Resenha

Mad World

Álbum de Shakra

2020

CD/LP

Por: Diógenes Ferreira

Colaborador

21/02/2020



“Hey, ainda estamos aqui!”

Eu descobri o Shakra quando no início dos anos 2000 a gravadora Big Rock Music começou a distribuir várias bandas até então desconhecidas no Brasil como Jaded Heart, Shylock, Wicked Sensation entre outras maravilhas do Hard/Melodic Rock. Lembro bem que eu costumava entrar no site da extinta gravadora que disponibilizava 30 segundos de prévia de uma ou duas músicas dos álbuns que o selo lançava para os ouvintes terem uma idéia do som presente nas bolachinhas. Na época a internet, MP3, download já estavam começando a nutrir a fome dos apreciadores de Rock/Metal através do mundo virtual, mas não era ainda toda coisa que se achava para fazer a “degustação” completa, ainda mais em tempos de internet discada e plataformas como Napster e afins. Pois bem, através do site da Big Rock Music, conheci o Shakra na época do lançamento do álbum Rising de 2003 e lembro bem de duas músicas que estavam disponíveis nas prévias, que eram “Now or Never” e “Rising High”. Eu entrava quase todos os dias no site da gravadora só pra ouvir 30 segundos dessas músicas até o dia em que pude adquirir o CD. Era o álbum que marcava a estréia do vocalista Mark Fox, substituto do vocal original Pete Wiedmer que gravou os 3 excelentes primeiros discos Shakra (1997), Moving Force (1999) e Power Ride (2001), dos quais só vim descobrir tempos depois. Até então, o Shakra era pouco conhecido por aqui mas o Rising caiu tão bem no gosto do público hard brasileiro que depois começaram a distribuir nacionalmente os álbuns seguintes do grupo suíço compatriota do Gotthard, que também estava em ascenção no Brasil. Então vieram na sequência Fall (2005), Infected (2007) e Everest (2009) e a essa altura o Shakra já estava tendo visibilidade aqui e na Europa, participando de festivais e entrando nas paradas. Até que de repente Mark Fox sai da banda no auge da carreira. O que vem depois é a tentativa do grupo se manter com o vocalista John Prakesh, mas o negócio não estava indo muito bem, embora a fórmula e estrutura dos álbuns ‘Back On Track’ (2011) e ‘Powerplay’ (2013) fosse praticamente a mesma. Talvez a imagem, presença e carisma de Mark na banda tenha fixado de alguma forma na cabeça dos fãs que ele era de fato “o cara certo”, pois foi com ele mesmo que a banda emergiu em 2003 e eis que seu retorno acabou sendo inevitável para os álbuns High Noon (2016) e Snakes & Ladders (2017), nos quais a banda parece ter voltado a crescer no cenário e agora com o Mad World saindo em 2020, a intenção do Shakra é dar continuidade nessa recolocação.

O álbum segue a mesma fórmula dos demais apresentados pela banda ao longo da carreira, que para uns pode significar falta de variação e diversidade em sua sonoridade e para outros é sinônimo de fidelidade ao som e estilo desenvolvidos pelo grupo, aí depende do ponto de vista de cada um. Há aquela impressão de que a banda está sempre gravando o mesmo disco, mas temos vários exemplos de nomes bem sucedidos que tiveram carreira longeva dessa maneira como AC/DC, Krokus, Motörhead, Ramones entre outras que sempre fizeram o mesmo tipo de som “feijão com arroz” de maneira eficiente e que sempre agradou seus fãs e que pode se encaixar no caso do Shakra também. “Fireline” inicia o álbum de forma agitada, seguida de “Too Much is not Enough” que vem mais cadenciada com a bateria marcando compasso, “A Roll of The Dice” mostra um peso mais moderno, assim como a faixa-título “Mad World” também, ambas lembrando canções dos álbuns Fall e Infected. “When The Comes Around” traz uma pegada Hard mais despojada do início de carreira dos primeiros álbuns, enquanto “Thousand Kings” chega a lembrar The Cult nos seus dias mais Hard Rock de álbuns como Eletric e Sonic Temple. “I Still Rock” vem com um riff mais sacana estilo Los Angeles e “Fake News” vem reta e simples. “When It All Falls Down” traz um clima mais pra cima com um refrão mudando o tom, já “Turn The Light On” é o típico Rock n’ Roll básico pra animar festa. Agora “Son of Fire” mete um timbre robusto, fato esse que a banda sabe trabalhar muito bem, sempre com excelentes timbragens e produção em seus discos. “New Tomorrow” é a balada que não poderia faltar e mostra a sempre ótima interpretação de Mark Fox com sua voz rouca, mas sentimental, sempre bem postada.

Portanto, mudanças não foram bem aceitas com a saída de Mark, como geralmente acontece na maioria das bandas e agora com o retorno dele, parece que estão progredindo novamente agradando a gregos e troianos. De resto, a banda permanece coesa com a excelente dupla de guitarristas Thomas Muster e Tom Blunier, sempre bem entrosados, além da cozinha precisa de Dominik Pfister (baixo) e Roger Tanner (bateria). O novo álbum ‘Mad World’ vem galgar novamente esse crescimento da banda que estava estagnado e tem músicas condizentes pra isso. Como dito ao longo do texto, não será nenhum diferencial na discografia da banda já que segue a mesma fórmula de sempre, mas serve pra manter o aviso: “Hey, ainda estamos aqui!”.



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Sobre Diógenes Ferreira

Nível: Colaborador

Membro desde: 22/01/2019

"Maranhense apaixonado por música em todas as vertentes do rock e que tenta colaborar com um cenário mais digno, próspero e auto-sustentável. Editou o Hellish Zine no final dos anos 90/início de 2000, em seguida escreveu por um período para o site Whiplash. Hoje colabora no 80 Minutos."

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Sobre o álbum

Mad World

Álbum disponível na discografia de: Shakra

Ano: 2020

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 2,5 - 2 votos

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