Resenha

V - The New Mythology Suite

Álbum de Symphony X

2000

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

14/04/2020



Um disco de produção ótima, musicalidade impecável e composição excelente

Apesar de tantas resenhas já feitas aqui no site, nunca havia feito uma sobre algum disco do Symphony X, mesmo sendo uma banda que gosto bastante, então vamos recuperar o tempo perdido. Bom, V - The New Mythology Suite é sem dúvida alguma o meu álbum preferido da banda, combinando muito bem o seu metal progressivo virtuoso, influências doom e algumas reminiscências de power metal com uma música majestosamente clássica, particularmente algo de Mozart. É um disco bastante consistente, com melodias grandiosas, ótimos arranjos e performances instrumentais complexas, boas transições musicais, variedades de andamentos e um vocal que pode facilmente ser considerado o mais poderoso do gênero. 

O disco é uma obra conceitual sobre mitologia, concentrando-se principalmente na história de Atlântida, sua ascensão, conflitos e queda. A letra que apresenta a história e a música enfatiza o humor muito bem, como deve ser em qualquer disco desse tipo. É tudo relativamente complexo e eu confesso que poderia ter me aprofundado mais do que fiz até hoje, pois realmente há muito que se descobrir no campo lírico desse disco. O Symphony X quase sempre teve letras bem informadas sobre literatura, principalmente a mitologia grega, sendo que esse álbum serve como um grande exemplo desse conhecimento. O modo como a música complementa o enredo parece pintar um retrato na mente e imaginação do ouvinte. À medida em que o ouvinte vai ganhando conhecimento sobre o enredo, quase é possível ver os incidentes com a música até mesmo sem a ajuda de letras. O auge da qualidade artística.

“Prelude” já mostra que estamos diante de algo diferente, todos aqueles solos e “concursos” de pirotecnia egomaníaca de guitarra – que faz muita gente não gostar de bandas de metal progressivo - são deixados de lado por uma estrutura coerente. Uma abertura curta e muito boa. 

“Evolution (The Grand Design)” marca uma mudança, bons riff de guitarra e que irão ditar o ritmo da música e que de alguma maneira lembra o estilo galopante do Iron Maiden e sua obsessão no Egito Antigo. Os componentes sinfônicos são de extrema importância na música. Outro ponto alto são os impressionantes vocais principais, assim como o excelente trabalho de coro. 

“Fallen” começa de uma maneira mais devagar do que a faixa anterior, com um bom trabalho de teclado que leva a um crescente riff de guitarra. A bateria é extremamente precisa e os vocais de Russell Allen apesar de ótimos novamente, soam meio exagerados em alguns pontos, como se ele estivesse fazendo um esforço tremendo para não sair da zona do metal. Mas é uma ótima música mesmo assim. 

“Transcendence” é apenas uma introdução pomposa para a faixa seguinte. “Communion And The Oracle” começa com um toque macio de violão – algo incomum nesse tipo de música – que nos leva a um terreno menos familiar quando falamos de Symphony X, mas novamente é bastante legal. Um momento mais sinfônico do que metal, algo que pode até não agradar os metaleiros mais ferrenhos. Mas o aspecto mais interessante dessa faixa é como ela evolui, vinculando cada seção à próxima, de tal maneira que você quase não sente as mudanças dramáticas, com Michael Pinella e Michael Romeo fazendo um excelente trabalho.

“The Bird-Serpent War / Cataclysm” começa de maneira mais pesada que a faixa anterior através de uma guitarra distorcida – de certa forma incomum nesse álbum – e novamente com certa reminiscência do som do Iron Maiden. Uma música de boa e familiar sonoridade. 

“On The Breath Of Poseidon” é uma música cheia de atmosferas pomposas e sonoridade antiga, com pontes instrumentais suaves para ligar as seções mais pesadas, fazendo assim com que a lacuna entre elas fique menos evidente. Extremamente agradável. 

 “Egypt” é como já esperado pelo nome, uma música se ar mistério, porém, frenético ao mesmo tempo. Dois conceitos que no geral não são fáceis de combinar, aqui são gerenciados com destreza suficiente para fazê-los soar como parceiros naturais. Vale ressaltar também que novamente o trabalho vocal é incrível. 

“Death of Balance / Lacrymosa” é um tipo de música que desafia tudo o que você que não é muito familiarizado com o gênero, acha que sabe sobre metal progressivo. As guitarras agressivas que se misturam ao piano tradicional no sentido mais clássico da palavra, uma cacofonia controlada fazendo o ouvinte lembrar algo como Emerson, Lake & Palmer e uma seção coral incrível, tudo isso mostra que o Symphony X é uma banda diferenciada. 

“Absence of Light” é onde a banda mais faz algo exatamente orientado pra um disco de metal progressivo, não possui surpresas e o excelente trabalho vocal facilita a digestão. Não é uma música ruim, mas não tem bons atrativos quanto às outras. 

“A Fool's Paradise” começa de forma frenética e de tirar o fôlego. Os teclados nessa música são impecáveis. Allen mais uma vez mostra vogais cheios de energia e vigor, principalmente quando o refrão entra durante uma seção de órgão remanescente de Bach. Mais uma excelente música. 

“Rediscovery” é um interlúdio curto e suave que prepara o ouvinte para o épico que fecha om disco. Infelizmente é uma faixa muito curta e acho que a banda poderia tê-la explorado mais.

“Rediscovery pt. II - The New Mythology” com os seus quase doze minutos é a cereja no topo do bolo, a banda consegue ficar pulando de estilo, humor e atmosfera diferentes com uma coerência absurda e ao mesmo tempo bastante dramática e maneira radical, sempre ligando cada uma das seções a uma ponte precisa, geralmente clássica ou barroca. Uma verdadeira obra de arte e que não poderia finalizar o disco de uma maneira melhor. 

V - The New Mythology Suite é tudo aquilo que uma banda do nível do Symphony X tem de melhor a oferecer, virtuosismo técnico, uma boa tendência a aderir temas mitológicos/medievais e um estilo progressivo de power metal de grande energia e potencial. Um disco de produção ótima, musicalidade impecável e composição excelente.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

V - The New Mythology Suite

Álbum disponível na discografia de: Symphony X

Ano: 2000

Tipo: CD/LP

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