Resenha

Invisible Touch

Álbum de Genesis

1986

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

26/03/2020



Invisible Touch é atroz desde a suas músicas até a capa

Estou a tempos relutando em escrever sobre algum dos discos da que eu considero a “fase negra” da minha banda favorita. Invisible Touch é um disco onde a preocupação com o dinheiro transcende e muito a com a arte, não sendo nem mesmo a sombra do Genesis que me fez se apaixonar pela sua música. Compensa ficar divagando aqui sobre o que a banda havia se tornado? Não, pois acho que vou mencionar algum tipo de história que ninguém saiba, e mesmo se tivesse mais algo pra falar, eu evitaria me prolongar pra não deixar essa resenha maior do que ela tem que ser. Mas vamos falar sobre as músicas do álbum. 

“Invisible Touch” já inicia o disco da pior forma possível. Essa música não é rock e nem pop, é uma caricatura do que o Genesis foi um dia, acordes simples, letras tolas e a voz do Phil Collins é irritante, o que completa o crime musical. 

"Tonight, Tonight, Tonight" é uma música que o Phil Collins poderia ter deixado para algum dos seus álbuns solos, mas foi incluída nesse disco creio eu que pela insistência dos outros membros. Uma balada suave, chata e extremamente arrastada, mas muito extremamente arrastada mesmo,

“Land of Confusion” é mais uma música extremamente radiofônica, não que ser radiofônico seja sinônimo de falta de qualidade, mas aqui é assim que funciona mesmo. Pop do tipo para tornar a banda mais popular e fácil de ouvir entre as pessoas que sequer sabiam que a banda existia desde a década anterior. 

“In Too Deep” é uma balada bem típica do Phil Collins, e eu gosto de muitas delas inclusive, mas aqui não funciona, sem contar que existe um excesso de doçura, digamos assim, que fica difícil de aguentar, pois é como ter uma overdose de açúcar misturado com uma dose de tranquilizante. 

"Anything She Does” tem um início tão parecido com o que foi feito na carreira do Phil Collins que dá pra se perguntar se na verdade não se trata de um disco dele, só que com Banks e Rutherford de convidados. Pop “alto astral” completamente descartável. 

“Domino” é uma prova perfeita de que nem todas as músicas com 10 minutos ou mais são épicas ou progressivas. Uma música longa sem e propósito algum, que é complexa demais pra ser considerada pop e com uma falta de qualidade e coerência pra ser considerada progressiva. Uma perca de tempo. 

“Throwing It All Away” é uma música que eu carrego com certo carinho pelas lembranças que me traz. Mas isso deve ser critério pra falar da qualidade dela? Não, as lembranças são boas, mas a música certamente é um dos maiores motivos que me faz ter vontade de fazer o disco de frisbee  e brincar com o meu cachorro. 

“The Brazilian” é uma faixa instrumental e que finaliza o disco, e digo que se o álbum fosse todo no nível pelo menos dela, certamente o resultado final seria bem menos desastroso. O riff principal é melódico e agradável, a atmosfera é interessante e pinceladas de guitarra também a valorizam. Não é nada brilhante ou fora de série, mas ainda assim é boa demais pra esse disco e ele não a merecia. 

Após ouvir esse disco que eu não ouvia há tempos, o que dizer? Baterias eletrônicas horríveis, vocais quase sempre chatos, baladas enjoativas e algumas músicas dançantes, esses são algumas das barras que o ouvinte tem que segurar se quiser ouvi-lo do começo ao fim. Um disco esquecível.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Invisible Touch

Álbum disponível na discografia de: Genesis

Ano: 1986

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,32 - 11 votos

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