Resenha

Ordinary Man

Álbum de Ozzy Osbourne

2020

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

23/02/2020



A volta de madman aos estúdios

A expectativa por álbuns novos de artistas consagrados é sempre maior. Sendo esse artista o Sr. Ozzy Osbourne, o mundo do rock entra em polvorosa, ainda mais com um hiato de 10 anos sem inéditas, excluindo é claro, o álbum 13 do Black Sabbath.
Tivesse parado em No More Tears sua conta bancária, contribuição e status de lenda, estariam garantidos.
A verdade é que em seus últimos trabalhos, Ozzy não produziu nada impactante, talvez o último tenha sido Down to Earth (isso no longínquo ano de 2001).
Sinceramente não curto essas superproduções em seus discos "atuais", são pasteurizadas, algumas feitas para mascarar e corrigir a voz do protagonista. É exatamente o que acontece em Ordinary Man, e de uma forma mais artificial ainda, com uma atmosfera reverberada ao talo - ouvindo sem fones pode soar melhor.
Mesmo com ferramentas usadas de forma exagerada em estúdio, temos um ótimo registro, que alias, supera os dois últimos pelas ideias e musicas envolventes.
O disco conta com o baixista Duff McKagan, do Guns N' Roses, o baterista Chad Smith, do Red Hot Chili Peppers e o guitarrista e produtor Andre Watt. Alem de outras participações, como a de Elton John na faixa título, também Slash (Guns N' Roses), Tom Morello (Rage Against the Machine) e Post Malone. Quem é Post Malone ? um Rapper ? - perguntem lá no posto Ipiranga.
Ordinary Man tem letras de reflexão como um diário ou uma retrospectiva de Ozzy, nesse que talvez seja seu ultimo trabalho. As doenças, abusos do passado e a lida pesada em turnês calejaram o artista, acho que agora é hora de curtir sua merecida aposentadoria.
Quanto ao álbum, observamos a velha tradição de mesclar algumas baladas pra quebrar o clima, com  músicos bem escolhidos no cumprimento do bom heavy metal. Frisando que foi feito as pressas, sem tanto planejamento.

Straight to Hell é excelente, soa moderna como as bandas atuais, com um pezinho no industrial e por ai a porradaria come solta. Ok, vamos esquecer a letra nada poética e um tanto idiota, bola pra frente, poesia nunca foi o forte do Madman. Destaque para o solo de Slash.
Ao contrário de Straight to Hell, All My Life tem um sabor poético e mais cadenciado. É a cabeça de Ozzy voltando ao passado e se reencontrando com os bons momentos.

A linha de Goodbye rouba um pouco sua ultima passagem com o Sabbath. Algo entre doom metal e o tradicional, com o baixo distorcido no dez e solos bem trabalhados. Nem parece que Chad Smith toca bateria, seus grooves foram tomados de assalto e aquele homem que um dia sentou no banco dos Chilli Peppers transformou-se em outro cidadão, ainda com as baquetas em dia para soltar o braço, só que de outra maneira.

Na faixa título temos uma mini biografia. Sei lá, parece uma carta de despedida que as vezes torra a paciência, como alguém que precisa relembrar as glórias e pesadelos do passado a toda hora. Tipo : Olha, olha, esse sou eu ! aprontei tudo na vida e agora que estou no "bico do corvo" quero que vejam o que fui, sabor de novela mexicana vencida.
A parte instrumental com o lendário Elton John nos pianos e também dividindo os vocais são mais interessantes. Um tanto épica, depressiva e desaguando numa crescente com um solo bem na toada de Tony Iommi.

Under the Grave foi o primeiro single para o disco, outra vez com letra melancólica e uma base instrumental muito forte. Boa faixa.

Agora sim uma canção porreta de verdade, com Ozzy tocando um trechinho inicial de gaita, conforme feito na clássica The Wizard. Arrisco a dizer que Eat Me é o melhor feito em Ordinary Man, com as peculiares risadas por vários trechos, um baixo poderoso nas mãos de Duff McKagan e ritmos variados. Logo em seguida a memoria de God Is Dead vem a galope no início de Today Is The End, mas sem o doom arrastando a todo momento.

Scary Little Green Men tem uma grande performance de Chad. Teria tudo para ser melhor não fosse a produção esquisita que o disco tomou, Duff exagera a todo momento no mesmo timbre distorcido e os riffs são um tanto genérico em meio a frequência confusa.

Holy For Tonight dá a falsa impressão de ser um rock pop sem nada especial, porem, com audição minuciosa revela-se em grata surpresa. Refrão angustiante e decolada apos o solo com arranjos de cordas e coros como reforço final. Merece repeteco, respeitem o véio !.

Quando ouvi It's A Raid não acreditei. Essa gosma em forma de notas é a pior coisa que Ozzy fez em sua vida, e o tal rapper Malone só ajudou a estragar. Clichê falar da produção patética, não deu para evitar. Tudo  embola e fica confuso com vocais pra lá de chatos. Dizem que foi Kelly Osbourne a detentora da "brilhante" ideia de convidar Post Malone, quem sabe para chamar outro tipo de público, ganhar abertura. Algum espanto de algo vindo dessa guria?. Não virou, muito barulho por nada.
A segunda participação com Malone para Take What You Want, entrará como bônus. Ainda bem, pois agora é o Madman em um disco do rapper, deslocando-se do eixo heavy metal. Mesmo com a futilidade modernosa e sem alma do hip hop / pop americano, consegue ser melhor que a anterior. Se bem que som flutua demais nos efeitos, não é nada orgânico e até o solo roqueiro se perde entre a fumaça do reverb.

Entre altos e baixos Ozzy conseguiu um bom álbum. Tentei ouvi-lo sem pensar nos velhos clássicos do inicio de carreira, sei que sua voz tem problemas e que ele não está com saúde completa. Por tudo isso Ordinary Man é um presente aos fãs e agora nos resta desejar saúde plena ao Madman e saborear seu legado. 

Thank you Ozzy.


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Sobre o álbum

Ordinary Man

Álbum disponível na discografia de: Ozzy Osbourne

Ano: 2020

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,19 - 8 votos

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