Resenha

The Aerosol Grey Machine

Álbum de Van Der Graaf Generator

1969

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

21/04/2020



Um interessante embrião do que a banda seria a partir do próximo disco

Eu relutei o quanto pude em escrever uma resenha sobre o The Aerosol Gray Machine, álbum de estreia da Van der Graaf Generator. Como ocorre com várias bandas que viria a gravar futuras obras-primas, o início não foi exatamente de grande inspiração. Isso quer dizer que o disco é ruim? Negativo, apenas menos inspirado. 

Uma boa comparação aqui seria com o, From Genesis to Revelation, primeiro disco do Genesis, pois também possui muitos elementos dos anos sessenta e não parece nenhum pouco com o que eles viriam a fazer depois. A produção também é bem na veia dos anos sessenta. Mas como é de se esperar, o som da Van der Graaf Generator soa um pouco mais sombria que as outras bandas do período. 

Tem uma história por trás desse álbum que eu não sei exatamente se é verdade, mas dizem que Peter Hammill assinou sozinho um contrato com a gravadora Mercury, porém, os outros membros da banda não concordaram com os termos do contrato e se recusaram a assinar. Eles se separaram, apesar de já terem se apresentado no Albert Hall como um show de abertura para o Jimi Hendrix e no Marquee Club como uma abertura para o Yes, isso sem ter gravado nada. No meio disso tudo, Peter estava sozinho e pronto para o lançamento de um disco solo, mas o problema é que a música não era de um artista solo, portanto, ele precisava de músicos adicionais e pediu aos amigos da Van der Graaf Generator que o ajudassem. A Mercury liberou dois dias para que eles gravassem o álbum, ensaios, gravação e mixagem, tudo em somente dois dias. Seu empresário, Strat, negociou com a Mercury, falando que eles lançariam o álbum nos Estados Unidos, mas sob o nome de Van der Graaf Generator e não de Peter Hammill. Nesse caso, Hammill poderia se livrar de seu contrato com a gravadora. É por isso que o lançamento europeu ficou disponível apenas mais tarde.

“Afterwards” tem como base os trabalhos de teclas de Banton, junto de uma leve guitarra e ótima interpretação de Hammill. A melodia dessa música é belíssima e possui um solo de piano no meio que é maravilhoso. Um começo de álbum excelente. 

“Orthenthian St. (Part I)” e “Orthenthian St. (Part II), o violão começa a música suavemente, uma coisa interessante é que apesar do violão em muitos casos ser protagonista, ele não soa folk como se pode esperar em uma banda que tenha esse tipo de linha na época. A primeira parte é mais fácil de ser assimilada, digamos assim, a segunda parte é violão, voz e teclado na sua introdução, mas apenas engana, pois tem uma sequência bastante caótica. A voz de Hammill é muito bem vinda. 

“Running Back” é uma música bastante psicodélica e que chega a um bom resultado. Cheia de clima e paisagem meio árabe. Uma faixa bastante viajante. “Into a Game” possui um violão muito bom, um ótimo clima e melodia interessante. Provavelmente o destaque do disco, instrumental atípico e vale ressaltar também a boa linha de piano que faz toda uma diferença. 

“Aerosol Gray Machine” tem menos de um minuto e certamente se trata do momento mais divertido do disco. “Black Smoke Yen” é mais uma faixa bastante curta com quase um minuto e vinte segundos. Tem umas boas ideias ao piano e boa bateria que dita o ritmo basicamente da mesma maneira do começo ao fim, terminando com um violão que serve como gancho para o início da próxima faixa. 

“Aquarian” é a faixa mais longa do disco com quase oito minutos e meio. Meio psicodélica, possui um violão base e uma guitarra de fundo fazendo pinceladas de solo quase que o tempo todo. Os vocais são muito bons e o refrão é um dos mais emocionantes de todo o catálogo da banda. De certa forma faz o ouvinte lembrar um pouco de David Bowie em sua fase Space Oditty. 

“Necromancer” é uma faixa bastante obscura e profunda, mas que ainda assim consegue entregar ao ouvinte coros melódicos. Com um trabalho vocal excelente, principalmente na segunda metade, a música parece estar sempre em uma crescente e se projetando para algo grandioso. 

“Octopus” tem um começo que certamente foi influenciado por “Astronomy Domine” do Pink Floyd. Novamente é bastante psicodélica e cheia de mudanças, além de alguns barulhos e uns sons bem loucos. Um final de disco bastante interessante. 

No fim das contas o único problema, digamos assim, de Aerosol Gray Machine é o fato de não possuir um momento memorável e que seriam encontrados em vários dos seus discos seguintes. O álbum acaba sendo muito bom, mas não mais que isso. De qualquer forma se trata de um interessante embrião do que a banda seria a partir o próximo disco.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

The Aerosol Grey Machine

Álbum disponível na discografia de: Van Der Graaf Generator

Ano: 1969

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,33 - 3 votos

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