Resenha

Sleeping In Traffic - Part One

Álbum de Beardfish

2007

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

02/04/2020



Estruturas dinâmicas e complexidades combinadas com uma boa melodia

Beardfish é facilmente uma das cinco melhores bandas de rock progressivo surgidas no século XXI, mas que infelizmente depois de oito discos de estúdios lançados, chegou ao fim em 2016. Um exemplo clássico do que muitos chamam de retro prog. Beardfish faz com verdadeira maestria uma evocação do período clássico da década de 1970 usando técnicas associativas em vez de simplesmente emular estilos e melodias já criadas, aplicando incríveis habilidades de composição e musicalidade. 

“On The Verge Of Sanity” começa com umas nuances através de um som de acordeão e se move perfeitamente para a explosão introdutória da música seguinte. “Sunrise” começa numa explosão musical otimista. Logo de cara já nota-se algo impressionante no tipo de música fornecida, algo maravilhoso. De natureza bastante sinfônica, também é possível notar elementos da Van der Graaf Generator. A melodia que o vocal segue é bastante cativante e a inclusão de uns gritos executados pelo baterista Magnus Östgren deixam a música por vezes mais poderosa. Um começo de disco sensacional. 

“Afternoon Conversation“ é basicamente uma música sem bateria – exceto por umas batidas de bumbo – com um trabalho de guitarra sensacional, me fazendo lembrar inclusive do mestre Steve Howe do Yes. Serve como uma bela pausa e que flui naturalmente com uma melodia incomum. Essa música de torna mais cativante cada vez que eu a escuto. 

“And Never Know” mais uma vez a banda mostra que dentro das originalidades deles, sempre fazem com que a associemos a uma banda clássica de rock progressivo, nesse caso o começo da faixa parece o King Crimson. Às vezes também eu sinto um pouco de semelhança em Jethro Tull, mas não por conta de algum momento de flauta, mas como a guitarra é tocada, me remetendo a “Too Old To Rock n Roll, Too Young To Die". Os vocais às vezes são enérgicos e envolvem notas altas no seu estilo de cantar. 

“Roulette” o começo lembra um pouco os também suecos da A.C.T ou mesmo o Supertramp pra ser um pouco mais preciso. No entanto, assim que o teclado entra de maneira solo e logo em seguida recebe a companhia dos primeiros vocais, acabam as semelhanças e percebemos estarmos diante de uma peça de estilo original. O trabalho vocal é único e excelente, muito bem combinado com o piano/órgão. Esta faixa com seus mais de doze minutos se move maravilhosamente com vários estilos e combinando vários elementos diferentes. Nenhuma novidade até aqui, mais uma música incrível. 

“Dark Poet” fornece um estilo de música ao melhor estilo Beatles com um belo trabalho de piano que acompanha os vocais. Uma música simples, mas muito bonita. “Harmony” reúne elementos do King Crimson e Gentle Giant, além de trazer também um leve sabor de Procol Harum. Mas a influência de mais evidência fica por conta do Gentle Giant. A princípio creio que o fluxo dessa música possa parecer até mesmo um pouco estranho para algumas pessoas, mas comigo funciona muito bem. Os vocais cantam notas altas e baixas lindamente. 

“The Ungodly Slob” mostra mais uma vez que eles estão no seleto grupo de bandas que produzem o que de melhor o rock progressivo contemporâneo tem a oferecer. Possui uma estrutura bastante dinâmica que combina arranjos complexos com trabalhos inventivos de teclado.

“Year Of The Knife”, novamente o começo faz lembrar alguma música do Gentle Giant. Com um ótimo trabalho de guitarra, a partir da entrada dos vocais percebe-se uma linha clássica de rock and roll, de pegada parecida com Beck, Bogert & Appice. Apesar das menções em outras bandas, a música tem um estilo único. Os trabalhos de guitarra e bateria se destacam, mas vale ressaltar mais uma vez a ótima linha vocal.

“Without You” é mais um dos momentos de serenidade do disco. Uma balada com excelente trabalho de violão e um acompanhamento vocal suave. “Same Old Song” é a faixa que finaliza o disco. Ótimo trabalho de guitarra, letra emocional, boas texturas de teclados e mais uma vez excelentes vocais. 

Resumindo, esse disco tem potencial pra se tornar um clássico do rock progressivo do século XXI, combinam muito bem estrutura dinâmica e complexidades combinadas com uma boa melodia. Diria que para aqueles que são novos na música progressiva, talvez esse álbum não o atinja tão rápido, mas caso músicas de bandas como King Crimson ou Gentle Giant, por exemplo, façam parte da sua rotina musical, não haverá problema em digerir esse excelente álbum.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Sleeping In Traffic - Part One

Álbum disponível na discografia de: Beardfish

Ano: 2007

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 2 votos

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