Resenha

Ordinary Man

Álbum de Ozzy Osbourne

2020

CD/LP

Por: Diogo Franco

Colaborador

21/02/2020



De gênio e louco todo mundo tem um pouco!

Ao saber do lançamento do primeiro single de Ozzy Osbourne, a excelente "Under The Graveyard", em novembro do ano passado, todos ficaram empolgados. Uma melodia que vai crescendo, desembocando num refrão pesado e emotivo, passando bem o recado do que estava sentindo na época. Ozzy se viu entre idas e vindas ao médico no ano passado, foi diagnosticado com mal de parkinson (como se não desconfiássemos), entre outros imbróglios. Por tudo isso, esse disco merece ser ouvido com atenção, respeito e carinho, com uma análise de suas letras, pois acredito piamente ser o testamento fiel do momemnto em que Ozzy se encontra. O segundo single, "Ordinary Man", traz a participação de Slash, Duff Mckagan (que tocou no resto do disco também) e Elton John ao piano, e é uma balada belíssima, com um solo estupendo e o Madman cantando como se conversasse consigo mesmo ou fizesse um desabafo/constatação em alguns momentos. Por exemplo, no primeiro verso onde declara: 
"Eu não estava preparado para a fama
De repente todos sabiam meu nome
Sem noites solitárias, é tudo para você
Eu viajei muito
Vi lágrimas e vi sorrisos
Só se lembre de que é tudo para vocês"

Versos que mostram um homem cansado, lutando pra se manter de pé, porque sabe que sua saúde já não anda bem, mas fazendo isso por quem ainda quer ouvi-lo, no caso todos nós. 

Se você tem na cabeça o estereótipo do tresloucado comedor de morcego, sinto te desapontar, pois nesse disco Ozzy desnudou sua alma, expôs todas as suas mazelas, fraquezas e medos, mostrando sua honestidade como nunca antes fez. Repito, ainda que você não goste do disco, ele merece ser ouvido por tudo isso que citei acima. Musicalmente falando, "Take Me What You Want" é a mais estranha do disco, pois conta com uma levada moderninha e ecos de Hip-Hop, talvez um atestado de que sua sanidade está parcialmente mais comprometida que o normal. De resto, "Goodbye" começa arrastada, com uma progressão de acordes que lembra "Painted On My Heart" do The Cult, mas no meio a música acelera de tal forma que tive que olhar pra ver se era a mesma canção. A atmosfera densa do início de "Today Is The End" lembra um pouco o disco "Ozzmosis", apesar do refrão com clima mais alegre. "Scary Lttle Green" é uma das melhores do disco, pesada, com um dos melhores refrãos já criados por ele. Durante todo o disco, é possível perceber a alternância de ritmos, ora mais densos, ora mais rápidos. A faixa de abertura é uma das melhores, com baixo pesadíssimo e uma estrutura de pergunta e resposta entre instrumental e vocal, muito parecida com o que o Led Zeppelin fez no clássico "Black Dog", com um riff no refrão que lembre e muito outro clássico, "Hole In The Sky" de sua ex-banda. Temos nessa faixa também um belo interlúdio que traz imediatamente ecos de "No More Tears", justamente na parte que antecede o solo. No fim das contas, todos sabemos que Ozzy poderia se aposentar hoje com dignidade e não poderia ser questionado devido a tudo que fez pelo heavy metal e pela música em si, por isso essa autobiografia musical é digna de todo o respeito. 

Devido à sua honestidade e transparência, esse disco faz bonito na carreira de Ozzy, sendo um disco genial que, se não entra na galeria dos clássicos, também não faz feio nem envergonha o seu criador.


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Sobre Diogo Franco

Nível: Colaborador

Membro desde: 31/12/2019

"Sou carioca de Nova Iguaçu , músico há 25 anos , admirador de AOR , Hard , Glam , Heavy Metal e suas vertentes. Tenho 38 anos."

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Sobre o álbum

Ordinary Man

Álbum disponível na discografia de: Ozzy Osbourne

Ano: 2020

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,19 - 8 votos

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