Resenha

Tales from the Lush Attic

Álbum de IQ

1983

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

19/03/2020



Começando com o pé direito

Como eu já disse na resenha do segundo disco da banda, Wake, por eu ter me familiarizado com o IQ primeiramente a partir do disco Ever de 1993, eu achei meio diferente o som desenvolvido em seus discos 80’s. Muitas vezes o neo progressivo é visto tão e somente como uma cópia mal feita dos medalhões dos anos 70, sendo o Genesis a banda que o principal alvo para essas tais cópias. O primeiro disco do IQ tem uma abordagem que não tem como negar isso, já que a maioria das texturas, recursos rítmicos, construções das músicas, estilo vocal e até letras são extremamente reminiscente ao feito pelo Genesis durante a era Gabriel. Mas obviamente que seria injusto destacar a banda em seu disco de estreia como meros clones do Genesis, pois logo aqui a banda mostrava que queria ser algo muito além, tanto que Tales from the Lush Attic mostra-se muitas vezes experimental e original. 

“The Last Human Gateway” é uma música de quase vinte minutos e que abra o disco. Temos que relevar e muito que para um álbum lançado em 1983, isso é algo extremamente impressionante e mostra já o quanto à banda tinha integridade musical suficiente para compor algo incrivelmente progressivo em uma época que sabemos que o estilo não estava mais sendo bem visto. Uma suíte de várias partes com belas melodias, musicalidade complexa, passagens emotivas e composições incríveis. Aqui o IQ já mostra o porquê é vista como a mais sinfônica entre as bandas de neo progressivo. Na música também existe muitas assinaturas em tempos estranhos. Em um dos momentos é fácil a banda deixar bastante evidente qual a sua inspiração, nesse caso, “Gates of Delirium” do Yes, mais precisamente em doze minutos e meio. A música em si é toda bem desenvolvida e mostra que a banda sabe como fazer um épico atraente, algo que ficou mais claro ainda durante a sua carreira. 

“Through the Corridors” é uma música curta, mas cheia de vigor. O trabalho de guitarra é bastante violento, complexo e veloz. Às vezes a música passa um ar quase punk, mas sofre alguns “golpes” de teclados que a deixam com a linha progressiva. Acho esse som bem diferente e foge um pouco do que a banda costuma propor. 

“Awake and Nervous” se tornou a música preferida pela banda pra estar em seus concertos, sendo a que mais executada durante os mais de trinta e cinco anos de história da banda. Um fato curioso entre a minha relação com essa música é que passei a gostar mais dela depois de ver a banda a tocando ao vivo. Muito bem direcionada e emocionante, só acho que a sua passagem instrumental poderia ser um pouco maior, mas de qualquer forma, mais uma bela faixa. 

“My Baby Treats Me Right 'Cos I'm a Hard Lovin' Man All Night Long” é um solo de piano de Martin Orford e que acaba antes que você consiga decorar o título da faixa. É apenas um clichê progressivo e que não agrega muito ao disco. Mas é muito bem tocado, tanto que em minha época mais efusiva de “pianista” tinha ela como uma das músicas pra tocar. 

“The Enemy Smacks”  possui um nome que vamos concordar, é bastante bobo, mas o que importa mesmo é a música e isso é impressionante. Com quase catorze minutos de duração, ela faz o disco terminar tão bem quanto começou. Tem ótimas mudanças de andamento, composições progressivas incríveis e uma seção instrumental maravilhosa que mistura linhas progressivas com blues e que não poderia soar mais original, algo ótimo pra uma banda de neo progressivo de uma época onde as críticas eram ferrenhas por serem meros “clones”. Nada melhor do que terminar um disco de maneira tão épica. 

Tales from the Lush Attic foi sem dúvidas um dos faróis mais brilhantes no deserto progressivo conhecido como anos 80. Por mais que sempre existam os saudosistas, bandas como IQ, Marillion, Pendragon e Pallas surgiram pra dar continuidade ao rock progressivo, e assim o fizeram com propriedade, influenciando-se no passado e criando novas tendências. Enfim, Tales from the Lush Attic, mostra uma banda começando com o pé direito.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado pela música progressiva em todas as suas facetas."

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Sobre o álbum

Tales from the Lush Attic

Álbum disponível na discografia de: IQ

Ano: 1983

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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