Resenha

Welcome To The Freakroom

Álbum de Shadow Circus

2006

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

28/03/2020



Rock progressivo despretensioso, divertido e agradável

Há um tempo eu já havia visto o nome dessa banda em alguns lugares, assim como algumas vezes já me pediram pra ouvi-la e eu por algum motivo não tinha tanto interesse assim em fazê-lo. Então que finalmente decidi ouvir os seus três discos, sendo, Welcome To The Freakroom, o primeiro deles e lançado em 2006. 

O disco abre com uma faixa homônima ao nome da banda, “Shadow Circus”, uma música com uma melodia meio circense que começa a diminuir a intensidade enquanto que o mellotron entra em crescimento introduzindo uma explosão de teclado que lembra os estilo do Clive Nolan e links diretamente para os vocais rítmicos. Essa música é muito bem desenvolvida e serve não apenas como introdução ao álbum, mas também à banda. Ótimo começo. 

“Storm Rider” começa com um teclado forte que logo ganha a companhia da bateria, os vocais devo admitir que aqui soam um pouco estranhos, mas ainda assim combinam bem com a música. Ela se desenvolve de maneira rápida e vibrante, com boas mudanças de andamento e uma linha de piano incrível, além, claro, de guitarras fortes como manda o figurino das bandas de rock progressivo estadunidenses.  Vale ressaltar também o refrão que tem uma espécie de atmosfera country progressiva (seja lá o que isso for). 

“Inconvenient Compromise” já começa mostrando que será uma faixa mais pomposa, a banda nos toca com tudo o que têm, mas depois tem uma mudança radical e entra uma seção que faz lembrar o pouco o Yes no disco Going for the One, mas antes que o ouvinte se acostumar com a música ela sofre novamente uma mudança que o leva a um território mais suave e melódico, apenas como ponte pra nova mudança pra uma linha mais hard rock liderada por bons vocais. Isso é o que eu considero exatamente o progressivo, mudanças constantes e ao mesmo tempo sempre com o controle do que está acontecendo. Uma música simplesmente brilhante. 

“Radio People” é a música que faz o papel do momento cativante do disco. Fornece um órgão quase psicodélico, mas apesar de alguns excessos (que particularmente eu inclusive gosto), temos aqui uma boa faixa de hard rock. Não tem nenhuma complexidade (principalmente se comparada com a faixa anterior), mas ainda assim é muito boa e possui arranjos excelentes. 

“In The Wake Of A Dancing Flame” começa com um órgão atmosférico, seguido por guitarra e uma bateria suave, juntos funcionam muito bem como uma espécie de power ballad meio orientada para a música psicodélica, principalmente por conta dos teclados que parecem terem sido tirados dos anos 60, o trabalho de guitarra também combina perfeitamente, faixa é muito boa e novamente eu sinto um pouco de Southern rock no som da banda, acho que apesar de serem uma banda d e rock progressivo esses caras também gostam de apreciar o rock do sul do seu país.

“Journey Of Everyman” é a faixa mais longa e que também que encerra o álbum. Dividida em três partes foi baseada no romance O Talismã, escrito por Stephen King em 1983. Antes de ouvir esse som eu falei pra mim mesmo que eles reservaram o melhor para o fim. Começa com um bom solo de piano até que a banda explode com uma seção de guitarra e teclados que tocam no limite do sinfônico e hard rock. Então o ouvinte pode esperar pode esperar qualquer coisa por vir, moogs, mellotron, violoncelo, tudo que seja capaz de tornar o rock progressivo algo tão bom. Sempre que há alguma mudança de andamento elas são dramáticas, mas sem jamais perder a continuidade. Esse é o tipo de música feita por uma banda do século XXI com potencial pra satisfazer até mesmo o amante mais saudosista e exigente de rock progressivo 70’s. Do começo ao fim uma viagem onde à música é extremamente condizente com a narrativa. 

Welcome To The Freakroom é um disco essencial a qualquer amante de rock progressivo sinfônico que não tem problema com a escola mais moderna do gênero. Musicalmente impressionante, a banda não aborda um virtuosismo instrumental intimidador, uma confusão lírica ou complexidades composicionais, mas mostra com maestria que a música progressiva não precisa ser séria o tempo todo. Rock progressivo despretensioso, divertido e agradável.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Welcome To The Freakroom

Álbum disponível na discografia de: Shadow Circus

Ano: 2006

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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