Resenha

Albedo 0.39

Álbum de Vangelis

1976

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

15/04/2020



Certamente um dos discos mais interessantes e instigantes do Vangelis

Acho que todo mundo sabe que as facetas da música do Vangelis são várias e com isso nem sempre as suas criações podem fazer com que o resultado final seja satisfatório, algo que ainda bem não acontece aqui, afinal, estamos diante de um ótimo álbum da discografia do músico grego. Albedo 0.39 é um exemplo clássico da faceta mais épica da música do Vangelis, construída sob as coordenadas da vanguarda eletrônica, retratando algumas semelhanças inconfundíveis com a coloração típica do progressivo sinfônico. O resultado é uma música deliciosa de se ouvir. 

“Pulstar” abre o disco com uma música típica do Vangelis. Apesar de algumas mudanças radicais ela flui perfeitamente do começo ao fim com uma percussão extraordinária e pomposa que se encaixa como uma luva nos solos dramáticos de teclado e em algumas explosões instrumentais repentinas. Um começo brilhante para o álbum. 

“Free Fall” é uma música meio estranha, a introdução soa como estivesse sendo tacado com um gamelão (conjunto de instrumentos típicos da Indonésia), dando um som cambojano ou vietnamita, mas, como na faixa anterior, a forte percussão é o destaque. 

“Mare Tranquillitatis” muda novamente o clima do disco, adicionando atmosferas densas e criam uma sensação de mistério e espacial, funcionando muito bem como um interlúdio antes da brilhante e incrivelmente complexa, “Main Sequence”. 

“Main Sequence” é literalmente uma peça improvisada com Vangelis tocando um sequenciador, mas não exatamente igual aos vistos na Tangerine Dream ou Klaus Schulze, o efeito criado aqui é muito mais alinhado com o jazz rock e o sintetizador principal soa como um trompete. O trabalho de bateria também é algo impressionante. Um dos grandes momentos do disco. 

“Sword Of Orion” é mais um interlúdio e que cria perfeitamente uma sensação de distanciamento, descrevendo claramente a constelação. No geral sabemos que um interlúdio é seguido por uma música poderosa e forte, mas aqui não é isso que acontece. 

“Alpha” mantem a serenidade deixada pela faixa anterior, mas aos poucos vai mostrando uma instrumentação crescente, com variações sobre o mesmo tema, porém, adicionando novos instrumentos. Belíssima. 

“Nucleogenesis (Part One)” tem uma sonoridade barroca logo em seus primeiros segundos? Sim, comprovando a versatilidade do compositor e multi-instrumentista grego capaz de mudar o humor do seu som e até o gênero em fração de segundos, sempre com um toque elegante. “Nucleogenesis (Part Two) como o nome diz é a segunda parte da música, trata-se de um puro progressivo eletrônico onde Vangelis se propõe entregar uma verdadeira magia em forma de música. Outro dos pontos mais altos do disco. 

“Albedo 0.39” é a faixa título e que ficou com a missão de encerrar o disco. É uma experiência musical, sonoridade obscura semelhante a algo feita pelo Tangerine Dream. Uma voz suave em inglês, lista calmamente a duração dos dias, distâncias entre os objetos celestes e conclui com o albedo. Não é uma música impressionante e o disco poderia ter um final melhor, mas ainda vale como um momento para o ouvinte entrar em transe. 

No fim das contas esse disco é bastante agradável. Vangelis mostrava querer explorar diferentes caminhos e ao mesmo tempo não abandonar seu estilo clássico. Mostra paisagens sonoras puramente cósmicas dos conhecidos artista alemães. Para as pessoas que gostam de teclados esse disco também é uma grande pedida. Órgão eclesiástico a faixa de sintetizador que soa orquestral em um minuto e logo em seguida em uma pegada rock, sempre com um ótimo toque de teclas e batidas fortes. Certamente um dos discos mais interessantes e instigantes do Vangelis.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Albedo 0.39

Álbum disponível na discografia de: Vangelis

Ano: 1976

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,25 - 4 votos

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