Resenha

In Absentia

Álbum de Porcupine Tree

2002

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

15/03/2020



Conjunto magistral de composições e quantidade certa de caracteres musicais

Estamos diante do melhor disco da Porcupine Tree? Não sei, apesar de amá-lo, creio que fico com o Fear of a Blank Planet. Agora em termos de popularidade sempre vi em In Absentia como o suprassumo da banda. Todos os instrumentos são tocados maravilhosamente bem, a produção é incrível como sempre em discos da banda, a voz de Steve Wilson é bastante suave e agradável de ouvir, principalmente quando ele canta em harmonia com ele mesmo. 

A banda parece sempre muito inspirada, mas com o benefício adicional de músicas extremamente bem criadas. Embora a estrutura das músicas não permita tanta liberdade para apresentações estendidas de musicalidade, os membros da banda usam uma abordagem equilibrada de camadas sutis e complexas, paleta de sons diversificada e a quantidade certa de pausas e silêncio. Isso com as ótimas habilidades de engenharia de som de Steven Wilson resultam em um registro que não é apenas extremamente coerente e de fluxo livre, mas também simultaneamente cru e polido. 

Os elementos pop sempre estarão presentes, sejam em maior ou menor escala, porém, sempre refinados, enquanto que as características de prog rock e metal são utilizados de maneira bem equilibrada e a mantendo com comprimentos razoáveis de músicas e impedindo-se de experimentações desnecessárias. A banda consegue muito bem não apenas organizar esse conjunto magistral de composições, mas dar a eles a quantidade certa de caracteres para manter o ouvinte envolvido.

“Blackest Eyes” começa extremamente pesada, certamente um dos momentos mais pesados da banda. Mas depois se torna em algo mais simples e atraente. Steven Wilson faz um bom trabalho deixando o clima meio espacial em alguns momentos através da excelente acústica da faixa e alguns riffs pesados. O refrão é meio repetitivo, mas fica apenas como um registro, pois não chega a alterar a qualidade da música. 

“Trains” mais uma excelente música e do tipo que dar vontade até de tocar no violão. Umas mistura de ótimas nuances entre o acústico e o mais pesado. Essa música é impressionante e sempre que a escuto parece que estou fazendo isso pela primeira vez. A música no meio também é muito boa com um interlúdio que há algumas palmas e o que parece ser um banjo. Apesar de não ser a minha faixa preferida, talvez seja o pacote mais completo do álbum. 

“Lips of Ashes” começa com alguns efeitos sonoros muito interessantes, que se concentra principalmente no canto de Wilson. A iluminação de fundo é acústica com um solo elétrico perto do final. Wilson consegue criar uma experiência agradável que nunca deixa de entreter o ouvinte. A música também possui algumas transições de acordes que são excelentes. 

“The Sound of Muzak” é outro som que me passa a impressão de ser ótimo de tocar. Básica por si só, mas com algumas batidas que são meio diferentes e estranhamente ritmadas. Tudo soa bastante eficaz. O refrão é daqueles cativantes e possui ótimas letras. O solo de guitarra edifica a música. Resumindo, uma faixa que é excelente por toda a parte. 

“Gravity Eyelids” é uma música que caberia facilmente em algum dos discos anteriores da banda. Possui alguns teclados de fundo de sonoridade espacial que funciona bem por toda a parte e fazem uma boa cama para os vocais de Wilson. Não chega a ser uma música no mesmo nível das anteriores, mas passa longe de decepcionar e é bastante sólida.

“Wedding Nails” é uma faixa completamente instrumental. Possui um ritmo mais pesado e rápido. Também não chega a ter o mesmo brilho das quatro primeiras faixas, mas ainda assim também mantem a alta temperatura do álbum, inclusive, empolgando em alguns momentos. 

“Prodigal” tem um tipo de levada lenta que já é bastante conhecida por qualquer pessoa familiarizada com o som da banda. Bastante agradável, apresenta um bom refrão ainda que de letras meio bizarras. Os acordes dessa música são bem escolhidos e a deixam com uma enorme beleza. 

“.3” é uma música em que definir como algo menos de sensacional seria injustiça. É meio impossível descrever essa música. É um bom tempo de variações nas mesmas notas, mas a maneira como tudo progride é tão bem feita que não me dar vontade de ouvir nada diferente do que ela repetidamente. Excelente trabalho instrumental por toda a parte, mas não tem como negar que os sintetizadores é quem mais brilha e ajuda essa música ser uma obra-prima. Minha preferida.

“The Creator Has a Mastertape” é a música do álbum que eu menos gostei. Isso quer dizer que é ruim? Negativo, apenas falo isso em comparativo com o nível das tantas outras faixas do disco. Tem algumas letras bem estranha que nos fazem pensar de forma cética em relação a linha de pensamento de Wilson quando a escreveu. Uma faixa bastante otimista, boas guitarras, uma linha de baixo pulsante, mas em relação às demais faixas, é um pouco aquém. 

“Heartattack in a Layby” é uma ótima e suave música onde novamente os trabalhos de teclados são os destaques, criando um clima quase bucólico. As camadas vocais também são ótimas e muito emotivas. 

“Strip the Soul” é como pegar a “Blackest Eyes” e “Wedding Nails” e fazer uma boa mistura entre as duas. Um bom e cativante material. Mais uma faixa de um trabalho instrumental bem construído e desenvolvido. 

“Collapse the Light Into Earth” eu confesso que quando ouvi pela primeira vez eu definitivamente não gostei. Mas com o tempo, apesar de não acha-la propriamente incrível, passei a considera-la uma música muito bonita. Belos trabalhos de piano e sintetizadores que emulam o som de violino. Os vocais com a sua tristeza dão um ar quase depressivo no som, mas que funciona muito bem.

No final das contas, ouvir In Absentia prova o que eles na verdade provam em todos os seus discos, ou seja, que a Porcupine Tree é uma banda que pensa diferente e nunca decepciona, fornecendo sempre álbuns maravilhosos que serão lembrados por muitos anos, servindo como inspiração para gerações futuras da música. Porcupine Tree é um marco importante para o rock progressivo e o nome de Steven Wilson certamente deve ser escrito no livro de ouro da música progressiva.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

In Absentia

Álbum disponível na discografia de: Porcupine Tree

Ano: 2002

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,4 - 5 votos

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