Resenha

Signals

Álbum de Rush

1982

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

21/02/2020



O mais consistente da era com sintetizadores

Signals marca o primeiro álbum pós-fase mais progressiva do trio canadense. Os teclados são usados de forma bem mais substancial, dando um toque acessível e moderno no som da banda, mas sem perder o refinamento e complexidade. Alex Lifeson desenvolveu algumas novas texturas de guitarra, removendo de maneira parcial a dimensão do hard rock tão presente em discos anteriores. Os teclados de fundo encaixam perfeitamente em todas as faixas, as deixando mais melódicas. O baixo como de costume é excelente, complexo e inquietante. Sobre a bateria de Neil Peart, pra fugir um pouco do senso comum, aqui destaco principalmente os trabalhos de pratos, todos impressionantes.

O disco começa através de “Subdivisions”, a cozinha lidera a cadência da música com o "auxilio" de sintetizadores maravilhosos, as letras são muito bem pensadas, além de ter um excelente solo de guitarra na sua parte final. 

"Analog Kid" é a música mais pesada do álbum. Guitarra e linhas de baixo são poderosas, assim como a bateria. Mostra também um exemplo perfeito do uso de guitarra e teclado. Os refrãos soam de forma mais amena, porém, belíssimos. 

"Chemistry" é a faixa que considero a mais subestimada do álbum. Possui uma guitarra poderosa, os trabalhos de teclados são bem mantidos. Todos executam seus instrumentos com bastante força, dando a faixa um sentimento bastante poderoso, deixando algo muito parecido com o que acontece em “Analog Kid”. Uma excelente música, infelizmente muito esquecida. 

Sei que não consigo decidir a minha faixa favorita do álbum, mas vez ou outra eu me vejo escolhendo “Digital Man” para o posto. A guitarra é bastante proeminente aqui. O uso do teclado e mais contido. Há um pequeno solo de baixo que soa bem legal e a bateria como de costume é contagiante. Com certeza mais um momento muito forte do disco.  

“The Weapon (part II of Fear)" é uma música em que eu não sei exatamente o que acontece, não a acho de maneira alguma uma música ruim, mas ao mesmo tempo existe algo que não me prende. Talvez seja o estilo do vocal. Consigo sentir um grande potencial, mas que não explode nunca, tudo o que poderia ser permanece enjaulado até o fim. O pior de tudo ainda é que é a mais longa do disco. 

“New World Man” possui um estilo musical excelente, tanto da parte vocal quanto do trabalho instrumental. Mas acho que faltou um solo de guitarra, parece que a faixa pediu e mesmo assim a banda preferiu não ceder. Assim como a faixa anterior, não é exatamente um dos momentos de maiores brilhos do disco, mas ao menos essa não parece descolada e combina bem com o disco. 

“Losing it” é uma belíssima e comovente composição. O trabalho de teclado não é algo menos que sensacional e o solo de violino que acontece no meio é insano de tão bom. Se eu não me engano essa é a única música do álbum que acabou nunca sendo tocada ao vivo. A música em si é muito sombria, possuindo um trabalho muito místico e interessante. Também é a única com uso de violões, o que também é muito legal.  

“Countdown” traz um final extremamente forte para um álbum forte. Particularmente gosto bastante dos solos de teclado. As linhas de baixo são excepcionais. Guitarra muito bem desenvolvida e bateria pulsante completam a receita de uma faixa excelente do começo ao fim. 

O disco possui sim os seus altos e baixos, mas em momento algum os baixos o impedem de ser um álbum no mínimo ótimo.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Signals

Álbum disponível na discografia de: Rush

Ano: 1982

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,29 - 17 votos

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