Resenha

Doremi Fasol Latido

Álbum de Hawkwind

1972

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

18/04/2020



O início da sua melhor fase

O ano era o de 1972 e a banda estava lançando o seu ainda terceiro disco. Acho que naquele época o grupo não fazia nem ideia do legado que estavam criando. A maioria dos seus discos chegaram ao Reino Unido, enquanto que apenas dois nos Estados Unidos. O sucesso no Reino Unido de certa forma foi o que os mantiveram, para o bem ou para o mal. Mas vamos evitar histórias e focar no que nos interessa aqui, ou seja, o ano de 1972 e quando ainda eram basicamente menos calouros. 

Doremi Fasol Latido é o primeiro da trinca de ouro dos discos da banda, sendo obviamente, os outros dois os seguintes. Mesmo que o álbum anterior os tenha colocado no número 18 nas paradas do Reino Unido, esse álbum aumentaria esse número alguns pontos, e muitas das razões para a crescente popularidade estavam em dois novos membros da banda. Lemmy no baixo – que mais tarde faria história com o Motorhead em um som bem diferente do encontrado aqui – e Simon King que acabaria sendo um membro regular da banda por um bom tempo, no entanto, quando falamos dessa formação estamos falando dos melhores anos da banda musicalmente falando. O time era completado por Dave Brock na guitarra e maioria dos vocais, DikMik no sintetizador, Del Dettmar também nos sintetizadores, Nik Turner na flauta, sax e vocais. Vale mencionar também Robert Calvert, que apesar de ser convidado, durante os anos sempre esteve assumindo os vocais em vários momentos, aqui mesmo nas faixas 9, 9, e 11. 

O álbum foi gravado em um celeiro e a banda usou colchões nas paredes para tornar tudo mais "parecido com um estúdio". Fitas de longas sessões de jam foram feitas e, em seguida, cortadas e unidas para formar uma faixa, enquanto outros overdubs foram feitos para juntar tudo ou unir os riffs de sintetizadores. A versão original do álbum tinha sete faixas, três no lado A e quatro no lado B. Quando o CD remasterizado foi lançado, foram adicionadas 4 faixas bônus.

“Brainstorm” é um épico clássico do space rock, escrito por Nik Turner. Vale ressaltar que Turner era conhecido como o membro que fornecia as melhores músicas e sessões de jam. A faixa foi originalmente feita para uma apresentação ao vivo no programa Johnnie Walker e desde então foi alterada frequentemente para shows ao vivo e gravada de várias formas, mas permaneceu como um elemento básico de quase todos os concertos da banda. Começa com uma guitarra que é logo seguida por bateria, baixo e teclado até entrar os vocais ecoantes. Apresenta exatamente o tipo de som que faria com que a banda ficasse conhecida.

“Space Is Deep” é uma faixa escrita por Brock com letras baseadas em um poema chamado "Black Corridor" e escrito por Michael Moorcock. Brock e Lemmy fornecem violões e vocais, enquanto os efeitos espaciais se agitam. Enquanto a música entra na longa seção instrumental, toda a banda entra para outra jam espacial eletrônica. Na faixa, as guitarras elétricas lentamente dominam a acústica, e entramos em uma jam psicodélica de dois acordes, desta vez muito mais curta que a faixa anterior, e então a acústica diminui novamente, retendo alguns efeitos estranhos da guitarra antes de amarrar a faixa juntos. “One Change” é uma faixa com menos de cinquenta segundos que apenas mostra uma brincadeira no teclado e nada mais. 

“Lord of Light” começa com alguns sons misteriosos que logo se firma em riffs pesados de guitarra e baixo que eventualmente traz com eles os vocais, sendo esses completos por efeitos de eco. Essa faixa se tornaria um single lançado na Alemanha. Na edição única, o tempo é reduzido quase pela metade, mantendo principalmente as seções vocais, que eram mais amigáveis ao rádio do que a longa jam original e que inclui guitarras pesadas. Como é o caso da maioria das faixas de Hawkwind, nenhum dos instrumentos se destaca, pois os instrumentos de solo geralmente são misturados uniformemente com o fundo, criando a parede de som do rock espacial. Na época, esse estilo era bastante desconhecido nos EUA e era contra tudo o que era popular lá. 

“Down Through The Night” continua a faixa anterior, mas meio que “destrói” um pouco a parede Sonora com uma pegada mais acústica cercada por efeitos espaciais e trepidações de flauta. Os vocais regulares, com efeitos invertidos aparecem em determinado momento da música. 

“Time We Left This World Today” começa com um riff pesado de guitarra que se estabelece e se repete, enquanto que os vocais se repetem repetidamente como em uma espécie de chamada e resposta entre Brock e o resto da banda. Essa faixa avança em um ritmo médio, pesado e incansável, possui vários bons sons de sax e flauta. A coisa toda se junta em uma espécie de miasma de som arranhado e guitarra, que é mais psicodélico e experimental. Essa é certamente a faixa mais pesada do disco e às vezes se torna bastante intensa com guitarras e baixo lutando pelo “primeiro lugar”. 

“The Watcher” é a última faixa do disco. A primeira faixa escrita por Lemmy para a Hawkwind, inclusive ele também lidera os vocais aqui. Este é um som bastante psicodélico, embora seja muito mais silencioso e Lemmy pareça querer ser discreto tocando de forma acústica. Mais tarde ele gravaria essa faixa com o Motorhead. 

No geral este é o Hawkwind no seu melhor, pois a banda trabalha em conjunto e continuará a fazê-lo por vários anos depois. Este álbum marca o início de sua melhor produção, os anos em que eles estavam no seu melhor e quando suas músicas teriam mais influência. Este é um item definitivo para os amantes de space rock e para os amantes de Hawkwind, além de ser um álbum valioso até hoje como um registro influente.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Doremi Fasol Latido

Álbum disponível na discografia de: Hawkwind

Ano: 1972

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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