Resenha

Dark Matter

Álbum de IQ

2004

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

06/02/2020



Nada menos do que uma obra-prima do neo progressivo

Falar bem da maioria esmagadora dos discos do IQ é algo bastante fácil, pois se existe um grupo extremamente consistente em sua discografia, certamente um bom exemplo é esta banda inglesa. Não é por menos que a considero facilmente a minha banda de neo progressivo preferida, algo que até já disse aqui no site em outras resenhas de discos do grupo. Dark Matter é certamente um dos seus discos mais incríveis e bem acabados. Do tipo que do começo ao fim ficamos diante de um desfile de músicas que parecem nos tocar a alma e melhorar nossa paz de espirito.

“Sacred Sound” inicia o disco com um órgão de igreja e de sonoridade meio obscura. Os demais instrumentos então vão crescendo, até que a música flui de maneira excelente, principalmente pelo som de teclado que acompanha a voz de Nicholls. Às vezes quem preenche a melodia vocal é a guitarra de Holmes. Falando nela, acaricia nossos ouvidos com as suas já conhecidas belíssimas linhas. A parte do interlúdio é simplesmente maravilhosa, cozinha consistente e maravilhosos trabalhos de guitarra e teclado. Simplesmente fascinante.

“Red Dust Shadow” começa com um ritmo suave ao violão e que tem acompanhamento em segundo plano do teclado. O vocal de Nicholls entra muito bem na cena e cria melodias realmente impressionantes. A música tem uma atmosfera onírica e nos leva a um clima viajante. Também há um som de mellotron dominando a música, um tipo de nuance muito parecida com o que o King Crimson fazia na sua fase inicial. Uma excelente música. 

“You Never Will” pega um gancho e flui perfeitamente a partir da faixa anterior. Possui um clima bem mais otimista e apresenta mais uma belíssima melodia. O som do órgão é quem acentua a nuance musical dessa faixa. A parte do interlúdio também é impressionante, uma perfeita harmonia de sons entre teclado e guitarra. 

“Born Brilliant” começa com uma atmosfera que lembra um pouco Pink Floyd, mais precisamente algo na linha de “Welcome to the Machine”  do disco Wish you Were Hera. Também há algo de Genesis aqui principalmente em sua batida. No seu núcleo a faixa possui um solo atmosférico de guitarra muito bom e no seu  fim um teclado edificante. 

“Harvest of Souls” é o épico e grande destaque do disco e que decreta o fim de Dark Matter. Começa com um ótimo violão que preenche muito bem o ambiente enquanto Nicholls canta com grande doçura, inclusive esse começo eu costumo dizer que tem uma boa influência em "Supper's Ready" do Genesis. Então que teclados também começam a fazer parte do ambiente da música. Após a serenidade inicial, a música entra em uma linha mais enérgica. Na época lembro que a segunda parte da música foi alvo dos comentários dos americanos, não apenas por conta da música em si, mas sua letra fazer uma dura crítica a política externa estadunidense. A música possui uma instrumentação maravilhosa e lindas mudanças de andamento como já é de costume acontecer em faixas mais longas da banda. “Harvest of Souls” é o tipo de música que eu falo tranquilamente que figura entre as mais belas e bem construídas que já ouvi na minha vida. Obra-prima. 

No geral esse disco carrega tudo que possamos esperar do IQ, ótimas letras, composições, musicalidade, rico em melodias, texturas atmosféricas e produção excelente. Nada menos do que uma obra-prima do neo progressivo.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Dark Matter

Álbum disponível na discografia de: IQ

Ano: 2004

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,25 - 4 votos

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