Resenha

From The Witchwood

Álbum de Strawbs

1971

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

27/03/2020



Cheio de músicas delicadas, pastorais, inteligentes e grande sensibilidade.

Strawbs é aquele tipo de banda que o tempo desde que a conheci vai passando e eu nunca pareço conseguir cataloga-lo. Mas isso é fundamental? Claro que não, o importante é que a banda faça uma música boa e isso eles sabem muito bem. Passeando, por exemplo, pela musica progressiva, folk, celta, psicodélica entre outras, a banda sempre desfila com canções de extremo bom gosto. Esse disco em especial vou encarar como prog/folk. 

Já vi muitas pessoas falarem o nome desse disco e mesmo o valorizarem unicamente por conta de Rick Wakeman, que é um dos músicos envolvidos, sendo a sua última experiência em um grupo musical antes de se juntar ao Yes. Mas sinceramente, isso é bastante injusto, From the Witchwood é muito mais do que isso, vocal e todos os músicos são de primeira linha e certamente que a Strawbs faria sucesso mesmo se Wakeman nunca tivesse se juntado a eles. 

 Mas como citei o nome dele, é certo dizer que o trabalho de Rick Wakeman é simplesmente incrível, não no sentido em que estamos acostumados (com solos longos e incríveis, sendo quase um segundo vocalista), mas porque ele trabalhou para a banda deixando suas ambições pessoais para trás.

O disco começa com duas ótimas canções folk, “Glimpse Of Heaven” e “Witchwood”. A banda desenvolve em ambas a atmosfera que será predominante em todo o álbum. Duas músicas muito boas. 

“Thirty Days” tem uma sonoridade que lembra a música hindu, principalmente por conta do uso de citara que pode ser ouvido durante praticamente toda a faixa. Essa influência hindu não nos faz esquecermos das raízes psicodélicas da banda, algo muito comum no final dos anos 60 e começo dos 70, onde bandas foram capazes de tentar um novo caminho, mas sem deixar os seus trações psicodélicos. 

“Flight” é uma faixa que no mesmo tempo que me lembra algo dos Beatles, eu não sei dizer qual música exatamente seria, “Sun King” talvez, o refrão é bem característico com o que os Beatles faziam durante a sua era mais psicodélica. Novamente um exímio trabalho de citara que dá para a música uma sensação mais forte, assim como o piano mais pra parte final. Uma faixa extremamente bonita e suave. 

“The Hangman And The Papist” é pra mim sem a menor dúvida a melhor faixa do álbum. Logo no seu início Wakeman dá uma palhinha do seu poder de fogo nas teclas, inclusive mostra como o seu som irá se desenvolver pelos próximos pelo menos dois anos. As letras são bastante fortes e dramáticas (algo como um carrasco que encontra a próxima vítima, sendo essa o seu próprio irmão). A música segue sempre em uma crescente e a bateria está perfeita em um ritmo de marcha. Uma verdadeira obra-prima seja pela música ou pelo conceito. 

“Sheep”, uma música que é pura psicodelia britânica. Os teclados (soando como um órgão farfisa) não são nada menos que incríveis. No seu último terço existe uma mudança de sonoridade e ela fica mais suave, onde os teclados mantém a atmosfera original, mas tocados em um volume mais baixo. 

“Canon Dale”, fácil sentir mais uma mudança, mesmo que o lado mais suave prevaleça Wakeman aqui acrescenta muita atmosfera progressiva com teclados maravilhosos, inclusive soando mais como os feitos em sua carreira solo do que nos tempos de Yes. 

“The Shepherd's Song” traz o disco novamente pra uma sonoridade pastoral, transmite uma grande sensação de paz e tranquilidade. Aqui é outro ponto do disco onde novamente sinto influência dos Beatles, principalmente no efeito de longas seções vocais, algo que inclusive é maravilhoso e apenas cortado por algumas pequenas passagens de teclado. 

“In Amongst The Roses” é uma música muito delicada e 100% folk. As misturas de vozes são relaxantes, violão acentuando o sentimento bucólico, uma trilha belíssima dentro de uma simplicidade encantadora. Esse é o tipo de som ideal pra ouvir, por exemplo, depois de um dia difícil ou quando se encontrar possuído pela raiva, certamente essa canção vai lhe dar o abraço que você precisa. 

“I'll Carry On Beside You” é outra música folk maravilhosa, mas não tão calma como a anterior. É fácil sentir o poder dos vocais, bateria e piano, soando tudo quase como uma espécie de hino celta, no meio há um solo de guitarra elétrica que é muito bom e quase chegando ao fim novamente o teclado acrescenta uma atmosfera psicodélica. Som perfeito pra finalizar o disco, tem inclusive cara de fim de show. 

Um disco excelente e que qualquer amante de uma boa música precisaria ouvir pelo menos uma vez na vida. Não é enérgico ou barulhento, mas suave em sua maior parte, cheio de sons delicados e pastorais, música inteligente e de grande sensibilidade, enfim, muitas das suas faixas são pura arte.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

From The Witchwood

Álbum disponível na discografia de: Strawbs

Ano: 1971

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 2 votos

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