Resenha

Wind & Wuthering

Álbum de Genesis

1976

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

21/04/2020



O fim da era Hackett!

O Genesis passava por uma grande superação no ano de 1976. O grupo havia perdido Peter Gabriel, seu vocalista principal e havia lançando em fevereiro daquele ano “A Trick Of The Tail’, seu primeiro trabalho tendo o baterista Phil Collins a frente dos vocais. 

Devido à boa recepção de álbum anterior, o grupo resolveu ainda naquele ano lançar seu sucessor. Então pela primeira vez a banda resolveu gravar fora do Reino Unido, se mudando temporariamente para Hilvarenbeek na Holanda, a fim de trocarem ideias de novas composições e posteriormente iniciarem as gravações que durariam em média 60 dias. Para ajudar na produção, trouxeram novamente David Hentschel que havia trabalhado com o grupo no disco anterior.

Durante as gravações as primeiras rusgas apareceram dentro da banda: Mike Rutherford e Tony Banks concordaram que deveriam fazer um álbum mais acessível, com canções que não fossem inspiradas em fantasia como já haviam feito demasiadamente. Tentaram então optar por musicas mais simples e diretas, fato que desagradou bastante o guitarrista Steve Hackett, que se recusava a escrever canções mais curtas e simples. 

Deste modo, o musico se sentiu preterido em relação aos demais membros da banda por ter suas ideias recusadas, principalmente em relação a Tony Banks, uma vez que o tecladista conseguiu aprovação de seis músicas em um total de nove presentes no novo disco.

A sonoridade apresentada sugere uma mistura entre o progressivo trovador e canções mais diretas e pop, como se o grupo quisesse desmistificar seu passado com o vocalista Gabriel e buscasse um futuro mais promissor e porque não dizer atual.

"Eleventh Earl of Mar" abre o álbum amparada pela guitarra progressiva de Hackett e sustentada pelas camadas de teclados de Banks. Más é notório que o prog apresentado aqui é mais dinâmico e menos arrastado. A letra foi escrita por Rutherford com música de Hackett;

A faixa seguinte "One for the Vine" é a maior em duração no álbum com mais de dez minutos. Em termos de sonoridade é a mais parecida com os trabalhos antigos do grupo, embora Collins tenha dado uma entonação de balada em algumas partes. Banks a escreveu durante as sessões do álbum anterior e veio retrabalhando a peça até ficar do jeito que esperava, com muitas variações rítmicas e mudanças de andamento;

Mike Rutherford escreveu sozinho a balada romântica "Your Own Special Way”, mostrando que a faceta pop do grupo não se limitava a Phil Collins. A canção obviamente foi o single do álbum;

A instrumental "Wot Gorilla?" é um tema dinâmico, com ares jazzísticos e foi composta por Banks e Collins. Este ultimo havia recém integrado o combo de jazz rock Brand X, e estava entusiasmado com o fusion;

A seguir temos “All in a Mouse's Night", outra composição solo de Banks que se inspirou no desenho de Tom e Jerry. Musicalmente é um tema completamente calcado no teclados tendo como destaque a interpretação de Collins. Hackett aparece no final, com um solo melódico e cativante;

"Blood on the Rooftops" é meu tema favorito do álbum. Uma balada composto por Phil e Steve com sua letra politizada, algo raro nas canções do grupo. Ela se inicia com um violão pastoral de Hackett e vai evoluindo musicalmente até seu refrão muito forte: “Sangue nos telhados / Veneza na primavera /  Quando ficávamos entediados, /  nós fazíamos uma guerra mundial. Felizes, porém pobres  / Então  Vamos  Esquecer  as notícias, rapaz   / (Eu vou fazer um pouco de chá)”

Temos então “Unquiet Slumbers for the Sleepers.../...In That Quiet Earth”, que são duas peça instrumentais mais curtas e intimamente interligadas. Ambas tem Hackett como principal compositor com ajuda de eventuais colegas de grupo. O primeiro tema é atmosférico, como um prelúdio de filme de suspense. A segunda parte é bem parecida com temas desenvolvidos pelo guitarrista em sua carreira solo, ou seja: Guitarra melódica a frente como fio condutor do tema, amparada pelo contrabaixo preciso e camas de teclados ao fundo;

“Afterglow” encerra o álbum. É outra composição do tecladista Banks, uma balada, segundo ele escrita de maneira quase instantânea. Foi um tema importante para o grupo, esteve presente em quase todas as turnês realizadas e indicada as próximas direções musicais a serem tomadas pela banda; 

“Wind & Wuthering” foi lançado em dezembro de 1976, recebeu criticas positivas da imprensa e do público. Durante a turnê que culminaria na gravação do antológico “Seconds Out”, o grupo viu sua base de fãs crescerem exponencialmente em todo mundo, inclusive no Brasil por onde passou e nos EUA, onde tocaram pela primeira vez no Madison Square Garden em Nova York.

A banda ainda estreou um display de iluminação de alta tecnologia e contratou uma equipe muito maior, incluindo guarda costas para todos os membros do grupo. Chester Thompson foi contratado para substituir Bill Bruford e acompanhar o grupo ao vivo iniciando uma parceria que perduraria por décadas;

Mas nem todas essas vitórias conseguiram segurar Steve Hackett. O guitarrista havia começado uma bem sucedida carreira solo e se sentia desprestigiado dentro do grupo, que segundo ele, não valorizavam suas composições. Assim sendo, o músico resolve deixar o Genesis durante a mixagem de “Seconds Out”, encerrando a era de outro de uma das maiores bandas de rock progressivo de todos os tempos.


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Sobre o álbum

Wind & Wuthering

Álbum disponível na discografia de: Genesis

Ano: 1976

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,37 - 15 votos

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