Resenha

Retropolis

Álbum de The Flower Kings

1996

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

11/04/2020



Técnicas de composição e som de prog rock clássico, com toques mais modernos

Flower Kings é uma banda que em seus discos estão sempre cheio do que os fãs de rock progressivo adoram no gênero. Há virtuosismo, criatividade, texturas musicais densas, músicas memoráveis e letras bonitas, além de muitas vezes espiritualmente animadoras. Além disso, às vezes nota-se uma boa influência em bandas da primeira geração de bandas de rock progressivo.  

Não há como negar que a banda realmente tem um talento especial para combinar grandes elementos de bandas passadas, suas influências e, ainda assim, criar seus sons característicos. Retropolis, segundo disco do grupo, não foge disso. Do começo ao fim do disco podemos ouvir trechos de Pink Floyd, Rush, Genesis entre outros nomes. Um dos destaques no disco são as interações intensas e vigorosas entre o tecladista Tomas Bodin e o guitarrista Roine Stolt, que também exibe algumas magnificas passagens solos. 

O disco começa com uma vinheta de cerca de trinta segundos chamada, “"Rhythm of Life”, que nada mais é do que o som de uma partida de ping pong enquanto que o nome da faixa é dito três vezes. “Retropolis” é uma peça instrumental que possui uma mistura muito boa, hard rock, progressivo sinfônico e uma guitarra matadora. A música está cheia de mudanças abruptas que vão do progressivo ao neo clássico, o trabalho de teclado é excelente. É disso que se trata quando falamos de rock progressivo. 

“Rhythm Of The Sea” é outra faixa excelente, agora mostra a banda se aventurando em um território vanguardista e misturando-se com o jazz. A mudança de ritmo entre as passagens suaves e mais rápidas é algo simplesmente perfeito.

“There Is More To This World” começa com uma guitarra e mellotron que leva a uma passagem orientada para o neo progressivo. Os intervalos instrumentais são as seções mais interessantes, a interação entre Roine, Tomas e Michael Stolt é bastante sólida, possui algumas reminiscências do Emerson, Lake & Palmer, mas nada muito óbvio. Uma boa música, mas inferior as anteriores. 

“Romancing The City” é um curto interlúdio para piano que muda o humor do disco, relaxando o ouvinte após o final frenético da faixa anterior e combina perfeitamente com a introdução da faixa seguinte. “The Melting Pot” começa com uma sonoridade clássica, mas logo muda pra uma passagem sinfônica folclórica. Novamente as mudanças radicais e o forte órgão são destaques, dessa vez a música carrega um ar misterioso e sombrio. Seguindo o seu estilo sempre em mudança, mudam para uma seção oriental que se transformam em um instrumental quase cacofônico. 

“Silent Sorrow” é sem dúvida alguma a música mais fraca do disco, extremamente monótona e em minha opinião nada é aproveitado. Flower Kings nunca foi uma banda conhecida pelos seus ótimos vocais, mas aqui eles estão ruins como nunca. 

“The Judas Kiss” é anunciada por alguns sons de sinos, seguido por forte trabalho de órgão. Um solo curto, mas muito bom de guitarra é acrescido. Os vocais, ao contrário do que acontece nas faixas anteriores, são bastante interessantes, pois possuem boas e fortes variações, com o teclado apoiando muito bem a voz e um trabalho de guitarra que às vezes lembra ao Iron Maiden, porém, mais suave. Mais uma vez uma música com várias mudanças e variações de andamento. Outro ponto alto do disco. 

"Retropolis by Night" faz com que o ouvinte lembre de Vangelis em Blade Runner, pois de alguma maneira a atmosfera criada é bem parecida. Um teclado cria uma atmosfera com pegada eletrônica, quanto que vocais assombrosos são misturados com sons da cidade que completam a cena. Não é um tipo de som que pode ser classificado como um dos destaques do disco, mas é bom. 

“Flora Majora” começa com uma excelente combinação entre teclado e bateria, que vai ficando cada vez mais sinfônico conforme a música vai avançando e mais instrumentos vão se juntando. Novamente, apesar de não ser uma faixa memorável, é um bom trabalho.

“The Road Back Home” é a música que coloca ponto final no álbum. Começa com violão e vocais, de certa forma semelhante a alguns trabalhos do Pink Floyd. Após uma primeira metade de música bastante suave, vai crescendo e levando o ouvinte a um momento instrumental belíssimo, teclados exuberantes, mellotron e bateria perfeita tornam essa parte inesquecível. No final um solo de guitarra coloca a cereja no bolo. 

Já vi muito casos de pessoas que acham que a banda aqui superou o seu disco de estreia, isso eu já acho exagero, mas fizeram sim um ótimo trabalho, mostrando muito bem todas as suas influências, sempre sob uma personalidade forte. Retropolis exibe as técnicas de composição e o som de muitas bandas clássicas de progressivo, mas depois tem um toque um pouco mais moderno.


Nota: As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor



Comentários

Faça login para comentar

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.

Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito, aberto e democrático para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.



Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

Veja mais algumas de suas publicações:

  • Image

    ResenhaYes - The Ladder (1999)

    17/11/2017

  • Image

    ResenhaThe Move - Looking On (1971)

    22/05/2018

  • Image

    ResenhaOceansize - Frames (2007)

    31/10/2020

  • Image

    ResenhaThe United States of America - The United States Of America (1968)

    06/05/2021

  • Image

    ResenhaMoving Gelatine Plates - Moving Gelatine Plates (1971)

    18/06/2021

  • Image

    ResenhaAnubis - A Tower Of Silence (2011)

    29/09/2017

  • Image

    ResenhaSteven Wilson - The Raven That Refused to Sing (And Other Stories) (2013)

    24/03/2020

  • Image

    ResenhaRick Wakeman - Aspirant Sunrise (1991)

    22/03/2021

  • Image

    ResenhaManeige - Les Porches (1975)

    07/08/2021

  • Image

    ResenhaSieges Even - The Art Of Navigating By The Stars (2005)

    04/11/2017

Visitar a página completa de Tiago Meneses



Sobre o álbum

Retropolis

Álbum disponível na discografia de: The Flower Kings

Ano: 1996

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

Avalie

Você conhece esse álbum? Que tal dar a sua nota?

Faça login para avaliar

Visitar a página completa de Retropolis



Continue Navegando

Através do menu, busque por álbums, livros, séries/filmes, artistas, resenhas, artigos e entrevistas.

Veja as categorias, os nossos parceiros e acesse a área de ajuda para saber mais sobre como se tornar um colaborador voluntário do 80 Minutos.

Busque por conteúdo também na busca avançada.