Resenha

The Sky Moves Sideways

Álbum de Porcupine Tree

1995

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

17/04/2020



Uma obra-prima onde cada música é bem arranjada, bem executada e bem escrita

The Sky Moves Sideways é o terceiro disco oficial de estúdio da Porcupine Tree, apesar de Steven Wilson e sua banda terem lançado vários EP’s durante esse período. Após algum sucesso atingido com seus álbuns anteriores, Wilson decidiu que estava na hora da banda pegar a estrada, mas pra isso ele teria que ter por perto músicos em tempo integral. Então, ele recrutou os talentosos Richard Barbieri, Colin Edwin e Chris Maitland para fazer parte de sua banda.

Antes de começarem a trabalhar no próximo disco da banda, eles testaram o terreno lançando um single de uma música chamado “Stars Die”, com o lado B sendo de uma música chamada, “Moonloop”, que foi tirada de uma improvisação de mais de quarenta minutos e editada para “apenas” um pouco mais de dezoito. Em dezembro de 2001, a versão inédita de quarenta minutos de “Moonloop” seria disponibilizada em CD e vinil. Eles também lançaram um vinil limitado chamado Spiral Circus, que foi um álbum ao vivo das primeiras apresentações da recém-formada banda. Logo depois disso, The Sky Moves Sideways foi lançado.

Originalmente, The Sky Moves Sideways deveria ter sido lançado como faixa única, um trabalho épico de cerca de cinquenta minutos, porém, esta versão nunca foi finalizada, mas dividida em duas partes – que somadas dão cerca de trinta e seis minutos - que começam e terminam o álbum, seguindo uma ideia parecida com a do Pink Floyd em Wish You Were Here, com Shine on You Crazy Diamond e igualmente ao Floyd são três as faixas que separam as duas partes. Este seria o primeiro álbum completo a ser lançado nos EUA. 

“The Sky Moves Sideways - Phase 1” começa ao melhor estilo space rock que a banda sabe fazer muito bem quando quer. As passagens principais dessa faixa são baseadas em improvisações, mas mesmo assim os humores e seções são sempre bem estruturados, fazendo com que a música se desenvolva de uma maneira muito mais envolvente e dinâmica. Tudo é absolutamente lindo, sendo extremamente parecido com os sons atmosféricos do Pink Floyd. O começo é através de adoráveis camadas de teclados e guitarras, flutuando lentamente e unidos com texturas exuberantes que capturam o ouvinte facilmente. Quando a seção vocal termina em cerca de nove minutos, a música muda de marcha e se move mais rápido e mais pesado, chegando a se aproximar do peso de álbuns posteriores. Em determinado momento assume uma vibração árabe à medida que o ritmo avança. Esta faixa é muito mais do que apenas uma improvisação sinuosa e sem rumo, tem uma sensação quase estruturada, onde o fundo é dinâmico e muda frequentemente enquanto a guitarra, sintetizador, flautas e outros instrumentos estão conduzindo as mudanças, além de que por todo o caminho são riffs excelentes e memoráveis que ficarão com você por muito tempo depois que terminar de ouvi-los. Próximo do fim a música fica mais pensativa e atmosférica, com um violão adorável movendo-se junto com as teclas cintilantes e o eco da guitarra elétrica.

“Dislocated Day” começa com um telefone em chamada e a banda entra de maneira repentina, enquanto que Wilson canta em um vocal meio distorcido. Esta é uma música excelente e bem sombria, com um riff de guitarra forte e emotivo que desliza pela música de uma maneira bastante sólida. Sólido também são os demais instrumentos que energizam a música com força máxima. 

“The Moon Touches Your Shoulder” por outro lado é mais um estilo de balada introspectiva. Possui belos acordes de violão cercado por teclados exuberantes e vocais arejados de Wilson. Na segunda metade da faixa é quando as coisas ficam mais intensas, à medida que camadas de som introduzem um padrão de guitarra empolgante que de repente se acalma e já leva o ouvinte para a faixa seguinte. “Prepare Yourself” é uma pequena faixa instrumental que apresenta um bom trabalho de guitarra sobre um teclado atmosférico e de sutis batidas de bumbo na bateria. 

Antes de continuar quero deixar avisado que essa resenha é baseada no CD duplo e que não possui a faixa Moonloop no CD1, então eu não me esqueci da faixa, apenas estou resenhando somente o CD1. “The Sky Moves Sideways - Phase 2” é a continuação da jornada magistral iniciada com a primeira faixa do disco. Desta vez a sua construção leva um tempo agradável, pois os efeitos e sintetizadores atmosféricos são influenciados por pequenos e dramáticos toques de bateria. Um sintetizador estridente traz um violão macio em notas simples e belíssimas. O baixo entra com uma batida forte e de repente a banda ganha “vida” novamente em uma linha progressiva e sólida que mais uma vez fará o sangue do ouvinte ferver, gerando uma excitação e pavor, mas as coisas enfim se acalmam através de um vocal feminino, seguido por um incrível solo de guitarra que eleva as coisas para outro nível, exatamente no momento em que você acha que poderia não melhorar. As coisas se suavizam e, em seguida, a tensão aumenta. Efeitos cintilantes e misteriosos continuam por vários minutos antes de uma mudança repentina para mais solos de guitarra, improvisando a melodia vocal original desde a primeira fase. Aos quinze minutos, a faixa termina com efeitos da água, um baixo sinistro contra lamentos e sons atmosféricos. Uma obra-prima. 

Este é sem dúvida um dos discos pra indicar a alguém que não conhece os trabalhos da Porcupine Tree. Em The Sky Moves Sideways eles se apresentaram de fato como uma banda pela primeira vez. Junto de In Absentia e Deadwing seria minha indicação, o ouvinte poderia notar uma diferença, mas depois iria perceber que se trata simplesmente de um álbum mais explorativo. Vale uma menção ao fato de que se não for com bons fones de ouvido a viagem não está completa. Uma obra-prima onde cada música é bem arranjada, bem executada e bem escrita.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

The Sky Moves Sideways

Álbum disponível na discografia de: Porcupine Tree

Ano: 1995

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,6 - 5 votos

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