Resenha

Prologue

Álbum de Renaissance

1972

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

12/04/2020



Prologue é o primeiro passo rumo ao paraíso do rock progressivo

Prologue apresenta um som de uma banda em transição. Seus membros estavam indo e vindo enquanto que o Renaissance buscava uma formação estabelecida e o seu próprio lugar ao sol do universo do rock progressivo. Em 1972, nenhum membro original estava mais na banda, embora Dunford e McCarty ainda estivessem ativamente nos bastidores. Um novo quinteto com Haslam (vocal), Camp (baixo), Tout (teclados), Sullivan (bateria) e Parsons (guitarra) realizou uma breve turnê antes de entrar no estúdio para gravar seu primeiro álbum juntos, mas, infelizmente, o jovem guitarrista Mick Parsons foi morto antes da gravação, então Rob Hendry o substituiu no estúdio, tendo deixado a banda logo após a gravação do disco. 

Os amantes do Renaissance clássico reconhecerão imediatamente esse material com seus intricados floreios de piano, arranjos complexos e a voz inconfundível de Annie. A maioria dos elementos está no lugar, mas com arestas que seriam aperfeiçoadas em álbuns posteriores, pois o som apesar bom é mais fraco, menos polido e a voz de Annie ainda não está totalmente amadurecida.

“Prologue”, faixa título é a que dá início ao disco. Uma faixa instrumental magnificente – com alguns coros – onde John Tout demonstra ser um pianista de uma enorme capacidade. Começa a tocar no estilo de Rachmaninoff, atravessa em algo como Bach enquanto que os demais músicos mantem a faixa no espirito bom e velho rock and roll e com uma pitada de jazz. Os coros de Annie são perfeitos para a música e John Camp oferece uma excelente performance de baixo. Bom, devo admitir que é verdade que nenhum músico clássico levaria a sério essa peça eclética, mas quem se importa? Estamos falando de Progressive Rock, um universo diferente para um público diferente. Uma maravilha do começo ao fim. 

“Kiev” apesar de uma introdução ao piano impressionante a ponto de deixar Keith Emerson pálido, não se trata de uma música usual da Renaissance. Soa mais como uma espécie de proto prog do final dos anos de 1960 com ecos de psicodelia, exceto quando o piano retoma a liderança com uma pitada de Rachmaninoff. Mas no fim uma ótima música. 

“Sounds Of The Sea” começa com alguns sons de gaivotas e de ondas do mar, de certa forma algo bastante previsível. Mas vamos falar sobre a música e que pela primeira vez no álbum podemos ouvir Annie em toda a sua majestade, com alguns coros masculinos que aumentam o efeito que se alcança. Adicionamos um piano suave e percussão sutil e temos uma música incrivelmente bela. 

“Spare Some Love” começa com uma introdução incomum – para os padrões da banda – ao violão – sendo que no geral é piano no lugar - mas depois de alguns segundos a voz clara e intocada de Annie se junta ao resto da banda e corais para criar outra música extremamente bonita. Os fanáticos que acham que o rock progressivo só funciona de maneira complexa e intrincada podem ficar um pouco desapontados com essa música, já que aqui a ênfase é mais na melodia e não em virtuosismo. Mas de qualquer forma uma música de primeira. 

“Bound For Infinity” é uma música em que ao ouvirmos os seus primeiros segundos, já conseguimos desenhar em mente que Annie será um dos seus destaques e que com o tempo ela se tornaria uma das estrelas mais brilhantes do rock progressivo. John Tout em uma performance sublime ao piano e divide os centro das atenções. 

“Rajah Khan” é um épico bizarro e que coloca fim no disco. Como convidado, Francis Monkman segura nos sintetizadores, enquanto que Rob Hendry faz uma performance viajante no bandolim e violão. Estamos diante de uma mistura estranha de música psicodélica e rock progressivo sinfônico, em alguns momentos tudo parece sereno, mas as explosões instrumentais perfeitamente coordenadas ditam um ritmo diferente. Seções de piano e um trabalho vocal incrível mostram que eles têm tudo calculado, mesmo quando os excelentes arranjos fazem a música parecer casual. 

Prologue não é o melhor disco da Renaissance, a nova formação está apenas dando os primeiros passos, mas de qualquer forma considero esse álbum um lançamento essencial, onde ainda que não seja uma obra-prima, figura bem perto disso. Prologue é o primeiro passo rumo ao paraíso do rock progressivo.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Prologue

Álbum disponível na discografia de: Renaissance

Ano: 1972

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,25 - 4 votos

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