Resenha

Minstrel In The Gallery

Álbum de Jethro Tull

1975

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

03/04/2020



O Retorno do Grupo ao Folk Progressivo clássico

Após seu clássico “Aqualung”, o Jethro Tull emendou dois álbuns conceituais (Thick as a Brick e A Passion Play), que embora fossem fenomenais, eram álbuns de difícil assimilação e divulgação por possuir apenas uma única canção dividida em duas partes.

Em 1974 veio “Wachild”  que não é um disco ruim, mas está longe de ser unanimidade entre os fãs. Então no ano seguinte o grupo, formado pelo líder e flautista Ian Anderson, Martin Barre nas guitarras, John Evan no piano e sintetizadores, Jeffrey Hammond no baixo, Barriemore Barlow na bateria e percussão, além de Dave Palmer como arranjador, maestro e condutor de orquestra, lança o clássico “Minstrel in the Gallery”. 

Gravado no Maison Rouge Mobile estúdio no principado de Mônaco, e produzido pelo próprio Ian Anderson, o álbum é responsável por trazer o Jethro Tull de volta a sonoridade considerada clássica, trabalhando de modo homogêneo seu lado acústico e elétrico, mas de maneira mais madura, trazendo elementos orquestrais usados nos discos conceituais, mas desta vez utilizando apenas um quarteto de cordas que faz um contraponto interessante com Guitarras mais pesadas, passagens progressivas, o lirismo da flauta e a influência do barroco renascentista.

Essa mistura fica clara com a faixa titulo que abre o álbum e traz uma variedade de ritmos e andamentos,  se iniciando apenas com a voz  o violão acústico de Anderson, em clima intimista, mas que logo é invadido por guitarras e a bateria pesada de Barlow. Até o solo é peculiar, onde a flauta de Anderson disputa espaço com a guitarra distorcida;

"Cold Wind To Valhalla" mantém a mesma concepção harmônica da faixa anterior e pode ser considerada uma composição clássica do Tull, com violões, flautas, percussão e a inconfundível voz de Anderson a frente do tema, que é repentinamente modificado com a entrada dos demais instrumentos;

“Black Satin Dance”,mantém momentos de peso, mas é mais lírica e até mesmo romântica. Tem andamento eminentemente progressivo e um belíssimo solo de guitarra;

A faixa seguinte "Requiem" difere do restante do álbum por ser mais curta e completamente acústica, com violão, voz e o quarteto de cordas servindo como um complemento do arranjo e dando sustentação a canção; A mesma concepção harmônica  acontece com o tema de titulo estranho, "One White Duck / 010 = Nothing At All";

A suíte "Baker St. Muse" com seus quase 17 minutos ocupa todo o lado B do antigo vinil. Estruturalmente ela é semelhante as suítes dos citados “Thick as a Brick” e “A Passion Play”, porém o lado pastoral do grupo se torna mais evidente, com passagens ainda mais líricas e acústicas. O fato da canção ter a duração menor que um disco inteiro ajuda em uma melhor percepção do ouvinte, uma vez que um tema mais condensado permite uma maior aproveitamento de ideias;

E lá no fim temos "Grace", que é apenas um curto poslúdio acústico que encerra o álbum em grande estilo;

“Minstrel in Gallery”  é o auge da maturidade da banda, 	que soube trabalhar sua musicalidade de maneira equilibrada, limitando os excessos e valorizando o estilo folk progressivo idealizado por eles.

O álbum chegou as lojas em  setembro de 1975, e teve a proeza de colocar o grupo em 7º lugar nos EUA e 20º no Reino Unido. Além de ser bem recebido pela crítica, os fãs saudaram o disco como a volta do bom e velho Jethro tull ao estilo que o consagrou, embora tenham se tornado um grupo mais experiente. Um clássico da discografia da banda.


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Sobre o álbum

Minstrel In The Gallery

Álbum disponível na discografia de: Jethro Tull

Ano: 1975

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,42 - 12 votos

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