Resenha

Pompeii

Álbum de Triumvirat

1977

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

28/04/2020



Disco com boas ideias de Fritz, mas sem a ajuda necessária para desenvolvê-las

Quando falamos de Triumvirat, sempre falamos também do quanto que eles são subestimados e que muitos os achavam tão e somente uma imitação de baixo custo do Emerson, Lake & Palmer, então não vamos entrar muito nessa parte - que considero uma grande bobagem - e pular pra próxima. 

Após o grande sucesso comercial que a banda atingiu através de Illusions On A Double Dimple e Spartacus, eles lançaram o disco Old Love Dies Hard, que já demonstrava uma banda com uma força inferior do que a apresentada nos discos anteriores, mas desta vez, a banda havia contratado dois novos músicos, Dick Frangenberg para o baixo e Barry Palmer como vocalista devido ao problema de Jürgen com seu forte sotaque alemão, mas após esse lançamento, Köllen e Bathelt deixam o Triumvirat, deixando Fritz como o único membro original do grande trio.

Convenhamos que ninguém gostaria de se aposentar no auge de sua carreira, então com Jürgen Fritz não seria diferente. O músico fez uma ligeira mudança no nome da banda, o mudando para New Triumvirat, e obviamente permaneceu como único membro original, convidando para completar o time com Dieter Petereit no baixo, Curt Cress para a bateria e manteve Barry Palmer nos vocais. 

Com a sua formação consolidada, a New Triumvirat entraria em estúdio para lançar mais um disco conceitual e que o tema está estampado claramente no próprio título do álbum, ou seja, um disco sobre o cataclismo natural e a explosão vulcânica em Pompéia. Um ótimo conceito, nas mãos de uma grande banda tinha tudo pra dar certo, mas infelizmente não foi exatamente isso que aconteceu, e a desilusão ao escutar esse disco pela primeira vez, lembro que foi algo inevitável. 

“The Earthquake 62 A.D” mostra de fato um começo de disco bastante animador. É criada uma atmosfera muito semelhante das encontradas em Spartacus, grandes mudanças de andamento, solos de teclado bastante forte e que é capaz de fazer o ouvinte acreditar que Pompei poderia ser um disco espetacular, mas infelizmente, quando a música termina, também termina essa sensação e nos é dado um choque de realidade. 

Não vou passear por todas as faixas, mas é bom deixar claro que o destaque do disco está realmente na sua primeira – apesar de outros momentos à frente também serem legais. Fica bastante claro, à primeira audição, que a música quase não tem relação com o conceito, os arranjos sem Köllen e Bathelt ficam nitidamente carentes de boas ideias, digo, ideias que esperamos em uma banda desse nível, Fritz parece sobrecarregado na criação. Barry Palmer por muitas vezes soa como uma espécie de Sting piorado, até me fez sentir falta do sotaque alemão de Jürgen. 

Eu disse que não falaria de nenhuma faixa em especial, mas falar de mais uma, da segunda em especial, “Journey Of A Fallen Angel”, pois ela sintetiza o que acontece durante a maior parte do álbum, ou seja, Fritz tem boas ideias, mas não tem a ajuda necessária para desenvolvê-las, o resto da banda não apenas parece perdida, como não parecem fazer a mínima ideia para onde tem que ir. 

Mas serei honesto, devo admitir que nem tudo é ruim, as habilidades de Fritz como compositor ainda estão presentes - e mais visíveis - em momentos do álbum como “Viva Pompeii”, “The Rich Man and the Carpenter” e “Dance On the Volcano”, possuem uma ótima sonoridade, do tipo que melhoraria e muito o disco caso fosse ao menos assim o tempo inteiro, mas infelizmente só acontece mesmo em alguns momentos. Acho que no geral, esse disco pode ser mediano, principalmente pelos esforços de Fritz, pois se não fosse por isso, as coisas poderiam ter sido bem piores e sequer teríamos os seus poucos bons momentos.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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Sobre o álbum

Pompeii

Álbum disponível na discografia de: Triumvirat

Ano: 1977

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,25 - 4 votos

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