Resenha

Frequency

Álbum de IQ

2009

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

06/02/2020



Um disco magistral

Eu sempre tive em mente que determinada banda após lançar um disco grandioso, de certa forma se sente intimidada por ela mesmo em relação ao álbum seguinte, afinal, creio existir uma responsabilidade dentro da banda de senão repetir o feito anterior, se manter em alto nível. Bom, se isso existe, o IQ lida muito bem com essa responsabilidade. Tudo no disco está muito bem trabalhado. Guitarras limpas e altas, mellotron e teclado muito bem sustentado, bateria bastante expressiva e criativa, linhas de baixo maravilhosas, vocais limpos, convidativos e inspiradores. Frequency é um daqueles discos que eu pareço amar mais cada vez o que escuto. 

“Frequency” começa o disco de maneira incrível, com uma voz que fala de um ataque nuclear. Apresenta mudanças sólidas de tempo e uma sonoridade dinâmica onde suas quebras principais são muito emotivas e na linha do que o Pink Floyd faria. Os vocais são muito bons também e soam com a delicadeza exata que é necessário dentro da abordagem lírica. Uma composição brilhante do começo ao fim. 

“Life Support” tem um fato curioso, a primeira vez que ouvi essa música e exatamente na sua primeira nota, me veio a música “Fallen Angel” da cantora Gabrielle em mente (sei que isso pode parecer estranho e até ridículo, mas nunca esqueci desse momento e não ia deixar de registrar isso). Inicia-se com um belo piano em que logo são acrecidos vocais emocionais. Tudo se desenvolve de maneira edificante. As letras refletem sobre as provações da vida e como superá-las. O clima então muda drasticamente, a guitarra sola sobre uma bateria de um padrão métrico e estável. O sintetizador espacial é alienante e futurista, mais ou menos semelhante aos que ouvimos em músicas eletrônicas. É um instrumental bem longo e muito bem pensado. No final os efeitos do vento são arejados, etéreos e assustadores. Uma música incrível. 

“Stronger Than Friction” começa com um riff melódico de guitarra que cadencia a música até que os primeiros vocais de Nicholls se harmonizam bem com a música. Ainda antes da metade a batida pesada dá lugar a um momento de mellotron ambiente enquanto os vocais se tornam mais suaves e a música inteira se torna uma espécie de “maré virada”. O tempo então muda completamente de novo e os vocais agora estão mais agressivos. O baixo esporádico e a bateria parecem mesmo fora de sintonia e há um teclado estimulante e uma pausa ascendente de guitarra. Outra maravilha do álbum. 

“One Fatal Mistake” começo ligada no fim da faixa anterior, um piano suave e calmo, vocais serenos cantando letras animadoras e que elevam o espírito. Sempre há um raio de esperança injetado nas letras que fala sobre como superar o desespero e as circunstâncias difíceis. A melodia é muito agradável para os ouvidos e musicalmente há muito a oferecer, especialmente as guitarras e teclados transfixantes.

“Ryker Skies” abre com um som atmosférico de guitarra e teclado. Os vocais de Peter logo entram e isso também é seguido por uma bateria pesada e uma linha de baixo potente. Novamente é uma música de texturas ambientais de reflexão melancólica. Possui um núcleo atmosférico e hipnotizante principalmente pelo desenvolvimento do teclado. Os floreios acústicos são um toque adorável, contribuindo para a atmosfera muito arejada da música. Eu daria pra essa música a posto de single do álbum, pois é mais comercial em termos sonoros, mas isso não prejudica sua musicalidade que é excelente do começo ao fim. Uma música maravilhosa.

“The Province” é a música mais longa do álbum. Momentos de tensão estão presentes em versos melódicos e infecciosos. O som aqui às vezes não é diferente do encontrado no Genenis na era Peter Gabriel. Depois de um tempo um riff pesado de guitarra domina a paisagem sonora por um tempo. Os acordes do sintetizador staccato são incríveis. Possui também muito trabalho acústico inicialmente, mas que fica bem equilibrados com as partes mais pesadas que o sucedem. Uma música com muitas mudanças no andamento e humor.

“Closer” encerra o disco. É uma balada com vocais positivos próximos a Neal Morse ou Spock’s Beard.  A música se constrói gradualmente até obtermos uma pausa instrumental majestosa com teclados altíssimos e depois um verso lindamente cantado com letras poderosas. A música tem um clima não apenas de final de disco, mas encerramento de show. No final o trabalho hipnótico de teclado junto a guitarra, baixo e bateria que mantêm um clima melancólico encerram o álbum em grande estilo. 

Frequency é mais um disco da IQ que apresenta um nível de musicalidade altíssimo. Melancólico, às vezes de forte tensão, sinfônico, acessível, atmosférico e de uma música muito bem ambientada. Um disco magistral.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Frequency

Álbum disponível na discografia de: IQ

Ano: 2009

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,75 - 2 votos

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