Resenha

Bad

Álbum de Michael Jackson

1987

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

19/02/2020



Disco genial e fim do ciclo criativo

Foram quase cinco anos explorando o sucesso de Thriller, até que Bad,  lançado em agosto de 1987, alcançasse o primeiro lugar no catálogo da Billboard e em todo o mundo. Bad foi o passaporte definitivo para transformar Michael Jackson no maior astro pop, numa época em que ele ditava as regras do jogo, ao mesmo tempo que sofria com ataques sobre a vida pessoal. 
Em 1987 a opinião sobre o disco causava divisões, algumas publicações desciam a lenha, enquanto outras endeusavam. Imagino a pressão na cabeça dele, que mesmo com uma família de artistas escorada em sua orbita, "abuso do pai" e sucesso precoce, conseguiu  segurar a onda e dispensar uma vida com o mínimo de normalidade. 
E ainda tem idiotas que questionam seu confinamento em Neverland, como se fosse possível lidar com a loucura de fãs, como se fosse possível escapar de quem era.
Nessa fase o cantor também espantou pela cor, num processo de embranquecimento. A retórica era o vitiligo, ainda que a maioria ache ser uma resposta a seu pai, como uma forma de se distanciar do passado.
O fato é que Bad conseguiu passar por cima dos revezes citados e tornou-se tão importante quanto Thriller, diria que até mais homogêneo. Contando aqui, das dez faixas, nove foram vinculadas as rádios, algo impensado nos dias atuais, coisas que só Michael Jackson e mais dois ou três artistas conseguiam.

Musicalmente Bad soa mais moderno, fugindo do pouco que restou do soul açucarado das faixas de menor expressão em Thriller. Na canção título os refrões pegajosos com instrumental bem executado (como sempre) é apenas o cartão de visita. O vídeo num metrô e o novo visual em couro preto, mostram um cantor selvagem, em uma composição de alfinetadas a seus detratores.

The Way You Make Me Feel foi muito executada, tanto que até enjoou. Cheia de baixo sintetizados e truques de estúdios, alem dos tradicionais backings feitos por Michael - sobre a própria voz.

Speed Demon apresenta um funk moderno. Canção escrita por Jackson quando recebeu uma multa de trânsito por andar em alta velocidade, pois estava atrasado para uma sessão de gravação em estúdio. O videoclipe de "Speed Demon" aparece no filme Moonwalker. Aproximadamente dez minutos de interação com personagens feitos em computação gráfica. Speed Demon é na minha opinião a obra mais diferente e legal do disco, e vinculada com o vídeo fica melhor ainda.

Pulando as boas Liberian Girl e Just Good Friends (Ft. Stevie Wonder) vamos com a sintetizada Another Part of Me. O mais interessante nessa faixa é a simplicidade. Pegue uma batida simples de bateria, uma base de bass sinth e alguns licks de guitarra, acrescente naipes de metais e a magia se faz. É claro que estamos falando sobre a nata dos músicos, de quem trabalhou boa parte da vida com Quincy Jones, tipo aquele jogador que corre pouco por conhecer todos os atalhos do campo, saca ?. 

Poucas músicas tem o poder de fazer alguém chorar, e Man In The Mirror é uma delas. Jackson escreveu essa obra prima para os senhores do mundo, e ninguém poderia julga-lo como hipócrita por ser um multi milionário falando sobre as mazelas humanas, ele viveu isso na pele e venceu pelo talento. Ainda acreditava num mundo justo. Uma pena, pois nem que vivesse mais cinquenta anos, veria  uma virgula mudar.

A balada I Just Can't Stop Loving You dá um pouco de calma ao conjunto. Sendo construída nos moldes das canções de Stevie Wonder.  Com vocal bem tranquilo e reforço de Siedh Garrett no complemento das vozes, essa, convidada após a recusa de Barbra Streisand e Whitney Houston.

Dirty Diana fala sobre groupies. Nada a ver com aquele papo sobre a amiga Diana Ross, até porque, a letra não tem porções de elogios, e sim o pedido para uma "groupie carrapato" sair de seu pé.

Com temas diversos, Smooth Criminal aborda a atmosfera gansgster, contando a estória do rapto de uma garota a quem ele é incumbido de salvar. E é justamente no clip dessa, que rei do pop cria um de seus passos mais legais, desafiando a gravidade ao ficar numa inclinação de 45 graus. O truque consistia em parafusos colocados no palco, assim ficaria fácil para ele e seus dançarinos apoiarem os sapatos especiais com encaixe para os parafusos. Curioso que em um dos shows, algo deu errado e Michael espertamente improvisou  dobrando uma das pernas para completar tal passo, conseguindo enganar quem estava em um ângulo lateral.
Smooth Criminal é sem dúvidas uma das criações mais fortes em Bad, ajudando a alavancar as vendas já milionárias. Quem não se lembra daquele jogo tosco em plataforma, lançado pela Sega ?, no qual o cenário era praticamente o bar de Smooth Criminal, com  trilhas em 8 bits revezando as fases, bom ... era o que tínhamos no momento.

Leave Me Alone saiu pouco depois como single e acabou entrando como bônus. Uma resposta clara aos que inventavam coisas sobre sua "suposta excentricidade", uma critica aos tabloides que expunham sua vida a todo tempo. Seu vídeo clipe foi premiado em 1990 com o Grammy Awards.

Não resta duvidas sobre Bad figurar entre os melhores na discografia de MJ, juntamente com Thriller e Off The Wall. Os três numa sequencia produzida por Quincy Jones, o cara que extraiu o máximo do artista. Infelizmente os discos posteriores apontavam esgotamento criativo, e sua carreira entrou em queda livre. Não tinha nada de novo a apresentar e não ditava tendências. Com tudo as especulações sobre seu modo de vida aumentavam a medida que a arte dissipava, e assim seguiu até 2009, quando foi encontrado morto. Morto sim, mas sua coroa de rei do pop ainda está intacta, duvido que seja retirada, nem em sonho.


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Sobre Marcel Dio

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Sobre o álbum

Bad

Álbum disponível na discografia de: Michael Jackson

Ano: 1987

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 6 votos

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