Resenha

Quiet Storms

Álbum de Galahad

2017

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

20/10/2017



A banda exibindo um lado mais contemplativo e suave

Após cinco anos a Galahad está de álbum novo. Quiet Storms é caracteristicamente um disco “diferente”, exibindo um lado mais contemplativo e suave para a personalidade da banda. Mas de qualquer forma, a banda nunca teve medo de experimentar e sair em diferentes caminhos e direções através da sua carreira de mais de vinte cinco anos.

Quiet Storms é uma continuação do CD duplo When Worlds Collide de 2015 em que evitaram lançar de maneira normal uma retrospectiva, onde não apenas tratava-se de uma compilação, mas regravaram e re-imaginaram muitas de suas antigas músicas. Em Quiet Storms a banda reescreve de forma semelhante uma série de músicas mais antigas, mas as interpreta de forma diferente das versões originais.

O álbum abre com “Guardian Angel” através de um piano adorável e simples apoiado por belos e sinceros vocais. Uma interpretação cristalina e que está bem longe da sua versão frenética e original do disco Beyond The Realms Of Euphoria. “Beyond the Barbed Wir”, originalmente lançada em Battle Scars, segue um caminho semelhante, mas com adicionais de violões. Como sugere a ambiguidade do título do álbum, músicas como esta podem ser transmitidas de maneira mais sutil e pastoral, mas ainda assim passarem ao ouvinte a intensidade de suas versões originais através de uma maior clareza das letras e com uma sensação de restrição musical que tem seu poder próprio.

Algumas das características mais notáveis de Quiet Storms são as escolhas incomuns de covers, indicando que a Galahad não é estreita quando diz respeito aos seus limites musicais. Anteriormente lançada como single, “Mein Herz Brennt” é uma canção originalmente composta pela banda alemã Rammstein. Nicholson canta em alemão sobre um leve piano e violino que a deixa uma galáxia de distância da versão original. Os vocais dão a canção um ângulo pessoal. É uma música encantadora e em minha opinião deveria está na posição de última do álbum.

“Termination” tem sua versão original no disco Empires Never Last e reapresentada aqui em um dueto doce e melancólico, os vocais são divididos com Christina Booth da banda Magenta, retomando sua contribuição menos restrita que a original. Apesar de uma abordagem mais silenciosa, este é um caso de que “menos é mais” á medida que a emoção goteia de cada nota ao invés de ser “sufocada” por uma sonoridade mais alta e pesada.

Algo interessante em relação ao som deste disco é que ano passado o guitarrista de longa data da banda, Roy Keyworth deixou o grupo e isso pode explicar em partes o porquê do álbum apresentar de maneira proeminente os teclados de Baker e a voz de Nicholson e muito menos guitarras. Nicholson em particular parece ter aproveitado a oportunidade para mostrar a versatilidade notável e o rico timbre da sua voz. “This Life Could Be My Last” começa exatamente com uma repetição de frases da faixa título como acontece em sua versão original do disco Empires Never Last, cheia de emoção sobre uma fina cama de piano acompanhada de leve percussão nos refrãos e assim a música se desenvolve de forma belíssima.

Em “Easier Said of Done”, Dean Baker mostra suas habilidades orquestrais e que são resplandecentes, ainda acrescida de uma voz que se derrama feito mel em uma música originalmente ouvida em 1999 no disco Following Ghosts. Na faixa ainda tem uma grande participação de Sarah Bolter que acrescenta um delicioso clarinete para ajudar a transformar isso em verdadeira pérola. Quiet Storms também tem algumas músicas originais, a translúcida "Willow Way" brilhando como um raio solar musical e lírico em um disco frequentemente obscuro. Os sons do campo são acompanhados por um bonito teclado e suaves violões que fluem bem e de maneira pastoral.

Mesmo quando o ouvinte acha ter o controle da direção que o álbum está tomando com versões em grande parte de piano e gentis vocais, a banda dá uma virada em “Melt”, um pop sintetizado e ecoado por sonoridades 80’s, e que também carrega sutis e emotivas linhas de piano.

Queria falar rapidamente sobre duas faixas não mencionadas e que para os meus ouvidos confesso que me mostrou que nem todo o álbum funciona com eficácia, sendo assim, “Iceberg” e “Shine” não possuem a mesma sutileza e o impacto do resto álbum, mas isso no fim das contas segue o fluxo natural da experimentação, onde nem sempre funciona para todos. Mas são apenas pequenas queixas que em momento algum diminuem o brilho e a experiência positiva da grande maioria do disco.

Alguns fãs de longa data e admiradores da orientação progressiva da banda podem lutar um pouco pra absorver a direção escolhida pelo grupo em Quiet Storms, mas aconselho persistir e não abandonar após a primeira audição, pois pode com o tempo encontrar nessa abordagem pastoral algo edificante. A banda encontrou aqui a sua busca? Claro que não, até mesmo porque eles nunca procuraram por nada. A banda não quer achar algo que os façam parar com suas mudanças, afinal, a Galahad é uma banda que sempre preferiu a jornada do que buscar do chegar ao destino.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Quiet Storms

Álbum disponível na discografia de: Galahad

Ano: 2017

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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