Resenha

The Divine Conspiracy

Álbum de Epica

2007

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

02/04/2020



Uma experiência emocional entre intervalos edificantes e sombrios

A primeira vez que me deparei com o nome Epica, foi em uma revista que tinha uma breve resenha do seu disco de estreia lá em 2003. Isso que dizer que conheço o som da banda a muito tempo? Negativo, a primeira vez que parei pra ouvir de fato algo do grupo aconteceu somente mais de dez anos depois. Eu sabia que não iria me deparar com nada singular, além de que sua música estaria dentro da semelhança dos sons encontrados em bandas sinfônicas de power metal, mas nem por isso deixou de ser uma boa experiência musical.

Até penso em escrever sobre outros discos da banda aqui no site, mas escolhi para essa primeira resenha, The Divine Conspiracy, pois pelo que vejo, costuma ser visto por uma maioria como o maior feito alcançado pela banda ao menos até hoje, dia em que escrevo essa resenha. A princípio esse álbum me pareceu meio restrito em termos de composição e fluxo geral das músicas, mas com o tempo isso desapareceu pelo menos parcialmente. Todas as músicas possuem notas cativantes tanto nas melodias da linha vocal, quanto nos solos. Como já é de se esperar, o estilo sinfônico com camadas de teclado é predominante em todas as músicas, além de boas harmonias vocais e coros. 

“Indigo – Prologue” é uma breve introdução ao disco através de uma atmosfera sinfônica com coros e que vai crescendo em intensidade até explodir no início da faixa seguinte. “The Obsessive Devotion” começa com os bumbos de pedal duplo que trazem a música pra um ritmo muito acelerado com fortes teclados orquestrais ao fundo. Agora em um ritmo desacelerado os vocais de Simone entram pela primeira vez e são apoiados por vocais masculinos às vezes guturais, e às vezes operísticos, o que torna a música mais poderosa. Há uma parte central em que os teclados fornece uma seção de cordas meio oriental. Por volta de 3:45 se inicia o interlúdio musical com arranjos de corda, seguido por um trabalho muito bom de guitarra e uma explosão instrumental que é aumentada por coro e vocal gutural. Excelente faixa. 

“Menace Of Vanity” começa com um solo de teclado, seguido por riffs pesados de guitarra. É uma música em um ritmo bastante acelerado, com bateria em pedal duplo, palhetadas velozes de guitarra, baixo cavalar e teclado ao melhor estilo sinfônico e como manda o figurino do gênero. Os coros e harmonias vocais funcionam muito bem. 

“Chasing The Dragon” faz algo que eu acho interessante em um disco assim, ou seja, coloca um freio naquela metralhadora instrumental que o álbum estava produzindo até o momento, e que se não for bem regulada poder tornar maçante. É uma música em um estilo suave com belos arranjos sinfônicos. Após por volta dos 5:00 a música passa para uma parte grandiosa e é seguida por uma levada agora de ritmo mais rápido e que a torna enérgica.  

“Never Enough” é uma música muito bonita, especialmente pela excelente abertura, que é basicamente uma combinação de riffs pesados de guitarra com arranjos de cordas, enquanto que bateria e baixo deixam tudo mais sólido. A melodia vocal é cativante. Se comparar com muitos outros momentos do disco essa faixa é bem simples, mas às vezes algo simples é capaz de transmitir uma boa energia para o ouvinte, exatamente o que acontece comigo aqui. Eu amo essa música. 

“La'petach Chatat Rovetz - The Final Embrace” explora o violão em nuances ambientais, com boas texturas que lembram a música oriental, especialmente quando a percussão também entra na música. Parece a abertura de um filme. Então que vai se transformando para emendar em um metal poderoso na faixa seguinte. 

O que tem a seguir são três faixas com cada uma representando uma das partes de The Embrace That Smothers, “Death Of A Dream”, “Living a Lie” e “Fools Of Damnation”. Todas as partes são bastante orquestrais e atmosféricas. Mesmo que eu não seja um grande conhecedor da banda, acho que é normal dizer que aqui eles estão no seu melhor. Riffs pesados, baixo dinâmico, bateria trituradora e teclado enérgico, às vezes amenizado em um clima quase angelical por melodias e arranjos que oxigenam o ouvinte entre uma explosão instrumental e outra. Os vocais sempre liderados por Simone, às vezes ganham pinceladas de auxilio gutural. Uma trilogia musical que evoca sentimentos mistos. Excelente.

“Beyond Belief” começa bastante pesada e rápida, em seguida é acionada por uma melodia suave e muito bonita, e assim ela vai se intercalando muito bem. A mistura de vocais operísticos, - e raro momento gutural - orquestra e riffs de guitarras pesados é excelente. Termina com um efeito de batimentos cardíaco. 

“Safeguard To Paradise” é uma música simples e tranquila, instrumentada apenas por piano e leve orquestração, tem um brilhante trabalho vocal de Simone, inclusive me fazendo lembrar um pouco de Sally Oldfield. 

“Sancta Terra” começa com as já tradicionais cordas sinfônicas. Possui passagens lentas misturadas com os padrões métricos mais velozes da banda, muita mudança de tempo nas seções rítmicas e coral. O conjunto de corais nessa música dá ao ouvinte uma sensação de catedral gótica. Esse tipo de tratamento vocal em várias camadas é sem dúvida algum um dos destaques na música da Epica. 

“The Divine Conspiracy” conclui o disco de maneira maravilhosa, possui bela orquestração, melodia cativante durante o vocal, ótimos intervalos entre os segmentos e uma composição consistente. Um dos pontos fortes dessa música é justamente essa composição consistente e que também combina muitos estilos sempre com todos eles bem direcionados. O fluxo da música é interessante e em minha opinião se move como um épico deste deve se mover, abordando uma nuance de humores em sua atmosfera e movimentos múltiplos. Esse é um tipo de música que daria pra destrinchar ela em uma longa descrição, mas creio que a essencial já foi dito. Extremamente empolgante e facilmente a melhor faixa do álbum. 

No geral esse é um disco de clima impressionante e que vai do celestial ao extremamente sinistro em fração de segundos. Por ouvir tão pouco a banda, o disco me soa basicamente como algo novo, me dando a oportunidade de sentir uma “surpresa” agradável. Vale lembrar que se trata de um disco conceitual, onde a ideia principal é mostrar o poder que a religião teve sobre as pessoas em todos seus períodos. The Divine Conspiracy é uma experiência emocional entre intervalos edificantes e sombrios.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

The Divine Conspiracy

Álbum disponível na discografia de: Epica

Ano: 2007

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,83 - 3 votos

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