Resenha

UK

Álbum de UK

1978

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

31/03/2020



O primeiro supergrupo de rock progressivo da história

No final dos anos 70 o baterista Bill Brufford estava gravando álbuns com um combo de jazz rock que levava seu sobrenome. Em uma das pausas, encontrou-se com o baixista e vocalista do King Crimson John Wetton. Em uma rápida conversa, os dois músicos procuraram Robert Fripp, guitarrista e líder do King Crimson para que este reformasse a banda e juntos gravassem novamente. Fripp recusou veementemente tal proposta e a dupla decidiu que faria algo junto em algum projeto. 

Ficou acertado que cada um deles traria um novo músico para o grupo a ser formado. Wetton trouxe Eddie Jobson, tecladista e violinista que havia feito nome no Roxy Music e estava tocando com Frank Zappa, tendo gravado o clássico “Zappa in New York. Brufford se lembrou de Alan Holdsworth, fantástico guitarrista que havia integrado o Gong e o Soft Machine e tinha participado do primeiro disco de sua banda um ano antes.

O grupo recém formado entrou no Trident Studios em Londres no natal de 1977, com milhares de ideias e experimentações. Quatro músicos virtuosos acima da média  conseguiram harmonizar suas diferenças musicais e gravar faixas com estrutura sonora do rock progressivo, mas com forte influência de fusion, toques de eletrônica,  muitas variações rítmicas e andamentos sincopados como era de se esperar pelo histórico do quarteto.

“In The Dead of Night” abre o petardo com o baixo seguro de Wetton e os teclados de Jobson. Seu refrão tem um pezinho no AOR, assim como riff da guitarra. A faixa, primeira de um total de três que compõe uma suíte, foi escolhida como single do álbum;

“By The Light of Day”, começa lenta, contando apenas com a voz de Wetton e sintetizadores eletrônicos no melhor estilo Tangerine Dream. O refrão e a harmonia são baseadas na musica anterior, embora o andamento seja bem mais arrastado. O violino de Jobson dá o toque final na balada;

Compondo a terceira arte da “ In The Dead Of Night (Suite)”, temos "Presto Vivace e Reprise", uma  faixa curta com uma entra muito parecida com que jobson fazia na banda de Zappa. Logo a faixa inicial retorna para encerrar a suíte;

“Thirty Years” é extremamente sinfônica e orquestrada, totalmente calcada em camadas de teclados e no violino elétrico. Holdsworth faz pequenas incursões no violão e guitarra. O vocal de Wetton é melancólico. Brufford só aparece no meio da canção de oito minutos, quando o tema se torna mais dinâmico e sincopado. Os teclados continuam como fio condutor das harmonias, fazendo base para a guitarra jazzy aparecer em altos solos;


E então temos “Alaska”, uma composição de Jobson feita especialmente para testar o recém lançado sintetizador Yamaha CS-80. É um tema que beira o new age, com diversas camadas etéreas de sintetizador sobrepostas em uma longa introdução. Na segunda parte da canção o restante do grupo finalmente aparece, com um dos melhores arranjos já criados. Brufford mostra que estava anos luz à frente de qualquer outro baterista na visão de seu instrumento e Holdsworth demonstra que sua nova maneira de harmonizar com a guitarra era insuperável;


“Time to Kill” tem uma concepção harmônica muito parecida com o que fazia o Gentle Giant. Base vocal em cima de andamentos inusitados e intrincados, mesmo nas partes mais dinâmicas. Novamente temos um refrão na cola do estilo AOR. A parte central da canção parece ter sido criada no estúdio, em total improviso; 

A canção “Nevermore” se inicial com Allan demonstrando seus dotes no violão, amparado por teclados ao fundo. Os vocais entram a frente da bateria jazzística de Bill. O tema possui muitas variações com destaque para John Wetton, tanto na condução do baixo como nas harmonizações vocais. Jobson e Holdsworth demonstram o quanto estão afiados nos solos; 

Por fim, temos “Mental Medication”, que surge com vocais arrastados, com Wetton dando pausas entre as estrofes até a entrada de guitarra e bateria, onde impõe uma atuação mais energética, beirando a interpretação de Peter Gabriel na época do Genesis. É uma canção midi-tempo, com boas camadas de teclados, tendo sido escolhida como o segundo single do álbum;

Com sua formação estelar e imensa gama de influências apresentada, Uk pode ser considerado o primeiro supergrupo de rock progressivo da história, com seu álbum de estreia chegando as lojas em março de 1978. 

O grupo sairia em turnê, mas não duraria muito, uma vez que Holdsworth e Bruford retomariam os trabalhos da banda deste ultimo. O grupo continuaria ainda por um breve período como um trio após a chegada do baterista Terry Bozzio.


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Sobre o álbum

UK

Álbum disponível na discografia de: UK

Ano: 1978

Tipo: CD/LP

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