Resenha

Moonmadness

Álbum de Camel

1976

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

16/03/2020



A era de ouro de um gigante progressivo

Comentar sobre essa lendária banda é sempre prazeroso, todavia foi minha paixão progressiva ao lado de Yes, Eloy e Rush (quando mergulhou no movimento).
É compreensível que não tenham atingido o status e fama dos medalhões progressivos, até porque uma banda de propósito instrumental nos anos setenta, dificilmente atingiria uma clientela fora do nicho prog. O instrumental de Andrew Latimer e cia são de fácil assimilação e capturam a atenção logo de primeira, o que não acontecia em grupos como Gentle Giant, por exemplo.
Moonmadness é o fim de uma etapa considerada a era de ouro para o Camel, também a última formação clássica. O baixista Doug Ferguson deixou a banda - dizem que foi para seguir seu sonho como jogador de futebol, não tenho informações precisas quanto a isso.
Em relação ao anterior Mirage, temos um disco menos psicodélico, mais flutuante, melódico e sem abandonar as tradicionais passagens instrumentais de leve acento de jazzístico.

A curta instrumental Aristillus é um tanto estranha, construída somente com teclados, transcendendo numa viagem suave e espacial. Por muito tempo achei Aristillus deslocada de Moonmadness, demorando para sacar que a mesma caia bem no conceito restante.

Song Within A Song cantada por Doug Ferguson, tem melodias assoviáveis com delicadas e relaxantes notas de flauta e teclado, que em grande parte sustentam toda a harmonia. Segue seu curso de calmaria até ganhar pegada com guitarras e acordes de teclado similares aos usados na introdução de Lunar Sea. Peter Bardens faz um solo magnifico de moog, de uma forma totalmente as avessas dos tecladista convencionais. Por sua performance genial, principalmente nesse disco e em Mirage, tende a ser meu tecladista favorito de todos os tempos.

Chord Change tem ritmo atrativo, destacando a bateria de Andy Ward no uso do chimbal e contratempos. O momento sublime fica no solo de guitarra, uma aula de melodia em notas cristalinas como água de fonte. A musicalidade e feeling de Latimer ultrapassam tudo que a gente sabe sobre música, algo absurdo. Interessante que após essa parte os teclados criam frases numa frequência bem parelha ao dividir o papel com a guitarra.

A experiência de ouvir Spirit of the Water é quase espiritual e calmante para a alma. A simplicidade vai tanto para o instrumental e a letra;
"Sozinho e todos juntos
Todos os dias, venha o que vier
Até o momento encontramos uns aos outros
Podemos viver, podemos morrer
E nada disso impede que o rio flua"

Another Night é a canção mais rocker, refletindo uma regressão ao debut de 1973. Interessante ao álbum por quebrar o elo de clima viajante que o restante toma, e após uma dose hard rock o contraponto volta com a bela Air Born, beirando a perfeição nos arranjos de teclado e flauta. A seção rítmica por vezes ofuscada pela dupla Latimer / Bardens dão um show de simplicidade e bom gosto.

Superar Air Born parecia missão impossível, eis que no final surge Lunar Sea, a viagem mais incrível do Camel em toda sua trajetória.
Lunar Sea basicamente é divida em três partes, uma, com as guitarras tomando a linha de frente, fortemente pontuadas pelas notas pedais do contrabaixo. E a outra com um dos melhores solos de moog da história, rivalizando com Cinema Show (Genesis) nessa questão. Hipnotiza de tal forma que o ouvinte sai anestesiado, como se a alma saísse do corpo e fosse dar uma volta em algum lugar do espaço.
A terceira parte chega com um solo arrebatador nas seis cordas, onde percebe-se claramente a influencia jazzística citada na primeira parte do texto. Enfim, diria que não é uma canção, e sim, um sonho de nove minutos!, daqueles que a gente reza para não terminar.

Moonmadness é um suprassumo do rock progressivo, discoteca básica.


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Sobre Marcel Dio

Nível: Colaborador Sênior

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Sobre o álbum

Moonmadness

Álbum disponível na discografia de: Camel

Ano: 1976

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,89 - 9 votos

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  • 07
    mar, 2018

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    User Photo Tiago Meneses
  • 25
    abr, 2017

    Brilhante!!!

    User Photo André Luiz Paiz

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