Resenha

Forbidden

Álbum de Black Sabbath

1995

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

19/04/2020



A saideira de Tony Martin

Forbidden é controverso e odiado pela maioria dos sabbathicos. Na maior parte dos casos, tido como o pior disco deles. A questão é que a propaganda boca a boca é um alçapão nesses casos, de gente que ouviu uma ou duas canções e entrou no embalo de difamar o que se quer conheceu a fundo.
Não consigo achar explicação para tanta repulsa, mas, se até o criador Tony Iommi, rejeita a criatura, é porque algo não funcionou. Relembre um trecho da entrevista dada a revista Classic Rock :
"No fim da década de 80, o Sabbath fez músicas que considero boas, incluindo 'The Eternal Idol' e 'Headless Cross', mas 'Forbidden' realmente é uma merda".

Quem sabe o que ocorreu de verdade né? Muito se conta sobre a produção e gravação "colada" em estúdio, com cada músico em uma cidade diferente gravando suas partes, o que para muitos foge totalmente de qualquer sinergia e esfria as possibilidades de arrumar algo em conjunto. De verdade? não consigo sentir a falta de nada, continuo saboreando-o como há 25 anos, classificando-o como um dos mais legais dessa fase, mesmo com todos os erros e porções medianas.

Ernie C pode não ser o cara certo para produzir o Sabbath, e ser guitarrista do Body Count rebateu para alguns a novidade que The Illusion Of Power trouxe, como trechos de rap. O que é uma heresia em álbum do Sabbath. Pois bem, tiramos a parte afetada pelos vocais do rapper Ice T e o som continua a ser um tipico metal arrastado, é só questão de não ser ranzinza e levar na boa.
Dessa forma, Forbidden conta com o retorno da formação "Tyr", de Cozy Powell na bateria e Neil Murray assumindo as funções do baixo.

Prosseguimos assim com a poderosa e viciante Get a Grip, a meu ver, a expressão máxima de Forbidden. Como odiar um disco que possuiu tal obra em suas fileiras?. Riffs estonteantes, bateria porradeira de Cozy fuckin Powell, refrão consistente e um vocal a beira da perfeição. A mão de Iommi abençoa essa pérola dos anos 90.
Recordo quando ouvi numa fita K7 paraguaia, tanto quanto assisti inúmeras vezes o clip na extinta MTV brasileira, toda hora voltando a fitinha para cair em Get a Grip.

Can´t Get Close Enough entra com um dedilhado maroto em ritmo de balada e ganha espessura em seu desenrolar, de solos sobrepostos ao riff. Um bom heavy metal.

Um vocal tenso sobre o riff de Iommi, é a arma principal em Shaking Off The Chains. Cadenciada e repetitiva até o refrão, onde os pés saem do freio e apertam o acelerador. É uma faixa constituída apenas por duas partes com alternâncias finais no solo. Nada extraordinário se pensarmos no período jurássico do Black Sabbath.

Guilty as Hell é alinhada novamente sobre a guitarra, com boas levadas de bateria, no entanto, muito enxuta em arranjos ou melhor, condensada ao extremo. Percebam Tony Martin seguindo as mesmas notas do riffs, como Ozzy fazia no passado. Nessa forma simplificada de Guilty as Hell, podemos colocar Rusty Angels no pacote, outra a atolar no patamar de mediano.

Quebrando a tradição encontrada nas boas faixas títulos do Black Sabbath, Forbidden decepciona como a pior, diria que amenizada apenas pelo refrão.

Kiss of Death mostra sua face como destaque fácil, um tanto pela variedade. Desdobra-se em duas pistas completamente diferentes, com a primeira submetendo-se a algo feito em Tyr, e a posterior num heavy muito denso como com viradas insanas de Cozy Powell. Dizem que muitas das letras deste álbum nunca foram escritas no papel. Tony Martin apenas improvisou enquanto passava pelo estúdio e cantou o que lhe veio à mente, a letra de Get a Grip não mente tais "boatos".

Considero tudo um reflexo do tempo, quem ouviu Forbidden em 1995, tem todo o direito de odiá-lo, porém, é inegável que envelheceu bem diante de tantas porcarias cometidas a partir do final dos anos 90 a diante. Evidente que esteja abaixo dos lendários trabalhos com Ozzy e Dio, acho que é pedir demais que não seja assim.

Curioso é que Forbidden em LP foi lançado somente no Brasil, e hoje é item de colecionador, chegando a custar de 300 a 500 reais - conforme estado de conservação. Obvio que prensagens posteriores foram jogadas no mercado, mas o item brasileiro ainda é o santo graal dos bolacheiros. Infelizmente é o único item que falta pra fechar a coleção, então quem tiver pelo menos o CD, pode me enviar como presente, prometo cuidar bem dele.


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Sobre Marcel Dio

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Sobre o álbum

Forbidden

Álbum disponível na discografia de: Black Sabbath

Ano: 1995

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,06 - 9 votos

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