Resenha

The Ghost of Orion

Álbum de My Dying Bride

2020

CD/LP

Por: Diógenes Ferreira

Colaborador

04/04/2020



Singela Melancolia

Anos 90 para muitos foi uma década perdida, para outros foi um período de oportunidades. Foi o momento que a música pesada teve para se redescobrir e reinventar-se, em diversas formas e estilos. Uma dessas novas formas surgiu na Inglaterra, com bandas como Paradise Lost, My Dying Bride e Anathema apostando em uma sonoridade que mesclava os elementos do Death Metal com o ritmo arrastado do Doom Metal de bandas como Candlemass, Pentagram, Saint Vitus e Solitude Aeturnus. E assim tivemos obras marcantes desse fantástico trio britânico no início dos anos 90 e o surgimento de outros nomes praticando o mesmo híbrido como os suecos do Katatonia e os finlandeses do Amorphis. No caso do My Dying Bride, álbuns como ‘As The Flower Withers’ (92), ‘Turn Loose The Swans’ (94) e ‘The Angel and The Dark River’ (95) tornaram-se obras marcantes desse segmento e embora a banda, assim como todas as outras citadas em algum momento tenham desviado o foco com alguns experimentalismos na carreira, mas certamente o My Dying Bride foi a banda que menos tempo passou longe de sua essência. Logo retornaram ao tradicional Doom/Death e vieram mais clássicos como ‘The Light at the End of The World’ (1999), ‘The Dreadful Hours’ (2001), ‘Songs of Darkness Words of Light’ (2004) e ‘A Line of Deathless Kings’ (2006). De lá pra cá, a banda vem mantendo um ritmo de lançamentos constantes e mesmo após momentos conturbados recentes que quase decretaram o final da banda, chegamos em 2020 com mais um álbum do My Dying Bride.

A faixa “Your Broken Shore” abre esse 14º álbum com as típicas bases soturnas do My Dying Bride, nessa canção um tanto dramática ainda que possua alguns vocais guturais no refrão. Em seguida as melodias com violinos apresentam-se em “To Outlive The Gods”, fato esse que também sempre foi característico do My Dying Bride e de outra banda que gosto muito que trabalha muito bem a inserção desse instrumento que é o Celestial Season, banda holandesa que não obstante tinha uma sonoridade muito influenciada pelo My Dying Bride em meados dos anos 90. Para quem não conhece o Celestial Season, indico que ouça os álbuns Forever Scarlet Passion (93) e o magnífico Solar Lovers (95) e comprove você mesmo. Voltando ao álbum, a próxima canção é “Tired of Tears” que novamente traz os elementos citados com vocais ainda mais melodiosos e a essa altura já podemos perceber que diferente do álbum anterior ‘Feel The Misery’ (2015) que era mais pesado e denso, esse novo play segue uma linha mais baseada em melodias e marchas solenes, embora sempre inseridas no tradicional Doom Metal da banda. Cabe dizer também que “Tired of Tears” é liricamente uma faixa de cunho pessoal, que fala de problemas particulares do vocalista Aaron Stainthorpe. A próxima música é “The Solace”, que é um lamento puro com o vocal lírico feminino de Lindy Fay Hella da banda Wardruna, sendo uma peça bastante arrastada e até cansativa na verdade. Depois temos “The Long Black Land” que pega a saideira da faixa anterior para se transformar em uma poderosa canção com seu riff fúnebre e que vai aos poucos inserindo elementos Death Metal, sendo uma das maravilhas do disco que fará alegria dos velhos fãs. A faixa-título “The Ghost of Orion” não passa de uma instrumental acústica com sussurros e que depois cede espaço para “The Old Earth” carregada de dramaticidade, porém, com aquele peso sorumbático, fantasmagórico e lento, quase parando o andamento da música, até que a mesma sofre uma reviravolta e vai acelerando o ritmo gradualmente até encerrar de forma magistral. “Your Woven Shore” encarrega-se de fechar o álbum com cantos gregorianos envoltos a tristes melodias de violino, sendo um curto final.

Enfim, quando se esperava que o My Dying Bride não fosse mais ter força já que sofreu algumas baixas importantes na formação com as saídas do guitarrista Hamish Glencross e do baterista Shaun Taylor-Steels e que em 2017 a banda chegou a praticamente encerrar as atividades, eis que como uma fênix o My Dying Bride ressurge das cinzas ainda para levar o seu Doom Metal a uma legião de fãs que os consideram um dos pilares da segunda geração do estilo. O fato é que Aaron Stainthorpe e Andy Craighan, únicos remanescentes da formação inicial do MDB, continuam levando adiante sua maravilhosa obra de arte melancólica, das profundezas de Bradford na Inglaterra para o resto do mundo, com mais leveza é verdade, mas ainda com muito de suas características que os tornaram respeitados por seus ardorosos fãs.



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Sobre Diógenes Ferreira

Nível: Colaborador

Membro desde: 22/01/2019

"Maranhense apaixonado por música em todas as vertentes do rock e que tenta colaborar com um cenário mais digno, próspero e auto-sustentável. Editou o Hellish Zine no final dos anos 90/início de 2000, em seguida escreveu por um período para o site Whiplash. Hoje colabora no 80 Minutos."

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Sobre o álbum

The Ghost of Orion

Álbum disponível na discografia de: My Dying Bride

Ano: 2020

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,5 - 1 voto

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