Resenha

Ummagumma

Álbum de Pink Floyd

1969

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

28/02/2020



É muito progressivo, mas não é pra todos

Ummagumma eu considero complicado atribuir uma classificação, não sei exatamente definir o que acho dele. Mas no fim percebo que ainda consegue ser um bom disco, tem seus bons momentos. O disco de estúdio, que é um experimento no qual cada membro da banda fez sua própria composição, sem qualquer ajuda dos outros (incluindo letras e reprodução de todos os instrumentos) de alguma forma consegue provar o quanto eles precisavam um do outro, a fim de criar o som definitivo que seria o da banda. O disco ao vivo, por outro lado, é na maior parte algo de resultado positivo, impressionante em termos de qualidade de desempenho, porem, a qualidade de gravação deixa muito a desejar. 

Disco ao vivo:

“Astronomy Domine” é muito boa e faz justiça a versão original. Acho inclusive os vocais aqui melhores que o desempenhado por Syd Barrett. Já vi em algum lugar que essa música mesmo com Barrett na banda, era tocada por Gilmour devido a incapacidade do “Louco Diamente” e que se encontrava em um estado de deterioração mental avançado. Também é uma versão com cerca de três minutos mais longa. 

“Careful With That Axe Eugene” sem dúvida alguma é a melhor faixa do disco ao vivo. Foi bastante bem feita, os gritos de Waters estão insanos e primitivos. Cada um dos temas da música tem a sua direção e leva o ouvinte cada momento a uma viagem pra um lugar diferente. 

“Set The Controls For The Heart Of The Sun” contém uma ótima introdução instrumental de bateria que achei melhor que a versão de estúdio. Possui um interlúdio de efeitos sonoros para quem os aprecia. Só acho meio estranho que a música desaparece sem qualquer feedback do público. Dá a impressão que a versão do disco é cortada. 

“A Saucerful Of Secrets” como eu já disse, foi concebida e organizada pela banda com uma série de padrões visuais (um processo de composição mais frequentemente usado por músicos de vanguarda como John Cage). Como na versão de estúdio, há três partes distintas dessa música: um som espacial de forma livre, bateria e som espacial e, finalmente, um réquiem. A primeira e a segunda parte são nitidamente mais interessantes que a versão em estúdio, no entanto, acredito que a parte vocal do réquiem é um pouco melhor no álbum de estúdio, mas ainda assim, como um todo, “A Saucerful Of Secrets” é mais bem apresentada aqui em Ummagumma. 

Disco de estúdio:

- Richard Wright -

“Sysyphus, Pt. 1” é um ótimo começo para o álbum, que define totalmente o clima sombrio do que está por vir. Parece o começo de um filme de ficção científica, com bateria orquestral batendo e teclados misteriosos. Sem interrupção alguma o disco se move para a faixa seguinte.

“Sysyphus, Pt.2”  tem o início marcado por leves trabalhos de piano, parece que pode ser retirado de qualquer grande concerto de piano. Cerca de um minuto e meio na composição degenera em extrema atonalidade. Apesar de original e experimental, não me agrada muito. 

"Sysyphus, Pt.3" é uma combinação louca de piano, pratos de bateria e alguns efeitos sonoros, muito dos quais inclusive serão usados por Waters em “Several Species...”. O som inicial é remanescente da trilha sonora de Planeta dos Macacos. Torna-se extremamente cacofônica da sua metade em diante. Bastante redundante em relação as duas partes anteriores. 

- Roger Waters –

“Grantchester Meadows” é a primeira entre as duas faixas do disco de estúdio que possui vocal. Fornece um acompanhamento de violão acústico a um tipo de música bastante pastoral (os pássaros cantando reforça isso). As letras são extremamente carregadas de imagens e são cantadas muito bem com um ritmo que parece quebrar no final de cada linha do refrão. Só acho que poderia ter sido melhor ainda se o violão tivesse sido executado por um músico mais talentoso e de melhor domínio do instrumento. 

“Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict” começa com efeitos sonoros (como já dito antes) remanescentes de “Sysyphus, Pt. 3”, mas ainda mais desenvolvidos. Existe um uso experimental e original de alguns efeitos que são bastante divertidos, mas não sei exatamente se podemos chamar isso de música. De qualquer forma, eu gosto. 

- David Gilmour – 

“Narrow Way, Pt. 1” é uma música bastante leve e acústica que cai muito bem depois de todo o caos implantado pela faixa anterior. Os efeitos espaciais se acumulam e levam a um som mais pesado na faixa seguinte. 

“Narrow Way, Pt. 2” fornece uma guitarra elétrica e sombria (do tipo poucas vezes usada pela banda), acompanhada de uns toques que me parece ser de bongô. A medida que a música vai avançando, os efeitos vão se tornando mais proeminente, mas sempre na linha sombria. 

“Narrow Way, Pt. 3” é o outro memento do disco de estúdio em que contém vocais. A guitarra espacial capta muito bem os efeitos deixados pela faixa anterior. Confesso que me traz até uma sensação meio Beatles que não sei explicar exatamente. A bateria não parece muito bem trabalhada, mas ainda assim é uma boa música. 

- Nick Mason – 

“Grand Vizier's Garden Party: Enterance, Pt. 1” possui menos de um minuto. É uma peça de uma curta e agradável passagem de flauta e que em seguida dá lugar a um rufo de tambor. 

“Grand Vizier's Garden Party: Entertainment, Pt. 2” inicia-se com uma bateria que junto a alguns efeitos soam de maneira assustadora. É bastante espacial e experimental, finalmente se transformando em um solo de bateria convencional, mas curto. Essa composição deixa aquela sensação de quer ir a algum lugar, mas infelizmente não consegue chegar a lugar algum. 

“Grand Vizier's Garden Party: Exit, Pt. 3” possui a mesma peça de flauta da parte 1, mas sem o rufo de tambor. Sinceramente? O momento mais desnecessário do disco. 

Resumindo, este álbum está cheio de potencial, mas é dificultado pelo conceito de membro solo ao qual ele estava casado. Não posso deixar de sentir que este álbum poderia ter sido muito melhor se esse conceito fosse abandonado depois que as músicas foram escritas, mas antes da gravação. É muito progressivo, mas não é pra todos.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Ummagumma

Álbum disponível na discografia de: Pink Floyd

Ano: 1969

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 2,92 - 12 votos

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