Resenha

On An Island

Álbum de David Gilmour

2006

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

03/04/2020



Um disco que não emociona, mas satisfaz

Se existe algo de que eu não consigo esquecer a sensação, esse algo é a ansiedade que senti desde o momento que eu soube que o David Gilmour trabalhava em um novo disco solo, até quando enfim coloquei aquele CD pra rodar e tirar as minhas primeiras impressões. A primeira coisa que eu tinha que colocar na minha cabeça era que isso não era um disco do Floyd, mas não foi fácil, tendo em vista que On an Island tem uma grande veia floydiana. Senti certa semelhança com o Division Bell no que diz respeito a música, ainda que fosse um pouco mais convencional. Algo muito bom de perceber na época – até hoje segue assim – é que o David Gilmour tirando a aparência, ele permanece intacto, sempre com aquele vocal deslumbrante e um estilo de tocar guitarra que é puro requinte. 

"Castellorizon" inicia o disco mais ou menos da maneira que eu de fato havia imaginado, em um clima espacial e atmosférico e que me fez lembrar um pouco a “Signs of Life” que inicia o A Momentary Lapse of Reason, mas logo são acrescidos alguns cortes sinfônicos e sutil coro feminino. Gilmour então entra com o seu estilo inconfundível acompanhado “apenas” por uma orquestra até dar lugar à próxima faixa. 

"On an Island" segue o álbum agora com uma seção rítmica que mistura o som do Pink Floyd com algo parecido com a Barclay James Harvest. Além da ótima voz de Gilmour, a música ainda oferece em seu coro o apoio de Crosby e Nash. Melodia bastante agradável e solos de guitarra que fazem o ouvinte pensar em algo entre o primeiro disco de Gilmour e o Division Bell. Novamente é acentuada com uma orquestra de fundo que valorizam anda mais a ideias de David. 

“The Blue” é mais uma música suave e agora com um bom uso de gaita. Apesar do seu nome, tem uma “explosão de cores” que são muito agradáveis. Em determinado momento Gilmour começa um dos seus solos “arrastados” e lentos, mas de certa forma soando diferente de tudo o que foi feito no Pink Floyd antes. 

“Take A Breath” começa meio sombria antes dos primeiros vocais de Gilmour. Uma boa música dirigida por boas texturas de guitarra acompanhada por uma seção de cordas que entra e sai com a guitarra. No meio tem um solo de guitarra muito bonito, sutil e agudo. A faixa entra em um som “fantasmagórico” ao melhor estilo, “Echoes”, antes de regressar com força total e chegar ao fim. Uma música muito boa e menos sutil do que estava sendo apresentado no disco até aqui. 
 
“Red Sky At Night” é uma pequena peça instrumental em que Gilmour solta um pouco à guitarra e experimenta o saxofone, apoiado por teclado e uma nuance ambiente. Inclusive, ele desempenha muito bem esse lado saxofonista. Essa parte sonora atmosférica do disco emenda diretamente com o início da faixa seguinte. 

“This Heaven” é uma balada que tem uma entrada meio blueseira. Os vocais de Gilmour mais uma vez estão ótimos, a guitarra vai fazendo aparições curtas antes do solo, acompanhada de um riff acústico e uma seção de cordas. No fim da faixa o guitarrista satisfaz o ouvinte que espera um solo floydiano. 

“Then I Close My Eyes” tem como maior atração a participação do lendário Robert Wyatt. Uma peça acústica bastante suave e relaxante. Violão, pinceladas de guitarra e bateria suave. Wyatt toca percussão, corneta e faz as poucas vozes existentes. Tudo é muito sutil e bastante bonito nessa faixa. 

“Smile” é uma música já familiar para a maioria dos fãs – ou mesmo todos eles – já que havia sido tocada durante os shows em 2001 e apresentada no DVD In Concert. É uma bela canção de amor, acústica e que soa floydiana. Curiosamente é que essa música não me cativou muito no DVD, mas aqui as coisas estão bem melhores. 

“A Pocketful Of Stones”, assim como aconteceu com a primeira faixa, essa aqui também se inicia com uma reminiscência em “Signs of Life”. Os primeiro vocais são acompanhados apenas de piano, intercalando com pequenas partes sinfônicas, que se fundem no final. Mais próximo do fim, a faixa tem voz, piano e uma guitarra sutil ao fundo e que pula para frente antes que “A Pocketful Of Stones” chegue ao fim. 

“Where We Start” curiosamente uma música que se chama “onde começamos” é exatamente onde terminamos o disco.  Possui uma sensação suave e que marca principalmente a segunda metade do disco. Órgão, bateria e uma guitarra sempre se “lamentando” é o que a música oferece, além de uma seção mais orquestral que acompanha mais um belo solo. Uma música suave pra terminar um disco suave, não poderia ser melhor. 

Apesar de várias vezes eu mencionar o nome Pink Floyd ou algo relacionado à banda durante a resenha, e ter dito no início que o disco de certa forma tem uma veia floydiana, On an Islands deve ser visto principalmente como um esforço solo de um dos maiores guitarristas da história da música. Não possui grande complexidade em termos de construção das suas faixas, algo inclusive que deixa ele acessível a muitos ouvidos. Vale ressaltar também que as músicas apesar de quase sempre muito bonitas, não emocionam como esperamos de um guitarrista como o Gilmour. No fim das contas, um disco que não emociona, mas satisfaz.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

On An Island

Álbum disponível na discografia de: David Gilmour

Ano: 2006

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,5 - 2 votos

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