Resenha

On To Evermore

Álbum de Glass Hammer

1998

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

11/04/2020



Bom disco, mas muito linear pra um trabalho de rock progressivo

Se for comparar com o que a banda produziu em vários dos seus outros discos, On To Evermore, apesar de não ser necessariamente ruim, certamente é um pouco decepcionante. Apesar da estrutura do álbum, da instrumentação e dos vocais serem bastante corretas, há algo que parece faltar e muitas vezes dá ao ouvinte aquela sensação de esperar algo que nunca chega. A música geralmente flui muito bem do começo ao fim, mas carece de uma grande emoção. 

Toda música é bem estruturada e desenvolvida corretamente, o que provavelmente é o principal problema, pois tudo acontece como o esperado, não há surpresa, às vezes até uma música fraca seguida por uma obra-prima cria uma reação no ouvinte, mas, neste caso, não há uma música ruim ou uma obra-prima, apenas faixas corretas e bem desenvolvidas.

“On to Evermore” é a faixa que inicia o disco. Depois de um começo suave com sons de pássaros, fica ainda mais suave depois. Pra ser mais honesto não existe nada de fato memorável nessa música e o melhor que eu posso mencionar aqui é o fato de ser bem tocada e em alguns momentos possui seções vocais interessantes. 

“The Mayor Of Longview “ é uma música meio estranha, rítmica e sincopada, que soa como uma mancha ou trilha de um filme de fantasia, talvez por possuir algo do tema de A História Sem Fim, no final, há uma leve seção de teclado barroco, que certamente é o ponto mais alto da peça. 

“The Conflict” é uma música que um desavisado certamente vai olhar nos créditos pra ter certeza se Keith Emerson não é um convidado desta faixa. Esse começo bem ao estilo Emerson, Lake & Palmer renova a esperança de qualquer um, mas infelizmente novamente a música se dissolve na mesma estrutura perfeitamente previsível, uma boa faixa sem dúvida, mas novamente com a sensação de que falta algo. 

“Arianna” começa com um solo de sintetizador bastante poderoso que lembra um pouco ao Genesis da era sem Gabriel, mas ainda com Hackett na banda, seguido por excelente piano e bateria, nesse momento parece que haverá uma música explosiva, mas assim que os vocais entram, a realidade é bem diferente, de repente a música se transforma em algo semelhante a uma balada do Phil Collins. Esta seção vocal é muito longa e repetitiva, tornando-se extremamente chata, o instrumental mais suave da seção intermediária se prepara para um final mais agressivo de bons teclados e excelentes vocais que apresentam algumas mudanças bruscas. No final das contas é uma faixa irregular, talvez longa demais. 

“This Fading Age” é a minha música preferida do disco. Começa com um bandolim e vocais maravilhosos e que são seguidos por teclados excelentes. Finalmente a banda ousou fazer algo diferente neste álbum, talvez algo incorreto para os mais puristas, mas absolutamente inovador e desafiador para um ouvinte mais aberto. A faixa termina com uma estrutura bastante complexa de teclado e vocal. De longe a melhor faixa do disco. 

“Junkyard Angel” é outra faixa em que a banda ousa fazer algo mais diferente, começa através de um piano suave e vocais que fazem o ouvinte esperar uma música muito bonita, mas de repente acontece uma explosão de teclado, seguido por uma guitarra pesada quase de metal. 

Todas as demais músicas do disco e que não foram citadas seguem o mesmo nível do que foi apresentado ate aqui, no geral boa, mas nada memorável. Um disco correto e agradável para o ouvinte, mas peca por não soar quase nunca desafiador. A complexa estrutura vocal desenvolvida com a participação de todos os membros da banda merece uma menção especial, especialmente Fred Schendel, Steve Babb e Walter Moore, que se revezam nos vocais principais com igual sucesso, conquista notável. Mas deixo como sugestão que pra começar a conhecer a banda existem outros caminhos melhores e que pretendo resenhar algo em breve.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

On To Evermore

Álbum disponível na discografia de: Glass Hammer

Ano: 1998

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3 - 1 voto

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