Resenha

Office Of Strategic Influence

Álbum de OSI

2003

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

24/02/2020



Um projeto de rock progressivo exótico e cativante!

Impressionante como as vezes supergrupos se formam de maneira inusitada e trazem trabalhos singulares e ainda mais inusitados. Esse é o caso do OSI (Office of Strategic Influence), formado pelo baterista do Dream Theater na época, o multifacetado Mike Portnoy; Kevin Moore, tecladista original do Dream Theater; Jim Matheos, guitarrista e líder do Fates Warning, uma das bandas mais subestimadas do prog metal; e o ex baixista do mítico Cynic Sean Malone, que também tocou Stick bass.

Na verdade, Jim e Mike sempre tiveram o desejo de trabalharem juntos e resolveram montar um projeto paralelo de um supergrupo de prog metal. Jim escreveu algumas faixas realmente pesadas e contou com a aprovação de Mike. Porém, os músicos sentiram falta de alguns teclados para dar um complemento as canções, e como o Fates Warning, estava contando com a colaboração de Kevin Moore em seus últimos trabalhos, o guitarrista enviou para Moore, arquivos em MP3 para que o mesmo colocasse alguns arranjos de teclados, apenas algumas partes,  do jeito que contribuía para  sua banda.

Só que Moore alterou completamente as composições que lhe foram enviadas, adicionando camadas de teclados, criando ambiências e adicionando alguns vocais, subvertendo todo o material. Ao invés de se decepcionar, Matheos e Portnoy gostaram das mudanças e resolveram seguir na direção indicada por Kelvin, convidando-o para participar ativamente do projeto.

Ouvindo o trabalho, fica claro que Moore se adiantou aos demais músicos, influenciando diretamente na sonoridade proposta. Deste modo, OSI não se parece com  um  projeto de Matheos e Portnoy, mas de Matheos e Moore, fato que parece ter desagradado o baterista que recuou bastante, não participando ativamente do processo criativo, mesmo porque ainda tinha reservas quanto a Moore, seu antigo colega de Dream Theater.

Inicialmente o grupo planejou utilizar um vocalista em cada faixa, mas abandonaram rapidamente a ideia pela logística de agendas, deixando os vocais a cargo de Moore. Apenas ums canção “ShutDOWN”, ficou a cargo de Steve Wilson (Porcupine Tree) pelo fato de ter escrito a letra e a canção soar demasiadamente como sua banda.

Sean Malone foi o ultimo a participar do projeto, e foi creditado como músico convidado, pois sua agenda não permitiu que participasse da criação dos arranjos e ensaios para a gravação do álbum, adicionando por ultimo suas partes.

Com a adesão e direcionamento dado por Kevin, os músicos resolveram extravasar suas influências da fase psicodélica do Pink Floyd, Hawkwind e outras bandas do estilo. Portanto, não espere aqui sonoridade similar ao Dream Theater ou Fates Warning. Claro que pode haver uma ou outra passagem similar, mas o som progressivo depressivo praticado pelo grupo é muito mais na linha do Porcupine Tree, Riverside e Ozric Tentacles.

O álbum apresenta dez faixas com sonoridade bem linear, sem grandes alterações.  A estrutura melódica das canções é diferente da usual, pois não apresenta, estrofe, refrão, estrofe, seguindo uma linha mais solta e exótica. 

Os destaques ficam por conta da eminentemente acústica e arrastada “Hello Helicopter” que vem orientada por violões e vocais, amparada por uma cozinha simples e precisa e com sua letra extremamente política; ShutDOWN”, a mais longa faixa do álbum, com seus quase dez minutos, temos a participação do então líder do Porcupine Tree Steve Wilson nos vocais. Embora tenha achado muito interessante os vocais de Kevin,  Steve poderia ter cantado pelo menos mais uma faixa. Nem preciso dizer que a canção é totalmente influenciada por sua banda.

“The New Maith”  que abre o álbum com forte com o baixo pulsando e a forte influência de Pink Floyd nos teclados que nos remetem a Dark Side of the Moon, pelo menos até a entrada das guitarras pesadas característica do prog metal, mudando completamente a condução da canção; e “When You´re Ready”, que  é progressiva e cadenciada, com o baixo ditando o ritmo do tema. Possui alguma influência psicodélica e uma bateria completamente fora dos padrões.

Para os que curtem a banda de Portnoy, sugiro “OSI” com uma dinâmica instrumental que  lembra muito o Dream Theater, com exceção dos vocais soturnos de Moore, com efeitos que lembram os primeiros álbuns do Porcupine Tree.

O álbum foi lançado em fevereiro de 2003  e teve boa recepção por parte de crítica e público, o que motivou os músicos a continuarem como o projeto, porém, como era de se esperar, apenas Matheos e Moore continuaram a Frente de OSI, sendo que Portnoy participou do segundo disco apenas como musico convidado, uma vez que, segundo ele, foi complicado trabalhar novamente com uma pessoa difícil como Kevin Moore. 

De todo modo, o Projeto nunca mais teve o mesmo destaque de seu primeiro álbum, que pode ser considerado um trabalho diferente de todos os outros integrados pelos músicos envolvidos. Merece ser conferido integralmente.


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Sobre o álbum

Office Of Strategic Influence

Álbum disponível na discografia de: OSI

Ano: 2003

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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