disponível na discografia de: Genesis

Ano: 1980

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,95 - 11 votos

Avalie

Você conhece esse álbum? Que tal dar a sua nota?

Faça login para avaliar

Veja mais opiniões sobre Duke:

  • 30
    jul, 2021

    Grandioso

    User Photo Fábio Arthur
  • 28
    out, 2019

    Mais um passo rumo ao rompimento com o passado

    User Photo Tiago Meneses
  • 09
    abr, 2018

    Caindo de boca no pop

    User Photo Roberto Rillo Bíscaro

Visitar a página completa de Duke



Continue Navegando

Através do menu, busque por álbums, livros, séries/filmes, artistas, resenhas, artigos e entrevistas.

Veja as categorias, os nossos parceiros e acesse a área de ajuda para saber mais sobre como se tornar um colaborador voluntário do 80 Minutos.

Busque por conteúdo também na busca avançada.